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High School DxD – Volume 5 - Capítulo 2

Vida. 2: A reunião dos jovens demônios!

“Em outras palavras, para os demônios de alta classe, a alta sociedade é—”


Era o dia seguinte desde que cheguei à casa da Buchou, no Submundo.


Logo pela manhã, fui praticamente obrigado a ouvir uma longa explicação sobre demônios de alta classe, a elite da sociedade e a nobreza, dada por um tutor demônio. Isso mesmo… aquele tal “estudo” de que tinham falado.


Esse era o meu tutor particular, designado especialmente para mim pelos pais da Buchou. Disseram que ele era “um deles”. Isso quer dizer que existem outros também? …Ah, deixa pra lá. Já desisti de tentar entender. Só de pensar que eu, de todas as pessoas, estaria estudando sobre o mundo aristocrático… já era estranho o suficiente.


Bom, como eu não sabia quase nada sobre o Submundo desde o início, no fim das contas até que foi útil. E, pra minha surpresa, ele respondia todas as minhas perguntas com boa vontade.


Parecia ser algo importante, então eu anotava freneticamente no caderno, com medo de ficar para trás. Hmm… será que agora eu também tinha lição de casa nas férias de verão?


Millicas-sama também estava ali, sentado ao meu lado, estudando junto comigo. Apesar de pequeno, era bem dedicado. Dava pra ver que era inteligente.


Enquanto isso, os outros membros do clube estavam passeando pelas terras dos Gremory junto com a Buchou.


Que inveja… que inveja!


Pelo que ouvi, eles estavam visitando o castelo particular da Buchou e até mesmo o castelo que o Sirzechs-sama usa quando retorna ao seu lar! Um verdadeiro tour pelos castelos dos Gremory!


Eu também queria ir…!


“Jovem mestre, você conhece o alfabeto dos demônios?”


“N-Não… eu realmente não conheço.”


“Entendo. Então, a partir de agora, vá memorizando um por um.”


E assim, o tutor demônio passou a me ensinar com toda paciência e cuidado… mesmo eu não sabendo nem o básico.


Mas… o que era essa história de “jovem mestre”?


Desde a noite anterior, as empregadas, os mordomos da família Gremory e até esse tutor estavam me chamando assim.


“Isso porque preciso lhe ensinar tudo sobre a família Gremory, jovem mestre. Por favor, prepare-se.”


“A-Ah, é… mas… o que é esse negócio de ‘jovem mestre’?”


“......Muito bem, vamos falar agora sobre a história da família Gremory.”


Ah… desviou da pergunta de novo.


Por que diabos eu tenho que aprender a história da família da Buchou e toda essa estrutura da nobreza também? É só porque eu sou o servo dela? Será que o Kiba e os outros também passaram por esse tipo de estudo?


Ah, mas então… por que a Asia e a Xenovia, que também são demônios novos, não estão tendo esse tipo de educação?


Aff… eu não entendo nada disso!


Gacha.


A porta se abriu, e a mãe da Buchou entrou.


Como eu imaginava… ela é realmente linda.


“Vovó!”


Ah, entendi… para o Millicas-sama, ela é como uma avó. Mesmo assim, olhando pra ela, parece mais a irmã mais velha da Buchou.


“Issei-san, Millicas. Como estão indo os estudos?”


Ela se aproximou com um sorriso gentil, ficando entre mim e o tutor. Tentei esconder minha escrita horrível em linguagem demoníaca… mas ela acabou vendo meu caderno mesmo assim.


“Assim como Sirzechs e Grayfia me disseram… você realmente se dedica a tudo o que faz. Não posso dizer que sua escrita seja muito boa, mas dá pra perceber o quanto você está se esforçando para memorizar.”


A mãe da Buchou chamou uma das empregadas para entrar e servir chá.


“Rias deve estar voltando em breve. Afinal, hoje haverá um evento tradicional no território do Maou — uma reunião dos jovens demônios.”


Agora que ela mencionou… isso estava mesmo na programação enquanto estivéssemos no Submundo.


Pelo que ouvi, jovens demônios mais ou menos da idade da Buchou se reuniriam em um só lugar. Todos eles ainda não haviam estreado oficialmente nos Rating Games. Também disseram que os herdeiros das famílias nobres e tradicionais se encontrariam ali, como uma forma de se conhecerem e trocarem cumprimentos.


A Buchou… e também a presidente do conselho estudantil, Sona Sitri, precisavam comparecer.


E nós, como seus servos, iríamos acompanhá-la.


Desde que cheguei ao Submundo, não tive um minuto de descanso…


Agora… o que será que vai acontecer a seguir?


Parte 2


Logo depois que a Buchou e os outros voltaram do passeio pelos castelos dos Gremory, seguimos de trem até o território onde o Maou-sama residia.


Durante o trajeto, o trem atravessou vários círculos mágicos que surgiam no ar, usados para deslocamentos de longa distância, e continuou avançando sem parar.


Depois de três horas sendo sacudido dentro do trem…


Finalmente chegamos a uma área urbana!


Tanto a estação quanto as casas eram modernas! Tinha até máquinas de venda automática por ali! O design era um pouco diferente do mundo em que eu vivia, mas, mesmo assim, tudo parecia extremamente avançado!


“Esta é a cidade de Luciferd, dentro do território do Maou. Era a antiga capital do Submundo, onde o antigo Lucifer-sama vivia.”


Foi assim que Kiba explicou.


Então esse era o lugar onde o antigo Lucifer-sama morava…


Aliás, estávamos todos usando nossos uniformes de verão. Pelo visto, aquilo já tinha se tornado o “uniforme oficial” da nossa família.


“Daqui, vamos pegar o metrô. Se formos pela superfície, vai acabar virando um alvoroço.”


Disse Kiba.


Então aqui também tem metrô, é… Esse lugar realmente não é tão diferente do mundo humano.


Pensando bem, humanos e demônios têm uma relação bem próxima. Desde contratos até a reencarnação de humanos como servos através das [Evil Pieces], dá pra dizer que existe uma espécie de coexistência entre eles.


Talvez seja assim que essa raça vive — absorvendo outras culturas e transformando tudo em algo próprio.


“Kyaaaah! Princesa Rias-samaaaaaaa!”


De repente, ouvi um grito agudo.


Quando olhei, havia um grupo de demônios na plataforma da estação, todos encarando a Buchou com olhares cheios de admiração.


Ooh… então a Buchou era popular por aqui?


“A Buchou é a irmã mais nova do Maou. Além disso, ela é linda… então é natural que seja alvo de admiração entre os demônios de baixa e média classe, sabe?”


Akeno-san explicou.


Sério mesmo!?


Então a Buchou é tipo uma super celebridade no Submundo?


Bom… faz sentido.


Ela é a irmã do Maou. Também é a próxima chefe da nobre e prestigiosa família Gremory. E, além de tudo isso… é uma mulher incrivelmente bonita.


Era inevitável que fosse popular!


“Hiiiii… tem demônios demais…”


Atrás de mim, Gasper entrou em pânico ao ouvir a agitação da multidão.


A vida difícil do hikikomori continuava.


“Que problemático… Vamos logo para o metrô antes que isso vire um caos. O trem particular já está preparado?”


A Buchou perguntou a um dos homens de terno preto que estavam por perto.


Eles pareciam ser nossos guarda-costas — vários deles tinham vindo junto conosco desde o castelo dos Gremory. Pelo que disseram, eram todos bastante fortes. Faz sentido… afinal, proteger a princesa e nós, seus servos, exige um certo nível de poder.


“Sim. Por favor, sigam-me.”


E assim, seguimos o guarda-costas em direção ao metrô subterrâneo.


“Rias-samaaaaaaaa!”


Ela também era extremamente popular entre os homens. Mesmo assim, a Buchou apenas acenava para o grupo com um sorriso meio forçado.


Como eu imaginava… minha mestra é incrível!


Depois de fazer a transferência para o metrô, ainda fomos sacudidos por mais uns cinco minutos.


Quando finalmente chegamos… estávamos na plataforma subterrânea do maior prédio da cidade.


O local da reunião — onde se reuniriam os jovens demônios, membros de famílias antigas e grandes nomes da alta classe — ficava dentro daquele edifício.


Os guarda-costas nos acompanharam até o elevador e, depois disso, permaneceram de prontidão.


Entramos no elevador com a Buchou à frente. Era um elevador espaçoso.


“Escutem bem, vou dizer mais uma vez. Não importa o que aconteça, mantenham a calma. Não importa o que digam, não comecem uma briga. —As pessoas lá em cima serão nossos futuros rivais. Não podemos nos mostrar de forma vergonhosa.”


As palavras da Buchou carregavam uma intensidade diferente do habitual. Havia um espírito combativo nelas — era a voz de alguém pronto para lutar… e que não pretendia perder para ninguém.


Eu e a Asia engolimos seco, tentando nos acalmar.


Certo…! Mesmo nervoso e tenso, não sou o único [Peão] aqui. Não posso fazer feio!


Subimos rapidamente até o último andar, e logo o elevador parou. As portas se abriram.


Ao dar um passo para fora, nos deparamos com um salão amplo.


Assim que saímos, um funcionário que parecia trabalhar ali nos recebeu com uma leve reverência.


“Bem-vinda, Gremory-sama. Por favor, por aqui.”


Seguimos o funcionário por um corredor, e então, em um dos cantos… vimos um pequeno grupo de pessoas.


“Sairaorg!”


Pelo jeito, a Buchou conhecia um deles.


O rapaz também percebeu a presença dela e se aproximou.


