The Great Ruler – Capítulo 27
Saque
Na floresta coberta por folhas, o chão tremeu de repente. Um rugido violento ecoou ao redor.
Na direção do som, um enorme urso amarelo, com vários metros de altura, agitava suas patas — grossas como marretas — com fúria. Ele atacava sem pensar, golpeando com violência o pequeno corpo à sua frente.
Diante daquele ataque esmagador, a figura esguia recuou rapidamente. Energia Espiritual envolvia a adaga curta em sua mão. Como uma serpente saindo de seu esconderijo, um traço vermelho surgiu sobre o pelo branco do urso.
A dor em seu peito fez o animal enlouquecer ainda mais. Suas patas gigantes agora estavam envoltas em Energia Espiritual amarelada. Cada golpe contra o chão deixava marcas profundas. Se um único acerto atingisse aquele corpo delicado, seria o suficiente para causar um ferimento grave.
Felizmente, ela era extremamente ágil.
Desviava sem parar, e sempre que o urso cometia um erro, sua lâmina deixava novas marcas de sangue em seu peito.
As duas figuras — uma enorme, outra pequena — continuaram lutando.
Cerca de dez minutos depois, o urso já não aguentava mais. Seu corpo gigantesco desabou no chão como uma rocha.
A bela garota finalmente confirmou que ele havia morrido. Soltou um suspiro de alívio, limpando o suor frio da testa. Virou o rosto, ofegante.
Sob uma árvore próxima, um rapaz alto observava tudo com um leve sorriso.
— Nada mal.
Mu Chen se aproximou, olhando o corpo do Urso da Montanha. Apontou para a marca ensanguentada em seu peito.
— Mas seus ataques ainda não são decisivos o bastante. Esse é o seu ponto fraco. Quando encontrar uma abertura, precisa finalizar de uma vez. Do jeito que fez, gastou energia demais. Se ele fosse um pouco mais forte, talvez tivesse te desgastado até perder.
Tang Qian’er lançou um olhar para outro Urso da Montanha abatido ali perto.
Diferente do dela, havia apenas um único buraco ensanguentado no peito do animal — preciso, direto, atravessando o coração. Era evidente que ele havia morrido com um único golpe.
Aquele era o resultado de Mu Chen.
Ela havia visto o ataque antes. Rápido, preciso, sem qualquer hesitação… A frieza com que ele matava parecia algo natural — muito mais do que a dela.
— Você é um louco. Como eu poderia me comparar com você? — ela fez um bico.
Mesmo sem experiência real matando Bestas Espirituais, Tang Qian’er conseguia perceber: Mu Chen não ficava atrás dos aventureiros que viviam entre a vida e a morte.
Ainda assim… havia admiração em seu coração.
Sob a orientação dele, o medo que sentia desde o início havia começado a desaparecer. Agora, ela já conseguia derrotar sozinha uma Besta Espiritual de baixo nível no estágio intermediário do Movimento Espiritual.
Quanto a Mu Chen…
Seu rosto bonito mantinha sempre um sorriso calmo e gentil — o que, de alguma forma, era ainda mais assustador.
Para ele, aquilo tudo não passava de algo trivial.
O olhar de Tang Qian’er vagou até o garoto que recolhia a Essência da Alma do urso. Pontos de luz quebrados caíam sobre seu corpo. Seu perfil era sério, com uma presença que jovens comuns não possuíam.
Ela corou levemente.
— Nada mal o resultado de hoje. Já coletamos 8 Essências de Almas de Bestas Espirituais de baixo nível — disse Mu Chen, sorrindo para ela enquanto se levantava.
Tang Qian’er também sorriu. Estava bastante satisfeita com a colheita.
— Vamos. Ainda podemos continuar. O resultado em si não importa tanto — o importante é aproveitar para evoluir.
Mu Chen sorriu, mas, no instante em que ia seguir adiante, franziu a testa e olhou para a direita.
— O que foi? — perguntou ela.
— Teve movimento por ali. Vamos conferir.
Ele fez um gesto e acelerou o passo naquela direção. Tang Qian’er o seguiu rapidamente.
Na densa floresta, dezenas de estudantes da Academia Espiritual do Norte estavam reunidos. Seus rostos estavam pálidos enquanto encaravam à frente.
Ali, cerca de uma dúzia de homens se apoiava preguiçosamente nos troncos das árvores. Seus olhares carregavam um leve tom de deboche.
