The Great Ruler – Capítulo 24
Promessa
O Campo Espiritual do Norte localizava-se na região noroeste do Reino Espiritual do Norte. Ficava a aproximadamente um dia de viagem da Academia Espiritual do Norte. Aquela vasta extensão de terra podia ser considerada o lugar mais movimentado de todo o reino.
Embora estivesse repleto de perigos, havia um ditado que todos conheciam: quanto maior o risco, maior a recompensa. Para conquistá-las, muitos chegavam ao ponto de passar suas responsabilidades para seus sucessores antes de se aventurar ali. Alguns retornavam com glória… outros acabavam soterrados sob folhas apodrecidas, esquecidos para sempre.
Ir ao Campo Espiritual do Norte para treinar era um evento importante dentro da Academia. Quase metade dos alunos da Classe Celestial participava. Afinal, por mais que treinassem em segurança dentro da Academia, todos sabiam — o que realmente lhes faltava era combate real.
Somente o combate verdadeiro é capaz de forjar a mente de alguém. E isso era essencial no caminho para se tornar forte.
O Campo Espiritual do Norte não abrigava apenas uma grande variedade de Bestas Espirituais, mas também todo tipo de gente desprezível — incluindo figuras notórias, perigosas e sem escrúpulos.
Comparados a esses indivíduos cruéis, os estudantes da Academia pareciam cordeiros. Não eram fracos, mas, diante de inimigos verdadeiramente implacáveis, dificilmente seriam páreo em uma luta de vida ou morte.
Por isso, a Academia também enviava uma força de proteção considerável. O Professor Mo, do Ramo Leste, e o Professor Xi, do Ramo Oeste, acompanhariam o grupo. Ambos eram especialistas no Estágio Espiritual — verdadeiras potências. Poucos ousariam nutrir intenções malignas diante de dois cultivadores desse nível.
Ao amanhecer, a equipe de treinamento da Academia partiu. Porém, só chegaram às proximidades do Campo Espiritual do Norte ao entardecer. Com a noite se aproximando, decidiram montar acampamento ali mesmo.
Quando a escuridão caiu, fogueiras foram acesas. Muitos daqueles estudantes nunca haviam estado em um lugar como aquele, e a excitação era evidente. Risadas e conversas animadas preenchiam o ar.
Mas, nas sombras, outros observavam.
A maioria deles eram aventureiros. Ao reconhecerem aqueles jovens da Academia, apenas torceram o nariz e seguiram seu caminho.
Para eles, aqueles estudantes certinhos provavelmente estariam tremendo de medo assim que encarassem uma Besta Espiritual feroz.
Mu Chen estava sentado perto da fogueira, com as pernas cruzadas, olhando em silêncio para a escuridão além do acampamento. Ao longe, rugidos sangrentos ecoavam pela noite.
Aquela cena lhe era familiar.
Mas… a atmosfera ali era muito menos brutal do que as lembranças que carregava da Estrada Espiritual.
Por um instante, seu corpo enrijeceu.
Então, uma mão delicada surgiu por trás e pousou em seu ombro.
No exato momento em que o toque aconteceu, os olhos negros de Mu Chen ficaram frios. Seu corpo inteiro se tensionou como o de um felino prestes a atacar. Sua mão disparou e agarrou a outra com força.
— Ai!
Um grito de dor ecoou.
Só então Mu Chen voltou a si. Virou-se rapidamente e viu Tang Qian’er atrás dele. A frieza em seus olhos desapareceu como se nunca tivesse existido. Sem jeito, ele coçou a cabeça e soltou a mão dela.
— O que você está fazendo? Isso dói! — reclamou Tang Qian’er, sentando-se ao lado dele enquanto massageava o pulso.
— Desculpa… — disse Mu Chen com um sorriso amargo.
O ano que passou na Estrada Espiritual havia gravado em seu corpo um instinto constante de alerta. Ao voltar para o Reino Espiritual do Norte, ele havia conseguido suprimir isso… mas ali, naquele ambiente semelhante, aquela vigilância havia despertado novamente.
— O que foi? — perguntou ela, franzindo os lábios, mas sem desviar os olhos dele.
As garotas costumam perceber essas coisas.
Quando ele havia segurado seu pulso, ela sentiu um frio estranho. Se não tivesse gritado, talvez ele realmente tivesse esmagado sua mão.
Mu Chen encarou a fogueira por um momento antes de falar, em voz baixa:
— Se alguém tivesse feito isso comigo na Estrada Espiritual… provavelmente eu teria matado essa pessoa. Porque, se eu não matasse… seria eu quem morreria.