Era um jovem — pela aparência, devia ter mais ou menos a nossa idade.


Tinha cabelos pretos curtos e um rosto marcante, com uma aparência ao mesmo tempo rude e atraente. Seu corpo era extremamente bem desenvolvido, cheio de músculos — parecia até um lutador profissional. Na verdade… será que ele vinha de uma família de artistas marciais? Seus olhos tinham um tom de roxo incomum.


De alguma forma… seu rosto lembrava o da Buchou—não, melhor dizendo… o do Sirzechs-sama.


“Faz tempo, Rias.”


Ele cumprimentou a Buchou com um aperto de mão e um sorriso.


Ooh… então ele também é um dos jovens demônios? Pelo jeito, deve ser um demônio de alta classe. Mesmo alguém como eu, de baixa classe, conseguia sentir a enorme quantidade de poder mágico que emanava dele.


Os demônios que estavam com ele também voltaram seus olhares para nós…


Todos pareciam fortes…


“Sim, senti sua falta. Fico feliz em ver que você está bem. Ah, pessoal, ainda há quem não o conheça. Este é Sairaorg — meu primo pelo lado da minha mãe.”


A Buchou nos apresentou—


Espera… primo!?


Ah… então é por isso que ele lembra o Sirzechs-sama.


“Sou Sairaorg Bael, o próximo chefe da família Bael.”


Bael!?


Bael… tipo o famoso “Grande Rei”, logo abaixo do Maou!?


Até eu, que não entendo dessas coisas, sei disso!


Espera… então a mãe da Buchou veio originalmente da família Bael!?


A família do “Grande Rei”…! O clã do “Grande Rei”…!


Isso é absurdo, cara! A família Gremory tem tanto o Maou quanto o Grande Rei!


Enquanto eu ainda estava em choque, a Buchou continuou a conversa com o herdeiro da família Bael.


“E o que você está fazendo aqui no corredor?”


“Ah… saímos um pouco de lá de dentro. Aquilo está ridículo.”


“...Ridículo? Então os outros também já chegaram?”


“Agares e Astaroth já estão aqui. Zephyrdol foi o último a chegar… e, assim que chegou, começou a discutir com o Agares.”


Sairaorg-san, aquele sujeito de aparência firme, agora mostrava um claro sinal de irritação.


Mas… discutir sobre o quê?


Eu até queria perguntar, mas—


DOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM!


O prédio inteiro tremeu com um estrondo gigantesco!


E-Eh!? O quê foi isso!? Veio de algum lugar bem próximo!


Preocupada, a Buchou caminhou sem hesitar até a grande porta de onde o barulho tinha vindo.


“Aff… é por isso que eu disse que não deviam se encontrar antes da reunião.”


Suspirando, Sairaorg-san seguiu atrás dela, junto com aqueles que pareciam ser seus servos.


O quê!? O que estava acontecendo!?


Sem outra escolha, seguimos nossa mestra, mesmo cheios de dúvidas e apreensão.


Do outro lado da grande porta aberta—


havia um salão de banquete completamente destruído!


Mesas, cadeiras, decorações… tudo estava em pedaços!


Os demônios estavam divididos em dois grupos, encarando-se no centro do salão!


Armas já haviam sido sacadas, e o ar estava carregado… prestes a explodir!


De um lado, havia demônios com aparência maligna, quase como goblins. Do outro, um grupo de demônios com aparência mais “normal”.


Mas ambos exalavam uma aura gelada e assassina… a ponto de dar arrepios.


Assustador… muito assustador…


A quantidade — e principalmente a qualidade — daquela presença era absurda. Muito acima da nossa.


No canto do salão, ainda havia uma mesa que milagrosamente permanecia intacta.


Ali, alguns demônios servos de aparência elegante estavam reunidos.


E, bem no centro deles…


…havia alguém tranquilamente tomando chá.


“Zephyrdol… você não consegue evitar começar uma briga num lugar como este? Quer morrer? Está mesmo com vontade de morrer? Mesmo que eu te mate aqui, ninguém acima de nós vai me culpar.”


Os dois grupos se encaravam com hostilidade.


Quem disse aquilo, com uma frieza assustadora, foi uma demônio… uma mulher.


Falar algo como “vou te matar” com tanta calma assim…


Ooh… mas que mulher incrivelmente bonita!


Ela devia ter mais ou menos a minha idade. Usava óculos — e aquele olhar frio e afiado… dava arrepios. Sim, definitivamente assustadora. A pressão do poder mágico que emanava dela era gélida… quase sufocante.


Ela vestia um robe azul, deixando pouquíssima pele à mostra.


…O que era meio decepcionante.


“Hah! Vou repetir, sua vadia! Eu disse que ia te ensinar direitinho num quarto privado, com todo o esforço do mundo! A senhorita da família Agares realmente não gosta de ficar sem seus guardinhas, né? Heh… será por isso que você ainda é virgem, sem nunca deixar um homem sequer se aproximar!? Sério… todas as mulheres das famílias ligadas aos Maous fedem a virgindade, é insuportável! Por isso mesmo eu disse que faria uma cerimônia de abertura formal pra você!”


Ugh…


Que cara vulgar.


Ele tinha uma tatuagem negra, como magia, no rosto, e o cabelo verde espetado. Seu corpo estava parcialmente nu, exibindo ainda mais tatuagens do mesmo tipo. Os acessórios em suas calças tilintavam enquanto ele se movia.


Um delinquente.


Sem dúvida nenhuma, um delinquente!


Heh… então até no outro mundo tem esse tipo de gente.


O rosto dele até poderia ser considerado bonito… mas sua expressão era simplesmente perigosa demais.


…Mas, afinal, o que aconteceu entre esses dois?


Será que aquela onee-chan de óculos foi assediada por esse delinquente?


Enquanto eu tentava entender a situação, Sairaorg-san se aproximou por trás e explicou:


“Este é um salão de espera. Ficamos aqui até o horário da reunião. Para simplificar… os jovens se reúnem aqui e trocam cumprimentos. Mas, quando você junta gente de sangue quente assim… esse tipo de coisa acaba acontecendo. Os demônios antigos das famílias tradicionais e da alta classe parecem até achar isso positivo. Eu, pessoalmente, não quero ter nada a ver com algo tão inútil… mas não há o que fazer.”


Ele estalou o pescoço com um movimento seco e avançou em direção aos dois grupos.


Ei, ei!


É perigoso!


Não dá pra se aproximar assim quando o clima está desse jeito!


Tentei impedi-lo, mas a Buchou me segurou.


“Ise… observe bem. Observe o Sairaorg com atenção.”


“Hã? S-Sim… mas por quê? Porque ele é seu primo?”


“—Ele é o número 1 entre os jovens demônios.”


—!


Sério!?


Número 1!?


Ou seja… o mais forte!?


Sairaorg-san se posicionou entre os dois lados que estavam prestes a entrar em confronto.


A mulher de óculos e o delinquente voltaram seus olhares para ele.


“Seegvaira, princesa da família Agares… e Zephyrdol, o filho rebelde da família Glaysa-Labolas. Se avançarem além disso… eu serei o seu oponente. Escutem bem — considerem isso um aviso final. Dependendo do que disserem ou fizerem a partir de agora… eu não terei piedade ao usar meus punhos.”


A intensidade nas palavras dele era absurda!


Aquilo era uma ameaça pura e simples!


Até eu senti a pressão daquela aura percorrendo meu corpo!


Uma veia saltou na testa do delinquente, seu rosto tomado pela fúria.


“Você… da inútil família Bael—”


Doga!


Um impacto brutal ecoou pelo salão!


Antes mesmo de terminar a frase, o delinquente foi arremessado contra a parede por um único golpe de Sairaorg-san!


Gara…


O corpo dele deslizou pela parede…


E caiu no chão, desacordado, de cara para baixo.


—Com um único golpe!


Ele derrotou aquele cara, que estava liberando uma quantidade absurda de poder mágico… com apenas um soco!?


“Eu avisei. Esse foi o último aviso.”


Diante daquilo—


“Seu desgraçado!”


“Maldito Bael!”


Os servos do delinquente avançaram, tomados pela raiva de ver seu mestre derrotado—


Mas…


“Cuidem do seu mestre primeiro. É isso que devem fazer. Mesmo que apontem suas lâminas para mim… não ganharão nada com isso. —O evento importante vai começar em breve. Certifiquem-se de que ele esteja recuperado.”


[—!]


Diante dessas palavras, o grupo hesitou… e então correu até o corpo caído de seu mestre.


Em seguida, Sairaorg-san voltou seu olhar para a mulher de óculos.


Agora eu entendia por que ela havia ficado rígida.


“Ainda há tempo. Refaça sua maquiagem. Não seria adequado participar do evento com esse estado.”


“—… E-Entendido.”


A mulher virou-se imediatamente e deixou o salão junto com seus servos.


Após confirmar isso, Sairaorg falou com seu próprio grupo:


“Chamem a equipe. O salão está destruído demais… e assim não poderei tomar chá com a Rias.”


Eu… fiquei completamente impressionado com a postura e a atitude dele.


Esse cara é forte…!


E… incrivelmente estiloso!


Esse é o homem número 1 entre os jovens demônios!


Talvez tenha sido a primeira vez na minha vida que vi alguém da minha idade… tão incrível assim.


“Ah, Hyoudou!”


De repente, ouvi uma voz familiar.


Quando me virei, vi pessoas usando o uniforme conhecido da Academia Kuoh.


“Ah, é você, Saji. E… Kaichou também.”