Apesar da postura relaxada, havia algo neles…
Olhos afiados. Presença experiente.
E um leve cheiro de sangue.
Era um grupo de aventureiros.
— O que vocês querem?! — alguém gritou.
Na linha de frente estavam rostos conhecidos: Mo Ling, Tan Qingshan, Jiang Li e Teng Yong.
Mesmo assim, todos estavam tensos.
Afinal, ainda eram jovens. Bestas Espirituais já eram assustadoras — mas aqueles homens… eram pessoas acostumadas a matar.
— Um bando de moleques que nem cresceram direito… — disse um jovem de armadura de couro, sorrindo com desdém.
— Eu já falei, não falei? Entreguem as Essências de Alma que vocês têm.
— Vocês querem nos roubar?! — um garoto gritou.
— Exatamente! — ele respondeu, rindo.
Seus companheiros também caíram na gargalhada, como se aquilo fosse apenas diversão.
— Somos estudantes da Academia Espiritual do Norte! Nossos professores estão aqui — eles são do Estágio Espiritual! — alguém tentou intimidar.
— Eu sei. Vocês vieram treinar, certo? — o jovem deu de ombros. — Seus professores não disseram que ser roubado também faz parte do treinamento?
Ele sorriu, mostrando dentes brancos e afiados como os de uma fera.
— Desde que a gente não mate vocês… ninguém vai se importar.
— Então... entreguem. Não me façam agir. Eu posso ser bem cruel.
Mo Ling cerrou os punhos, furioso.
— Quer tentar lutar? Você também está no estágio final do Movimento Espiritual… igual a mim — disse o jovem, com um sorriso sanguinário.
Mo Ling sentiu um arrepio.
Mesmo no mesmo nível, a presença daquele homem era completamente diferente.
E os outros atrás dele… não eram mais fracos.
Depois de hesitar, ele soltou os punhos lentamente.
— …
Com um sorriso amargo, fez um gesto para os outros.
Tan Qingshan suspirou. Eles sabiam… não tinham chance.
Era melhor perder tudo do que se meter em algo pior.
— Assim que eu gosto — disse o jovem, satisfeito, embora com um leve desprezo no olhar. — Estudantes da Academia… que decepção.
— O que vocês estão fazendo?
Uma voz surgiu de repente atrás deles.
Todos se viraram.
Mu Chen e Tang Qian’er estavam ali.
— Mu Chen?!
Os olhos de Mo Ling e dos outros se iluminaram… mas logo mudaram, como se dissessem: vá embora!
— O que está acontecendo? — perguntou Mu Chen, ignorando o aviso, aproximando-se com um sorriso.
— Heh… mais uma presa gorda — disse o jovem aventureiro.
Seus olhos então caíram sobre Tang Qian’er — e brilharam.
— E ainda por cima… uma beleza.
Ela o encarou com irritação, mas isso só a deixou ainda mais encantadora aos olhos dele.
Mo Ling suspirou e explicou rapidamente a situação.
— Roubo? Que azar o de vocês — disse Mu Chen, sorrindo.
— E o seu também agora! — retrucaram os outros.
— Ei, garoto — disse o aventureiro, acenando. — Já que veio até aqui, entregue suas Essências também… e a garota. Temos que ser justos, não é?
— Quer as minhas também? — Mu Chen franziu levemente a testa.
— Culpa sua por ser azarado o suficiente pra aparecer. Vocês até têm talento… mas numa luta de verdade? Não dão conta.
Mu Chen coçou a cabeça.
— Só tenho uma. Pode ficar.
Ele tirou uma Essência de Alma e caminhou até o homem.
— Tá surdo? Eu disse pra trazer a garota também — resmungou o jovem, irritado.
Mu Chen já estava diante dele e estendeu a mão.
O aventureiro foi pegar a Essência — enquanto, com a outra mão, preparava um tapa contra a cabeça do garoto.
Mas, naquele instante—
Os olhos negros de Mu Chen, antes suaves, ficaram gelados.
Sua mão girou.
Um brilho negro cortou o ar.
E, em um arco preciso, atravessou a palma do homem.
Sangue espirrou.
Tudo aconteceu em um piscar de olhos.
Os companheiros do aventureiro ficaram paralisados.
Diante de olhares chocados…
O belo rapaz sorriu.
— Foi mal… eu mudei de ideia. Não tô mais a fim de te dar isso.