Tang Qian’er ficou em silêncio.
Ela olhou para o garoto à sua frente. Quando ele disse “matar”, sua expressão não mudou. Era como se aquilo fosse… natural para ele.
— Então… a Estrada Espiritual deve ser um lugar assustador… — murmurou.
Para eles, aquele lugar sempre foi envolto em mistério. Diziam que quem saía de lá raramente falava sobre o que havia vivido. Ainda assim, todos os que retornavam eram absurdamente fortes — e isso fazia muitos jovens, como ela, sonharem com aquele lugar.
Mas eles não sabiam…
Que, para sair de lá, era preciso sobreviver a um verdadeiro inferno.
Mu Chen sorriu de leve, quase para si mesmo.
— Lá… todos são competidores. E competidores cruéis. Alguns são completamente insanos… conseguem sorrir para você com calma… e, no instante seguinte, cravar uma lâmina no seu peito.
Ele respirou fundo.
— Por isso, confiança é algo raro naquele lugar. Mas, quando você encontra… é algo que carrega pelo resto da vida.
Seu olhar suavizou ao lembrar de uma certa garota de cabelos prateados.
Uma pessoa problemática… até para ele.
Durante meio ano, ela o perseguiu. Lutaram três vezes. Ele venceu duas… mas, na última, ela virou o jogo. Uma espada negra, como um espectro na noite, parou em sua garganta.
Ela havia vencido.
Bastava um movimento… e ele teria desaparecido para sempre da Estrada Espiritual.
Mas ela não fez isso.
Na escuridão, seus olhos — claros como vidro — o observaram por um longo tempo. Então, lentamente, ela recolheu a espada e disse, em voz baixa:
— Eu não vou te matar. Venha comigo.
Naquele momento, Mu Chen ficou atônito.
Então, finalmente fez a pergunta que carregava havia seis meses:
— Por que você me perseguiu por tanto tempo? Se eu não tivesse te salvado… você já estaria morta.
Quando se conheceram, ela estava cercada por cinco lunáticos que queriam matá-la. Ele não pretendia se envolver… mas, talvez por irritação… ou pelo brilho triste nos olhos dela… acabou ajudando.
Ele a salvou — e, com isso, atraiu problemas.
Durante uma semana, fugiu carregando a garota ferida. Depois disso, levou mais dez dias para derrotar os cinco perseguidores — matou três, e os outros dois desistiram.
Mas, quando tudo finalmente acabou…
Ela puxou a espada.
E passou meio ano o caçando.
Diante da pergunta dele, ela pareceu pensar por um instante. Hesitou… antes de responder algo que quase fez Mu Chen cuspir sangue:
— Eu não queria passar a gostar de você. Eu queria focar no meu treinamento. Se eu tivesse uma boa impressão de você… me distrairia.
— Você é maluca.
Foi tudo o que ele conseguiu dizer.
— Então… o que está fazendo agora? — perguntou, impotente.
Ela refletiu seriamente antes de responder:
— Eu pretendia te matar… mas parece que não consigo.
A luz suave da lua iluminava seu rosto — belo o suficiente para causar desastres.
Ela franziu levemente a testa.
— Acho que… ainda tenho uma boa impressão de você, mesmo depois desses seis meses.
Mu Chen ficou sem palavras.
Meio ano tentando se matar… e ela solta uma dessas?
— Eu não te matei agora. Então você me deve sua vida. Vamos formar uma equipe. Quando eu deixar de gostar de você… eu te mato.
— Você está criando um cachorro?
— Se eu não te matar… eu te deixo ir.
Mu Chen balançou a cabeça, resignado.
— Não tenho interesse.
Ela hesitou por um momento… e então disse suavemente:
— Eu posso te proteger de qualquer ataque pelas costas. Desde que você não me prejudique… eu te protegerei. Seja na Estrada Espiritual… ou no Grande Mundo dos Mil.
Os passos de Mu Chen pararam.
A voz dela atravessou o silêncio… e atingiu diretamente seu coração.
Seus olhos se suavizaram.
— Você quase nunca fala… mas, quando fala… sabe ser bem convincente.
Ele se virou, sorrindo levemente. Suspirou… e estendeu a mão para ela.
— Então… vamos trabalhar juntos.
Pela primeira vez, o rosto sempre calmo e inexpressivo da garota revelou um leve sorriso.
E, naquele instante…
Até o brilho da lua pareceu perder o encanto.
Ela então estendeu sua mão fria… e apertou a dele suavemente.
Esta é a minha promessa para você.