“Olá, Rias, Hyoudou-kun.”


Pelo visto, Saji e a Kaichou Sona também tinham chegado.


Parte 3

“Sou Seegvaira Agares. Próxima chefe da família Agares, de rank Arquiduque.”


A onee-chan de óculos — a jovem dama da família Agares — nos cumprimentou formalmente.


Depois daquele incidente, o salão já havia sido restaurado pela magia dos funcionários e estava quase completamente normal novamente.


Os jovens voltaram a se reunir em grupos, trocando cumprimentos.


Agora, estávamos todos sentados ao redor de uma mesa — exceto o delinquente de antes e seus servos, que ficaram de fora.


A Buchou, da família Gremory.


A Kaichou, da família Sitri.


Sairaorg-san, da família Bael.


E aquele delinquente… da família Glaysa-Labolas.


Mas essa onee-chan… era herdeira de uma família de Arquiduque!


Os Arquiduques são como representantes diretos do Maou — responsáveis por julgar a vida dos demônios!


Pelo que a Buchou já tinha me explicado, se o Maou fosse o presidente de uma empresa, o Grande Rei seria o vice-presidente… e o Arquiduque seria como um diretor executivo.


…Embora seja estranho existir mais de um “presidente”, é assim que funciona a sociedade demoníaca.


“Prazer em conhecê-la. Sou Rias Gremory, futura chefe da família Gremory.”


“Sou Sona Sitri, futura chefe da família Sitri.”


A Buchou e a Kaichou continuaram com as apresentações formais.


Os mestres estavam sentados… e nós, servos, permanecíamos atrás deles, de prontidão. Era assim em todos os grupos.


“Sou Sairaorg Bael, futuro chefe da família Bael, de rank Grande Rei.”


Sairaorg-san se apresentou com imponência.


Como esperado… ele realmente tinha uma presença majestosa.


O número 1 entre os jovens… está em outro nível.


Então, um rapaz de aura gentil — que, mesmo durante toda aquela confusão, permaneceu elegantemente tomando chá — falou:


“Sou Diodora Astaroth, futuro chefe da família Astaroth. Conto com a consideração de todos.”


A voz dele era extremamente gentil. Parecia até alguém inocente… mas ainda assim, era um demônio. Provavelmente, por trás dessa aparência tranquila, também devia ser alguém incrível.


Astaroth… hmm, se não me engano, essa é a família de onde vem o atual Beelzebub.


Já aquele delinquente de antes, sendo da família Glaysa-Labolas… então ele é da mesma linhagem do atual Asmodeus-sama.


…Será mesmo que alguém daquele tipo pode ser o próximo chefe de uma família dessas?


Pelo que ouvi, por influência dos Maou-samas — que são absurdamente livres —, seus irmãos acabaram se tornando pessoas mais sérias e responsáveis.


“A família Glaysa-Labolas parece ter passado por um problema recentemente. O herdeiro anterior sofreu uma morte acidental inesperada. Zephyrdol, aquele de antes, acabou sendo escolhido como o novo candidato a sucessor.”


Foi o que explicou Sairaorg-san.


Sério…?


A situação dessa família é complicada…


Mas, ao mesmo tempo… colocar alguém como aquele cara como próximo chefe também parece meio problemático.


Bom… melhor não me meter nos assuntos das outras famílias.


No total, havia seis jovens demônios reunidos ali.


E os servos deles também pareciam fortes…


Comparado a eles… eu provavelmente era o mais fraco ali.


…Isso me deixava desconfortável.


A família Gremory, ligada ao Lucifer.


A Sitri, ligada ao Leviathan.


A Astaroth, ligada ao Beelzebub.


A Glaysa-Labolas, ligada ao Asmodeus.


Além disso, havia também o Grande Rei e o Arquiduque.


Seis grandes famílias.


Que grupo absurdo…!


Que elenco de elite!


Agora eu entendia… esses jovens realmente eram considerados promissores.


Faz sentido. Afinal, são eles que vão carregar o futuro nas costas.


Talvez por serem todos da alta classe… o comportamento e a presença de cada um eram completamente diferentes.


Mas então… o que exatamente os líderes das famílias antigas e da alta nobreza queriam ver ao reunir todos nós aqui?


“Ei, Issei. Para de fazer essa cara de idiota.”


Saji soltou isso com um suspiro.


“Mas… isso aqui não é uma reunião de demônios de alta classe? Não tem como eu não ficar tenso. Todo mundo aqui parece forte…”


“O que você tá falando? Você é o Sekiryuutei, não é? Devia agir com mais postura.”


“Mesmo assim… espera aí, por que você tá irritado com isso, Saji?”


“Os servos precisam manter a dignidade nesse tipo de lugar. Não são só os mestres que estão sendo observados — nós também estamos. Então, se você fica desse jeito, acaba sendo desrespeitoso com a senpai. Tenha mais consciência… você é o Sekiryuutei do grupo da Gremory.”


Fiquei um pouco surpreso com a forma direta como Saji falou.


“É porque você é o servo do qual a senpai se orgulha. Eu também queria ser alguém de quem a Kaichou pudesse se orgulhar.”


Saji deu um sorriso amargo.


…O que houve com ele?


Enquanto eu pensava nisso, uma porta se abriu, e um funcionário entrou.


“Desculpem pela espera. —Todos já estão aguardando.”


Finalmente… o evento ia começar!


O salão para onde nós, jovens demônios, fomos levados tinha uma atmosfera peculiar.


Havia assentos posicionados bem no alto… e neles estavam sentadas figuras imponentes.


E acima deles… ainda havia mais demônios de aparência igualmente distinta.


No nível logo acima, vi um rosto familiar—


Maou Sirzechs-sama.


Ao lado dele, Serafall-sama… hoje, sem o traje de mahou shoujo.


E ao lado deles…


rostos que eu não reconhecia — mas… seriam Beelzebub-sama e Asmodeus-sama?


Mesmo à distância, eu conseguia sentir o poder esmagador que vinha deles… então minha suposição provavelmente estava certa.


Ainda assim… os dois tinham uma aparência surpreendentemente jovem.


Estávamos numa posição onde éramos observados de cima pelos superiores.


Sinceramente… não era nada agradável.


Era como se estivéssemos sendo avaliados de forma arrogante.


Eu odiava aquela sensação.


Ficamos alinhados atrás da Buchou.


Na prática, não estávamos fazendo nada… mas, mesmo assim, a tensão era enorme.


O silêncio era pesado demais.


Sem conseguir suportar, comecei a olhar discretamente para as garotas de outras famílias.


Parecia que havia até garotas bestiais… e também algumas que antes eram humanas.


Seria bom conseguir me aproximar delas depois.


Enquanto minha mente já estava acelerando nessas ideias—


os seis jovens, incluindo a Buchou, deram um passo à frente.


O delinquente também havia se recuperado e avançou junto.


O inchaço no rosto dele ainda não tinha desaparecido — a marca do soco continuava bem visível.


Bom… aquele golpe foi realmente forte.


A menos que usassem o Sacred Gear de cura da Asia…


aquilo ainda demoraria um tempo pra sumir.


Em vez disso, eu jamais deixaria a Asia chegar perto daquele cara. Vai saber o que ele poderia fazer.


“Ótimo, todos já se reuniram. Para que possamos observar os rostos de vocês — aqueles que carregarão o fardo da próxima geração —, convocamos este encontro. Esta também é uma reunião que ocorre periodicamente, para avaliarmos os jovens demônios.”


Um demônio idoso falou com voz solene, mantendo as mãos entrelaçadas.


“Mas parece que vocês já começaram brigando assim que chegaram…”


Desta vez, foi um demônio de bigode espesso que comentou com sarcasmo. Ele se referia ao que havia acontecido mais cedo. E, de fato, eles tinham começado brigando. Eu mesmo fiquei surpreso. Isso seria impulsividade juvenil?


“Vocês seis são todos demônios da próxima geração, possuindo linhagem e habilidade incontestáveis. Justamente por isso, quero que compitam entre si antes de suas estreias e fortaleçam seus poderes dessa forma.”


Sirzechs-sama disse isso de seu assento no nível mais alto.


Ou seja… eles vão fazer Rating Games com seus demônios servos aqui? Agora que penso nisso, Azazel-sensei comentou algo assim — sobre organizarem Rating Games durante o nosso treinamento no submundo. Será que era disso que ele estava falando?


“Eventualmente também seremos enviados para a batalha contra a [Khaos Brigade]?”


Sairaorg-san perguntou de forma direta. Que pergunta impressionante…


“Não sei. No entanto, se possível, não quero enviar jovens demônios.”


Sirzechs-sama respondeu calmamente. Sairaorg-san franziu as sobrancelhas, claramente sem entender.


“Por quê? Mesmo sendo jovens, carregamos parte da responsabilidade dos demônios. Se continuarmos apenas recebendo a proteção de nossos predecessores, mesmo nessa idade, e nada além disso—”


“Sairaorg, reconheço sua bravura. No entanto, você é imprudente. Acima de tudo, quero evitar mandar vocês, que ainda estão em crescimento, para o campo de batalha. Além disso, perder demônios da próxima geração seria uma perda grande demais. Quero que entenda isso. Vocês são muito mais preciosos para nós do que imaginam. Por isso, quero que vivenciem as coisas importantes passo a passo… e cresçam.”


Sairaorg-san respondeu com um “Entendo” às palavras de Sirzechs-sama, aparentemente aceitando sua decisão. Ainda assim, sua expressão demonstrava insatisfação.


Depois disso, a conversa seguiu com assuntos complicados — palavras difíceis vindas da alta cúpula e discussões sobre os próximos jogos definidos pelos Maou-sama. Para mim, tudo era incompreensível… minha cabeça parecia prestes a explodir.


Pelo visto, aquilo não terminaria tão cedo. E, mesmo quando acabasse, eu não teria descanso, já que o treinamento começaria no acampamento. Ainda assim… queria pelo menos conseguir dormir um pouco antes disso.


“Bem, peço desculpas por prolongar essa conversa. De qualquer forma, todos nós depositamos nossos sonhos e esperanças em vocês, jovens. Quero que ao menos compreendam isso. Vocês são os tesouros do submundo.”


Todos se prenderam às palavras de Sirzechs-sama. Ao ouvi-las, percebi que não havia nenhuma mentira nelas. Como esperado do irmão mais velho da Buchou. No fundo, ele era uma pessoa gentil.


Era alguém direto… e naturalmente interessante.


“Para encerrar, poderiam nos dizer quais são seus objetivos para o futuro?”


O primeiro a responder ao pedido de Sirzechs-sama foi Sairaorg-san.


“Meu sonho é me tornar um Maou.”


—! Ele declarou algo assim, de repente! Impressionante!


[Ohh...]


Até mesmo os membros da alta cúpula soltaram suspiros de admiração diante da ambição que Sairaorg declarou sem hesitação.


“É algo inédito, um demônio da linhagem dos Grandes Reis abrir mão disso.”


Comentou um dos demônios de alto escalão.


“Quando o povo do submundo sentir que não há outra escolha senão que eu me torne um Maou… então eu me tornarei um.”


Ele foi ainda mais longe na declaração! Esse cara é realmente incrível!


Antes que eu pudesse sequer reagir, a Buchou falou em seguida.


“Meu objetivo a curto prazo é viver como a próxima líder da família Gremory… e vencer cada batalha nos Rating Games.”


Entendo… então esse é o sonho da Buchou. Acho que é a primeira vez que ouço isso dela. Que confiável… tão a cara da Buchou. Certo! Nós, servos, vamos dar o nosso melhor pelo sonho da Buchou!


Depois disso, os outros jovens também declararam seus sonhos e objetivos… até que, por fim, restou apenas a última pessoa: a Sona-kaichou.


Então, Sona falou.


“Eu desejo construir uma escola para os Rating Games no submundo.”


Uma escola! Então a Kaichou quer criar uma escola…


Eu senti admiração ao ouvir isso, mas os membros da alta cúpula franziram a testa.


“Se é para aprender sobre Rating Games, já não existe uma escola para isso?”


Como se estivesse confirmando, um deles perguntou à Kaichou.


Ela respondeu de forma simples:


“Aquela é uma escola que aceita apenas demônios de alta classe e de posição privilegiada. A escola que eu quero construir é uma onde demônios de baixa classe e demônios reencarnados também possam estudar, sem qualquer distinção.”


Ohh… uma escola sem discriminação. Isso é ótimo. Seria um bom caminho para o futuro do submundo. O Saji também escutava o sonho da Kaichou com orgulho.


Mas então—


[Hahahahahahahahahahahahahahahahahaha!]


O riso dos membros da alta cúpula ecoou por todo o salão.


Eu não entendi o motivo. Não entendi por que eles estavam rindo. Quando olhei para a Buchou, seus olhos estavam semicerrados e seu rosto havia se tornado sério.


Hã…? Hã…? O que estava acontecendo?


“Isso é impossível!”


“Que ideia mais absurda!”


“Entendo! Então você é só uma garotinha sonhadora!”


“É bom ser jovem! Mas, para a futura líder da família Sitri declarar um sonho desses… ainda bem que foi aqui, neste encontro de apresentação, antes da sua estreia.”


Eu não entendi… por que estavam menosprezando a Kaichou…?


“…Mesmo que o submundo atual tenha mudado bastante em relação ao passado, a discriminação entre demônios de alta classe, baixa classe e demônios reencarnados ainda existe. E ainda há muitas pessoas que consideram isso algo natural.”


Kiba falou calmamente ao meu lado.


“O que é isso? Mas a gente não foi recebido normalmente pela família da Buchou?”


“Ise-kun. Os Gremory são uma família extremamente afetuosa. Eles não costumam discriminar humanos ou demônios de baixa classe… Mas, por favor, lembre-se da Casa Phoenix.”


“—”


Com as palavras do Kiba, a imagem de Raiser Phoenix surgiu na minha mente. De fato… aquele cara havia me desprezado, tanto por eu ser de baixa classe quanto por ser um servo. Ele realmente demonstrava uma atitude discriminatória.


Em meio a tudo isso, a Kaichou falou com firmeza:


“Eu estou falando sério.”


Serafall também assentiu com força, como se estivesse dizendo “Muito bem!”. Mesmo sendo uma Maou, e não podendo apoiar abertamente a irmã mais nova, ainda assim parecia preocupada com ela.


Um dos membros da alta cúpula respondeu com frieza:


“Sona Sitri-dono. Demônios de baixa classe e demônios reencarnados existem apenas para servir seus mestres de alta classe, sendo escolhidos unicamente por seu talento. Criar uma instituição como essa não faria as famílias antigas — que prezam tradição e orgulho — perderem sua dignidade? Por mais que se diga que o mundo dos demônios esteja mudando, mudanças podem ser tanto boas quanto ruins. Ensinar meros demônios de baixa classe… isso realmente não é algo com o qual você deva se preocupar.”


Quem não conseguiu mais ficar em silêncio diante disso foi o Saji.


“Por que vocês ficam desprezando o sonho da Kaichou — da Sona-sama — enquanto eu fiquei quieto ouvindo até agora!? Isso é estranho! Por que vocês já decidiram que isso não vai dar certo!? Nós estamos falando sério!”


“Cuidado com suas palavras, jovem demônio reencarnado. Sona-dono, seu servo não foi devidamente educado.”


Um dos demônios de alto escalão disse isso.


Mas que absurdo é esse!? Vocês é que estão sendo estranhos! Por que falam assim depois de pedirem para eles contarem seus sonhos!?


Se a Buchou estivesse sendo tratada desse jeito… eu também estaria gritando igual ao Saji!


“…Peço desculpas. Vou falar com ele mais tarde.”


A Kaichou disse isso sem sequer mudar a expressão. Saji parecia incapaz de aceitar aquela reação.


“Kaichou! Por quê!? Essas pessoas zombaram do seu — do nosso sonho! Por que você fica em silêncio!?”


“Saji, cale-se. Este não é um lugar onde você pode agir assim. Eu apenas declarei meu objetivo para o futuro. Só isso.”


“—!”


A Kaichou estreitou os olhos e repreendeu o Saji. Ele ainda parecia querer dizer algo… mas acabou se contendo.


“Nesse caso! Se a minha Sona-chan vencer brilhantemente nos jogos, vocês não terão mais do que reclamar, certo? Afinal, muitas coisas são conquistadas através de bons resultados nos jogos!”


Todos ficaram surpresos com a proposta repentina da Leviathan-sama. E, pelo visto, ela estava visivelmente irritada.


“Poxa! Vocês, velhotes, estão todos se unindo pra implicar com a minha Sona-chan! Até eu tenho limite de paciência! Se continuarem pressionando ela assim, eu também vou pegar pesado com vocês!”


Serafall-sama falou isso com os olhos marejados, encarando os demônios da alta cúpula. Eles, por sua vez, apenas piscaram, sem saber como reagir diante da fúria da Maou Leviathan.


A Kaichou… cobriu o rosto, claramente constrangida. É… essa era uma situação em que realmente não havia muito o que dizer.


Ainda assim, senti um certo alívio com as palavras da Serafall-sama. Ninguém tem o direito de desprezar o sonho de outra pessoa. Além disso… o submundo precisa mudar, não é?


Se for assim, o sonho da Kaichou é uma ambição admirável. Não deveriam os superiores reconhecer esse tipo de ideal? Quando se vive tempo demais… parece que as pessoas acabam ficando rígidas demais.


Ainda há muitas coisas sobre os costumes das famílias antigas e nobres que eu não entendo… bom, pelo menos preciso aprender os da família Gremory.


“Muito bem. Então… vamos realizar um jogo entre esses jovens.”


Todos voltaram sua atenção para as palavras de Sirzechs-sama.


Sério!? Vamos mesmo lutar em um jogo?


“Rias, Sona… que tal lutarem uma contra a outra?”


—! Então chegou a esse ponto!? Maou-sama! Eu e os outros servos também ficamos chocados com isso!


“……”


“……”


A Buchou e a Kaichou se encararam, piscando, surpresas.


Sem se importar com a reação delas, Sirzechs-sama continuou:


“Originalmente, o jogo da Rias estava programado para acontecer em alguns dias. Azazel reuniu fãs de Rating Games de várias facções, sob o pretexto de assistirem às partidas dos jovens antes de suas estreias. Sendo assim, não há problema. Vamos realizar o jogo entre Rias e Sona.”


Então quer dizer que… o acampamento de treinamento preparado pelo Azazel-sensei era, na verdade, uma preparação para uma batalha que já estava sendo aguardada por espectadores!?


—Nossa oponente é a Kaichou! A presidente do conselho estudantil!


Sério!? Um confronto repentino entre os dois grupos de demônios da Academia Kuou!?


A Buchou soltou um suspiro… e então exibiu um sorriso desafiador para a Kaichou.


Ooh! Ela vai aceitar!


A Kaichou também respondeu com um sorriso provocador.


Ela também vai com tudo!


“Mesmo não sendo um jogo oficial… parece destino que você seja minha primeira oponente em um Rating Game, Rias.”


“Já que vamos competir, eu não vou perder, Sona.”


As faíscas começaram a voar na hora! Ei, ei, ei! Era Buchou contra Kaichou! Clube de Pesquisa Oculta contra Conselho Estudantil!


“Uma partida entre a Rias-chan e a Sona-chan! Sim☆ Isso vai esquentar as coisas!”


A Serafall-sama também parecia animada!


“A data do confronto será 20 de agosto, no calendário do mundo humano. Até lá, vocês podem administrar seu tempo como quiserem. Os detalhes serão enviados posteriormente.”


E assim, por decisão de Sirzechs-sama, o Rating Game entre a Buchou e a Kaichou foi oficialmente definido!


Parte 4


“Entendo… então será um confronto contra o grupo Sitri.”


Retornamos à residência principal da família Gremory. Quem nos recebeu lá foi o Azazel-sensei. Nos reunimos na ampla sala de estar e contamos a ele tudo o que havia acontecido na reunião.


“Hoje é 28 de julho, no calendário do mundo humano. Então temos cerca de 20 dias até o dia do confronto.”


Por algum motivo, o sensei começou a fazer cálculos.


“I-Isso é por causa do treinamento?”


Quando perguntei, o sensei assentiu.


“Naturalmente. Pretendo que vocês comecem a partir de amanhã. Já preparei o plano de treinamento de cada um.”


“Mas… não tem problema só a gente receber orientação do Governador dos Anjos Caídos? Isso não seria meio injusto?”


Parecia algo que poderia facilmente gerar reclamações dos outros jovens também.


Mas o sensei apenas suspirou.


“Não exatamente. Pretendo fornecer dados para os diversos membros do lado dos demônios também, sabe? Além disso, dizem que o lado dos anjos também está oferecendo suporte. O resto depende do orgulho dos próprios jovens demônios. Se, do fundo do coração, eles quiserem se tornar mais fortes e elevar seus próprios limites, vão aceitar essa ajuda de braços abertos.”


Ah… colocando dessa forma, faz sentido.


“A ponto de até o meu Vice-Governador estar dando conselhos para várias famílias. Hahaha! O conselho da Shemhaza pode até ser mais útil que o meu!”


…Ei, por favor, não diga coisas que me deixem nervoso assim. Sério… esse Governador dos Anjos Caídos é animado demais. Embora, graças a isso, seja fácil lidar com ele.


“Bom, tanto faz. Reúnam-se no jardim amanhã de manhã. Vou passar o método de treinamento de cada um. Venham preparados.”


[Sim!]


Todos os membros do clube responderam em uníssono. Certo! De qualquer forma, o jogo já foi decidido! Agora é se preparar e treinar! E, acima de tudo… preciso me aproximar do Vali, nem que seja um pouco!


—Foi então que a Grayfia-san apareceu.


“Todos, o banho termal já está preparado.”


—! Essa foi a melhor notícia possível!


O onsen em estilo japonês ficava em uma área isolada do jardim dos Gremory.


Eu mergulhei nele imediatamente, junto com Kiba e Azazel-sensei. Ah… isso sim é vida. Que banho maravilhoso.


“Quando se viaja~♪”


Enquanto relaxava na água, Azazel-sensei cantarolava. Ooh, ele até tinha liberado suas doze asas negras.


“Hahahaha! Como esperado, quando se fala do Submundo—ou melhor, do inferno—tem que ter fontes termais! E ainda mais sendo uma fonte privada da distinta família Gremory, uma das melhores de todo o submundo… isso aqui é outro nível.”


Surpreendentemente, o Governador parecia bem acostumado com onsen. Pensando bem, ele estava usando yukata quando o conheci. Será que ele realmente gosta da cultura japonesa?


Eu e Kiba estávamos com toalhas na cabeça, relaxando na água quente.


Mas, desde antes… o Kiba estava sendo estranhamente esquisito. Porque, do nada—


“Ise-kun… quer que eu lave suas costas?”


Mas que tipo de coisa é essa que você fala corando!? Parece até que minha pureza está sendo ameaçada!


…Bem, pensando melhor, isso também é algo precioso — esse tipo de convivência sincera, mesmo entre homens… entre amigos. Como a gente não conseguiu se abrir tanto no último acampamento, ainda havia uma certa distância entre nós.


…Falando nisso, onde está o Gya-suke? Mesmo sendo um garoto que se veste de menina, será que ele não consegue participar desse tipo de momento?


Ah… como esperado, ele estava parado na entrada. Ou melhor, era inevitável!


Saí da água e fui até o Gasper.


“Ei, ei, anda logo, você tem que entrar — é um onsen!”


Eu o puxei pela entrada.


“Kyah!”


Gasper soltou um gritinho fofo.


“Kyah”… você é mesmo… espera—não enrola a toalha até o peito assim… você não é uma garota…! Droga! Ele parece uma garota! Corpo delicado, rosto feminino! Por que você é homem sendo assim!?


Como eu fiquei encarando ele, analisando demais, Gasper corou e falou:


“…U-um, por favor… não me olhe assim…”


“V-você! Não levanta a toalha até o peito se é homem! Você vive se vestindo de menina, isso só me confunde mais!”


“…N-não me diga que você estava me olhando desse jeito, Ise-senpai…? Sinto que estou em perigooooo!”


“Cala a boca!”


Por um momento, achei que podia até morrer ali mesmo de tão constrangedor! Mas, sem pensar duas vezes, peguei ele no colo estilo princesa e levei direto para a água—


Splaash!


E joguei ele dentro.


“Nãããão! Tá quenteeeee! Tô derreteeendo! Ise-senpai é um perverteeedoooo!”


Os gritos dele ecoaram pelo banho masculino! Idiota! A Buchou e as outras já entraram no banho feminino ao lado!


[Ise, você não pode assediar o Gasper, viu?]


A voz provocativa da Buchou! E logo depois… risadinhas das meninas!


Aaaaaah! Que vergonha!


Sem aguentar, mergulhei de cabeça na água! Mas não consegui ficar muito tempo e logo subi de novo!


Uu… eu só queria ajudar o recluso a entrar no banho…


“Falando nisso, Ise…”


O sensei se aproximou de mim — com um sorriso malicioso estampado no rosto.


“Sim?”


“Você já esfregou os seios da Rias?”


O sensei perguntou isso enquanto apertava os dedos das duas mãos no ar.


“S-Sim! Com a mão direita!”


Eu também fiz o gesto com a mão direita! Os seios da Buchou tinham a melhor sensação do mundo! Sério, acho que nunca vou esquecer isso na vida! Dá até pra viver só com essa lembrança!


“Entendo. Então, e quanto a—”


Assentindo, o sensei esticou o dedo indicador à frente e continuou.


“Você já cutucou o mamilo de uma mulher com o dedo?”


Ele fez questão de pressionar o ar com o dedo ao falar.


“—! ...N-Não, ainda não.”


Ao ver minha reação, o sensei soltou um suspiro.


“O que é isso? Você nunca cutucou um mamilo com o dedo? Não é com um ‘toque’, é com um ‘afundar’. O melhor é enterrar o dedo no peito, sabia?”


Q... quê...? E-E-E-Enterrar o dedo no peito...? A-Apertar o mamilo como se fosse um botão... Não é um ‘toque’, é um ‘afundar’!?


Se forem seios grandes, claro que dá vontade de enfiar o dedo lá no fundo! Mas ainda assim!


“M-Mamilos não são campainhas!!”


Isso mesmo! Os seios da Buchou não são campainhas! Muito pelo contrário— só de ver eles surgirem, meu amor pela Buchou transborda!


Mas o sensei balançou a cabeça e abriu um sorriso.


“Não, é bem parecido com uma campainha. Quando você aperta, faz ‘Hyaaan’.”


—!?


Na minha cabeça, eu imaginei uma “campainha da Buchou” soltando um “Hyaaan”.


...Que mundo é esse...? E-Existe mesmo algo assim...?


“Então os seios e os mamilos têm esse tipo de função... Eu achava que eram só pra esfregar, chupar e usar como travesseiro. Entendi... também dá pra cutucar e fazer barulho...”


Pensando bem... eu nunca tinha considerado cutucar mamilos assim. Por que eu nunca percebi essa sabedoria antes?


Enquanto eu me ocupava só com esfregar e chupar... eu tinha completamente esquecido de cutucar!


—Como eu sou idiota!


O sensei deu tapinhas na minha cabeça.


“É por isso que você ainda tem muito a aprender. Os seios de uma mulher são infinitos. Se usados corretamente, têm possibilidades ilimitadas—mais do que o Uroboros Ophis, sabia? Foi por ficar fascinado por eles que eu me joguei nesse mundo… e acabei caindo. Não me arrependo.”


—Como eu imaginava… essa pessoa é incrível. O senhor também entende, Governador!


Com lágrimas escorrendo pelo rosto, falei com a voz trêmula:


“Sensei… eu quero cutucar seios…”


Ele sorriu e continuou afagando minha cabeça.


“Isso aí, não desiste, Ise. Se for você, consegue. Se desistir, é o fim dos seios, não é?”


“Sim! Sim!”


É isso! Sem desistir, tudo pode avançar! Sem desistir, eu também vou poder cutucar os seios da Buchou! E ainda vou fazer ela gemer! A Buchou vai reagir ao meu toque!


Enquanto eu pensava nisso, vozes chegaram até mim—vindas do banho feminino ao lado.


“Ara, Rias. Seu busto cresceu de novo? Posso tocar um pouquinho?”


“S-Sério? Hum… o seu jeito de tocar é meio indecente. Aliás, o tamanho do seu sutiã não mudou mais do que o meu, Akeno?”


“O meu antigo ainda servia, mesmo apertado… mas ultimamente tenho pensado que não seria ruim mostrar mais. Uma mulher fica mais ousada quando tem alguém pra quem quer se exibir, Rias.”


“...I-Isso é verdade. Mas, por favor, não estimule tanto aquele garoto.”


“Eu tenho inveja de como vocês duas são grandes…”


“Ara-ara, Asia-chan. Os seus também não cresceram?”


“S-Será…? M-Mas sendo só desse tamanho… eu não consigo gostar muito…”


“Asia, você já ouviu que eles crescem se forem massageados? Assim—”


“Haan! N-Não! Xenovia-san! Ah… uun… o Ise-san ainda não fez esse tipo de coisa comigo…”


“Hm, os da Asia são diferentes dos meus, têm uma sensação boa ao toque. Entendo… talvez seja isso que agrada os homens.”


“Ara-ara, como é bom ser jovem, não é, Rias? Aliás, por essa sensação… você realmente tem crescido a cada dia, não é?”


“Aan… A-Akeno, para com isso, tira suas mãos dos meus seios. Esse jeito de mexer—Aaaun! Onde você aprendeu isso…?”


“Os seios da Rias… que sensação deliciosa… Ufufu. Se eu fizer assim e…”


“Não… Aaaun… e eu ainda nem deixei aquele garoto fazer isso… P-Para… eu decidi que ele seria o primeiro… Aaann…”


……


Ouvindo a conversa das garotas no banho ao lado… eu estava ficando excitado. Meu nariz não parava de sangrar! Isso é ruim, muito ruim! Dei um tapa na própria cabeça e consegui segurar o sangramento de alguma forma.


Aliás… que tipo de conversa era aquela!? Meu corpo estava reagindo em todos os lugares possíveis…


Mas eu queria espiar! Eu queria MUITO espiar! Aquele muro entre os banhos masculino e feminino… eu queria atravessar! Queria voar praquele paraíso do outro lado! Droga! Não tem nem um buraquinho pra espiar!? Procurei por todo lado desde antes e nada!


Ou será que eu devia usar meu Sacred Gear pra fortalecer o dedo e abrir um buraco…?


“O que foi? Quer espiar?”


Azazel-sensei perguntou com um sorriso malicioso.


“Não é nada demais. É coisa de homem. Espiar o banho feminino nas fontes termais é tradição. —Mas isso só faz de você um pervertido de segunda.”


“Segunda!? E-então o que faz alguém de primeira!?”


O sensei pensou por um instante.


“...Certo. Assim!”


Puxão! Ele agarrou meu braço. E então—


“É na prática! Se é homem, tem que ir pro banho misto, Ise!”


Buuuuuuuuuuuuuuuuuh! Meu corpo ficou leve de repente e minha visão começou a girarrrrrrr!


Owaaaaaaaaaah! Fui lançado pelos aaaaaaaares!


Minha visão saiu do banho masculino… e foi direto pro feminino—! E no meio do voo, meus olhos encontraram os da Buchou! E então—


SPLASH!


......Ai. Caí com tudo na água quente e comecei a me debater!


Quando emergi—


O paraíso na Terra estava diante de mim!


Buchou! Akeno-san! Asia! Xenovia! Koneko-chan! Todas… completamente nuas!


Buh!


Meu nariz sangrou de novo! Claro! Ser jogado de um lugar cheio de homens idiotas pra um mundo só de mulheres… é óbvio que a realidade muda!


O banho misto dos meus sonhos! As lágrimas não paravam de escorrer!


Normalmente, numa situação dessas, baldes voariam enquanto gritariam “Kyaa! Pervertido!”, e eu seria espancado até quase morrer, mas—…


A Buchou, Akeno, Asia e Xenovia nem sequer tentaram cobrir seus corpos nus! C-Cubram-se, gente! Vocês são garotas!


“Ara, Ise. Foi o Azazel que te jogou pra cá? Já lavou direitinho o corpo?”


“Ufufu, Ise-kun… você é bem ousado, hein.”


Na verdade, a Buchou e a Akeno-san estavam se aproximando de mim com sorrisos provocantes! Aqueles seios brancos e volumosos balançavam bem diante dos meus olhos! Viva os seios!


Eu já não sabia mais o que fazer, completamente hipnotizado pelos seios que se aproximavam. Akeno-san me alcançou um instante antes da Buchou!


“Ise-kun♪ te peguei.”


Squish.


Ela me abraçou pela frente, colando o corpo dela ao meu! E não eram só os seios! Era tudo! Todo o corpo macio da Akeno estava grudado em mimmmmmmm!


“A-Akeno-san! S-Se você me abraça assim!”


Meu cérebro, afetado tanto pelo calor das águas termais quanto pelo calor erótico, estava prestes a ferver! Aaah, droga! O corpo da Akeno é incrível demais! Por que ele é tão gostoso!? A maciez e a elasticidade são absurdas! Esse toque ainda mais suave é efeito da água termal!?


Squish!


Mesmo já envolvido pelo corpo inteiro da Akeno-san, fui atingido novamente por uma maciez de primeira classe!


De repente, o rosto da Buchou surgiu sobre o meu ombro! B-Buchou! Dessa vez, foi a Buchou que se agarrou a mim por trááááás!?


A sensação dos seios da Buchou me atingiu pelas costas! Aaah, as pontinhas deles estavam estimulando minhas costas! Tenho certeza de que os mamilos da Buchou relaxam mais que qualquer massagem barata!


“Akeno! Afasta-se do meu Ise!”


A Buchou passou os braços ao redor do meu pescoço, tentando me puxar para longe da Akeno-san! Mas Akeno-san continuava firmemente agarrada à minha frente!


“Nem pensar. Eu decidi aproveitar as águas termais com o Ise-kun. Já estamos aquecendo nossos corpos assim... o corpo do Ise-kun é tão agradável só de tocar assim...”


Akeno-san se apertou ainda mais contra mim! Uwaaaaaah, os seios dela estavam sendo pressionados tanto que parecia que iam se fundir com o meu corpo! Incríveeeeeel! Essa maciez mortal! Eu também queria abraçar Akeno-san de volta… mas, se eu fizesse isso, a Buchou com certeza ficaria furiosa com a traição do seu servo e me mataria!


“Pare com isso! O corpo do Ise é meu! Quem você acha que treinou e criou esse garoto!? Foi graças a mim que abraçá-lo assim se tornou tão bom! Do cabelo até o corpo inteiro, tudo nele é meu! —Aaah… estou ficando sensível. Isso é por causa do que a Akeno fez antes… ou por estar tocando o Ise…?”


O abraço da Buchou também se intensificou! Uwaaaaah! Os seios da Onee-sama estavam sendo transmitidos perfeitamente mesmo pelas minhas costas! Era como um banquete gigante à vontade! E ainda por cima eu conseguia ouvir sua respiração ofegante! A voz sensual da Buchou estava destruindo meu cérebro!


Então… eu fui criado pela Buchou!? Quer dizer que esse corpo foi “preparado” pra ser o travesseiro dela!? Estou feliz! Por favor, me treine e me “eduque” ainda mais!


O-Os seios da Akeno-san estavam encostando no meu peito… e o-Os da Buchou estavam pressionando minhas costas!


Eu estava sendo esmagado entre os seios da Buchou e da Akeno-san, na frente e atrás!


Incríveeeeeeeel! Eu estava sendo prensado entre seeeeeeeeeeeeios!


[Este é o lendário sanduíche de seios! Um paraíso existe nas regiões inexploradas do Submundo!]


Uma narração digna de programa de sobrevivência ecoou na minha mente!


Com esse estímulo esmagador, envolto num sonho agradável… não consegui conter o jorro de sangue pelo nariz…


...O sensei tinha falado. Se for agora, enquanto estou entre eles, dá pra cutucar! Se eu apertar como uma campainha… a Buchou pode soltar um “Hyaaan”! Incrível! O corpo feminino é incrível!


Meu dedo… estava sendo engolido pelo mamilo! O que está acontecendo!? Meu dedo está sendo “absorvido” pelos seios da Buchou!?


“Auu… eu também queria aproveitar as águas termais com o Ise-san…”


“Como eu pensei… tirar o Ise dessas duas é praticamente impossível. Não tenho escolha a não ser observar de longe hoje.”


Asia e Xenovia conversavam um pouco afastadas, mas… o impacto desse “sanduíche de seios” era forte demais…


Hã! De repente, voltei à realidade! Pensando bem, numa situação dessas, a Koneko-chan já estaria murmurando “...Nojento. Senpai pervertido.” e me mandaria voando com um soco devastador!


Olhei com cuidado na direção da Koneko-chan, mas—


Ela estava com o rosto meio submerso na água, fazendo bolhas, com uma expressão abatida… Hã? Será que ela ainda não está se sentindo bem…?


—Mas, naquele momento, minha consciência começou a se apagar.


Sim… eu entendo. Com o sangue escorrendo pelo nariz e o calor das águas e desse “sanduíche”… eu estava perdendo os sentidos…


“...Nuhahhoh.”


...Senti como se minha alma estivesse escapando pela boca. Até felicidade demais faz a alma querer sair do corpo…


“Ise-kun!”


“Ise!”


Akeno-san e a Buchou entraram em pânico, chamando meu nome. Mas eu… estava feliz. Simplesmente feliz.


Matsuda, Motohama… existe mesmo um paraíso no inferno. Será que é isso que significa um Buda estar no inferno?


Da próxima vez… eu conto pra vocês a maravilha que é o sanduíche de seios…


E assim… eu perdi a consciência.


Parte 5


No dia seguinte, todos nós nos reunimos em um canto do enorme jardim da família Gremory.


Todo mundo estava vestindo roupas de treino! Até o Azazel-sensei. Depois que nos sentamos nas mesas e cadeiras preparadas no jardim, a reunião antes do início do treinamento começou imediatamente.


O banho nas águas termais de ontem à noite foi simplesmente o melhor! Nunca vou esquecer! Meu sangue tinha subido à cabeça de um jeito absurdo, mas desde cedo eu não conseguia parar de sorrir! Vir ao Submundo realmente foi a melhor decisão! Eu pensava isso do fundo do coração!


—E esse sentimento não ia mudar.


O sensei estava com vários documentos e dados nas mãos.


“Vou começar dizendo isto: o que vou passar agora é um plano de treinamento focado no curto prazo. Algumas pessoas mostram resultados rapidamente, outras precisam pensar a longo prazo. Mas vocês ainda estão em fase de crescimento. Mesmo que errem o caminho, ainda vão evoluir bem. Agora então… primeiro, você, Rias.”


A Buchou foi a primeira a ser chamada.


“Desde o início, você já é uma demônio de alto nível, com talento, capacidade física e poder mágico. Mesmo vivendo como está agora, você continuará evoluindo e, quando adulta, será candidata a demônio de classe suprema. Mas o que você quer é se tornar ainda mais forte do que esse futuro, certo?”


A Buchou assentiu com firmeza.


“Sim. Eu não quero perder nunca mais.”


Exatamente! Nós não queremos perder de novo! Ainda mais em uma luta que nem é oficial!


“Então siga exatamente o treinamento que está nesse papel, até o dia da batalha.”


Depois de olhar a folha, a Buchou inclinou a cabeça, confusa.


“...Mas esse treinamento não parece nada de especial.”


“Exato. É um treino básico. E é exatamente disso que você precisa. Você já reuniu tudo. Por isso, a única forma de crescer agora é através do básico. O problema está na qualidade do [Rei]. Com o tempo, o [Rei] precisa mais de inteligência do que de força. Você sabe que mesmo demônios com pouca habilidade mágica podem chegar ao topo com estratégia e inteligência, certo? Até o prazo final, absorva tudo sobre os Rating Games. Estude gravações, dados, tudo. O que um [Rei] precisa é raciocínio, rapidez mental e capacidade de julgamento em qualquer situação. Cabe a você fazer com que seus servos mostrem todo o potencial deles. Mas lembre-se: até a batalha começar, nunca dá pra prever tudo. É como um campo de guerra.”


...Caramba. A gente subestimou o básico, mas o sensei pensou em tudo.


Como esperado, com essa forma de falar, a Buchou — e todos nós — só podemos aceitar e treinar.


“Próxima, Akeno.”


“...Sim.”


Mesmo sendo chamada, Akeno-san respondeu de forma fria. Ela claramente não gosta do Azazel-sensei… até disse que o odeia um pouco. Será que isso tem a ver com o pai dela?


E como se tivesse lido meus pensamentos, o sensei foi direto ao ponto.


“Você precisa aceitar o sangue que corre em você.”


“—!”


Akeno-san franziu a testa ao ouvir aquilo tão diretamente. Mas o sensei continuou.


“Eu vi os registros da luta contra a família Phoenix. O que foi aquilo? Com suas capacidades, você deveria ter derrotado facilmente a [Rainha] inimiga. Por que não usou seus poderes de anjo caído? Você se limitou ao trovão. Se não combinar luz com trovão para criar ‘relâmpago’, nunca vai atingir seu verdadeiro potencial.”


Entendi… Akeno-san também tem sangue de anjo caído. Ou seja, ela pode usar luz — algo extremamente eficaz contra demônios. E se combinar isso com seu controle de trovão… o poder dela seria absurdo!


“...Eu consigo muito bem sem depender desse tipo de poder.”


Mas a situação dela parecia bem complicada.


“Não negue a si mesma. O que você faz se não consegue aceitar quem é? No fim, a única coisa em que pode confiar é o próprio corpo, não é? Negar a si mesma te enfraquece. Aceite tudo — até as partes dolorosas. Sua fraqueza é o seu ‘eu’ atual. Supere isso até o dia da batalha. Caso contrário, você vai acabar sendo um obstáculo. A ‘Sacerdotisa do Trovão’ precisa se tornar a ‘Sacerdotisa do Relâmpago’.”


“......”


Akeno-san não respondeu… mas dava pra ver que entendeu.


Eu acredito nela. Tenho certeza de que Akeno-san vai superar isso!


“Agora, Kiba.”


“Sim.”


“Primeiro, você precisa manter o Balance Breaker por um dia inteiro. Se se acostumar, poderá mantê-lo durante toda a batalha. Seu objetivo é sustentar esse estado por longos períodos. Depois disso, assim como a Rias, você vai evoluir com treino básico. Mais tarde, eu mesmo vou te ensinar pessoalmente sobre Sacred Gears do tipo espada.”


Faz sentido… quem entende de Sacred Gear ensina Sacred Gear.


“Quanto ao treino de espada… você vai voltar a treinar com seu mestre?”


“Sim, pretendo recomeçar do zero.”


Então ele tem um mestre… como esperado, deve ser forte.


E sendo tão dedicado assim, Kiba provavelmente vai ficar ainda mais forte.


“Agora, Xenovia. Para usar melhor a Durandal… você precisa dominar outra espada sagrada.”


“Outra espada sagrada?”


Xenovia ficou surpresa.


“Sim. Uma um pouco… especial.”


O sensei sorriu, mas logo ficou sério e olhou para Gasper.


“Agora, Gasper.”


“S-Siiiiiiim!”


O hikikomori estava nervoso… fazia tempo que não saía do isolamento, afinal.


“Não fique com tanto medo. Seu maior obstáculo é esse. Você precisa treinar seu corpo e sua mente desde o começo. Seus atributos naturais e seu Sacred Gear já são excelentes. Melhorar suas habilidades como [Bispo] e sua magia vai te ajudar muito. Eu preparei um programa especial de ‘saída do isolamento’ pra você, então comece adotando uma postura adequada. Mesmo que sair completamente ainda seja difícil, pelo menos não seja lento nos movimentos.”


Exatamente… esse cara precisa fortalecer mente e corpo primeiro.


“Siiiiiim! Vou despertar um espírito de tudo ou nada!”


...Por favor, não fala isso, Gasper. Dá medo. Parece que você vai realmente se jogar de cabeça…


Olha lá, já tá tentando voltar pra caixa de papelão…


“O próximo [Bispo], Asia.”


“S-Sim!”


Asia também estava motivada. Ela já tinha dito antes que se sentia pouco útil… o que não é verdade.


A habilidade de cura dela é incrível. Sem ela, já teríamos passado por várias situações perigosas.


“Você também vai treinar corpo e magia com o básico. E seu foco principal será fortalecer seu Sacred Gear.”


“O Sacred Gear da Asia já não é incrível? Ela consegue curar qualquer coisa só de tocar.”


Essa era minha dúvida. Dá pra melhorar ainda mais?


“Eu sei. A velocidade de cura dela é excelente. Mas o problema é o ‘toque’. Se alguém se machuca longe, ela precisa se aproximar para curar.”


Ah… entendi.


“O Sacred Gear da Asia pode ampliar o alcance?”


A Buchou perguntou exatamente o que eu queria.


“Exatamente, Rias. Pode parecer um truque, mas para extrair todo o potencial do [Twilight Healing], o alcance precisa ser expandido.”


“Então dá pra usar à distância!?”


O sensei assentiu.


“De acordo com os dados da nossa organização, é possível liberar a aura do Sacred Gear por todo o corpo e curar todos os aliados ao redor.”


Sério!? Isso seria absurdo! Curar todo mundo de uma vez… reduziria o tempo e abriria várias oportunidades de contra-ataque!


Mas…


“O problema é que ela também curaria aliados e inimigos sem distinção. O ideal seria conseguir separar isso… mas me preocupo com a natureza da Asia.”


“A natureza…?”


O sensei respondeu com um olhar sério.


“Ela é gentil demais. Se vir um inimigo ferido, vai querer curá-lo também. Isso interfere na capacidade do Sacred Gear de diferenciar aliados de inimigos. Provavelmente, ela não conseguirá desenvolver essa distinção. Esse aumento de alcance pode ser uma faca de dois gumes para o grupo. Ainda assim, vale a pena tentar.”


Então, se for usada de forma descuidada, a expansão do alcance da Asia também acabaria curando os inimigos… E pensar que a causa disso seria justamente a bondade dela… O sistema de Sacred Gear é irônico demais…


“Por isso, eu encontrei outra possibilidade. —O poder de disparar a aura de cura.”


“S-Então quer dizer que eu posso enviar meu poder de cura para alguém que está longe de mim?”


Asia fez um gesto como se estivesse arremessando algo. Só aquele movimento já foi suficiente pra me curar o coração.


“Isso mesmo. Parece que você pode lançar diretamente. Por exemplo, se o Ise estiver lutando a uns dez metros e se machucar, você dispara seu poder de cura até ele. O que você usava até agora era um campo limitado padrão; o que estou explicando agora é uma versão de projétil. Você pode curar mesmo sem tocar.”


Cura em forma de projétil!? Ei, ei, ei… isso é absurdo!


“I-Isso é incrível! Assim a Asia pode atuar muito mais ativamente!”


Segurei as mãos da Asia e levantei, empolgado. Ela ficou surpresa com a novidade… mas também visivelmente feliz.


“O poder será um pouco menor do que com contato direto, mas ainda assim, curar aliados à distância abre muitas possibilidades estratégicas. Se um ou dois forem para a linha de frente, enquanto a Asia fica atrás sendo protegida, vocês podem formar uma estrutura ideal.”


O sensei já estava até imaginando formações… ele realmente gosta desse tipo de coisa.


A Buchou concordou com ele.


“É simples, mas é justamente por isso que funciona bem. Estratégias fortes costumam ser diretas. Normalmente, usamos lágrimas de Fênix ou medicamentos de cura. Mas o Sacred Gear da Asia pode superar isso com sua versatilidade e confiabilidade.”


“Exato. O poder da Asia, que consegue curar até demônios, é uma das maiores armas e características desse time. Agora, o resto depende dela. Termine o treino básico direitinho, ok?”


“S-Sim! Eu vou me esforçar!”


Isso aí, Asia! Se precisar, eu viro seu escudo! Eu vou proteger você com tudo! Não posso deixar nem um arranhão aparecer na sua pele delicada!


“Agora, Koneko.”


“...Sim.”


A Koneko-chan estava… cheia de determinação. Estranho. Até pouco tempo atrás ela parecia meio abatida, mas hoje estava diferente. O que será que ela estava pensando?


“Você já possui os fundamentos ofensivos e defensivos esperados de uma [Torre]. Sua força física também não é problema. Porém, dentro do grupo da Rias, existem outros com maior poder ofensivo do que você.”


“...Eu sei.”


Koneko-chan fez uma expressão frustrada diante da sinceridade do sensei.


...Então era isso? Era com isso que ela estava preocupada? Mas, espera… ela já não é mais forte do que eu? E, em força bruta, não supera até o Kiba e a Akeno-san?


“Os que estão no topo em poder ofensivo no grupo da Rias são atualmente o Kiba e a Xenovia. Isso porque possuem armas extremamente letais — as espadas sagradas demoníacas do Balance Breaker dele e a Durandal dela. E com o Ise prestes a alcançar o Balance Breaker também—”


Ofensiva… realmente, nesse aspecto, Kiba e Xenovia são incríveis.


Embora… eu ainda nem saiba se vou conseguir atingir o Balance Breaker.


“Koneko, você também vai aprimorar seus fundamentos como os outros. Além disso… libere aquilo que você mesma selou. Assim como a Akeno, se você não aceitar quem é, não conseguirá crescer de verdade.”


“......”


Koneko-chan ficou em silêncio. Aquela determinação de antes desapareceu completamente ao ouvir sobre “liberar”.


...Que poder era esse que ela escondia? Qual era o problema dela?


“Relaxa, Koneko-chan. Você consegue ficar forte rapidinho.”


Falei de forma leve e tentei fazer carinho na cabeça dela… mas minha mão foi afastada.


“...Por favor, não diga isso tão facilmente...”


—Um olhar sério. Foi a primeira vez que vi Koneko-chan com uma expressão assim.


Será que eu falei besteira? Tentei animar e só piorei a situação…


O clima ficou meio pesado, e o sensei olhou o relógio com preocupação.


“Agora então… por último, Ise. No seu caso… espere um pouco. Já deve estar chegando…”


Ele olhou para o céu. Hã? Esperar o quê? O que estava vindo?


Eu e os outros também olhamos para cima. Não tinha nada—


Ou melhor…


De repente, uma sombra gigantesca apareceu no céu! E estava vindo direto na nossa direção em altíssima velocidade!


Uwah! Enorme! Um monstro!? Um demônio!? Um fantasma!? Não me diga que é um ataque inimigo!?


DOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM!


O chão tremeu quando aquilo pousou bem na nossa frente! Mesmo sentado, fui jogado no chão com o impacto!


A poeira subiu… e quando baixou—


Um monstro gigantesco estava diante de nós!


Tinha uns quinze metros de altura! Um verdadeiro monstro! Uma boca enorme, aberta até o limite! Presas afiadas e assustadoras! Braços e pernas grossos! E duas asas gigantes abertas nas costas!


...Eu sabia o que era aquilo. Já tinha visto antes… e, de certa forma, carregava um dentro de mim.


“—Um dragão!”


“Isso mesmo, Ise. É um dragão.”


O sensei assentiu.


Então é mesmo um dragão! É gigantesco! Um verdadeiro monstro! Se soltasse fogo… tudo ao redor viraria cinzas num instante!


“Azazel… você tem coragem de entrar abertamente em território dos demônios.”


O enorme dragão ergueu o canto da boca e falou. Ooh, ele fala!


“Hah, eu tenho autorização direta do Maou-sama. Entrei aqui de forma totalmente legal, sabia? Alguma reclamação, Tannin?”


Pelo jeito, o sensei conhecia esse dragão.


“Hmph. Tanto faz. Só vim aqui por um pedido do Sirzechs. Não se esqueça de onde está, Governador dos Anjos Caídos.”


“Heheh. —Enfim, Ise. Esse cara aqui… é o seu professor.”


……O sensei disse isso enquanto apontava diretamente para o dragão gigante.


Não… não pode ser.


Meu professor…?


……Hã?


Eeeeeeh!?


“EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEH!? ESSE DRAGÃO ENORME!?”


Meus olhos quase saltaram do rosto! Claro que sim! Sério mesmo!? Esse monstro é meu professor!? Não devia ser você, Azazel-sensei!? O que tá acontecendo!?


“Já faz tempo, Ddraig. Consegue me ouvir?”


O dragão falou comigo—ou melhor, com o que estava dentro de mim.


No mesmo instante, meu braço esquerdo brilhou em vermelho, e o Boosted Gear apareceu.


[Ah… quanto tempo, Tannin.]


A voz do Ddraig ecoou para todos ao redor.


“Ele é conhecido seu?”


Perguntei, ainda em choque. E recebi um “sim”.


[Esse sujeito é um ex-Rei Dragão. Eu já te falei dos “Cinco Grandes Reis Dragões”, lembra? O Tannin aqui era um deles quando ainda eram os “Seis Grandes Reis Dragões”. O dragão Tannin mencionado na Bíblia… é ele.]


Hã… um Rei Dragão.


Já não bastava ter dragões atrás de mim, agora isso!? Um monstro desse tamanho!? Não, não, não! Eu não quero encontrar mais nenhum! Já basta o Vali como inimigo! Desse jeito eu morro antes de virar Rei do Harém!


“O Tannin virou demônio, então os ‘Seis Grandes Reis Dragões’ passaram a ser cinco. Mesmo entre os demônios reencarnados, ele é de nível supremo. Um demônio de classe máxima.”


Foi o Azazel-sensei que explicou.


Então esse dragão… é um demônio!? Reencarnado de um dragão!? Caramba… um Rei Dragão virou demônio e ainda por cima é de classe máxima… então ele é ainda mais poderoso que a Buchou!?


Só de encarar ele… eu senti. Mesmo um reencarnado pode alcançar o topo.


“‘Dragão Meteoro em Chamas’, Tannin. Dizem que o sopro de fogo dele tem o impacto de um meteoro. Um dos poucos dragões lendários ainda ativos. Tannin, desculpa, mas preciso da sua ajuda para treinar esse garoto que carrega o Imperador Dragão Vermelho. Quero que ensine a ele, do zero, como usar o poder de um dragão.”


Azazel falou isso seriamente.


Pera… eu vou aprender com um dragão capaz de destruir tudo como um meteoro!? Tá de brincadeira!? Eu vou morrer!


“Mesmo sem mim, não daria para o próprio Ddraig ensinar ele diretamente?”


“Há limites pra isso. Ele precisa de treinamento de dragão de verdade.”


“Forma de combate original… entendo. Então você quer que eu torture esse garoto.”


Ei, EI!? TORTURAR!?


Se um monstro desses me “treinar”, eu morro na hora!!


“É a primeira vez que treino alguém que carrega o Ddraig.”


O dragão disse isso com um sorriso… um sorriso feliz!


…Eu vou morrer. Sem dúvida.


[Por favor, pega leve, Tannin. Meu hospedeiro é mais fraco do que você imagina.]


Boa, Ddraig! Meu parceiro!


“Desde que ele não morra, tá tudo bem, né? Deixa comigo.”


EU VOU MORRER!!


Esse tiozão dragão não tá entendendo nada!!


Do meu lado, o sensei… estava simplesmente concordando com a cabeça!?


Não concorda, não!!


“O período é de cerca de 20 dias no tempo do mundo humano. Quero que ele alcance o Balance Breaker até lá. Ise, se esforce… sem morrer.”


Depois de dizer isso, o sensei acenou e começou a ir embora!


EEEEEEEEH!? SÓ ISSO!?


“Então, cada um siga seu plano de treino. Espero bons resultados de todos.”


A Buchou simplesmente continuou a reunião, me deixando pra trás!


[Sim.]


Todo mundo respondeu… e começou a se dispersar!?


Hã!? HÃ!? Eu vou treinar sozinho com esse dragão!? Ninguém acha isso estranho!? Tá óbvio que eu vou ser esmagado por esse monstro! Eu vou morrer!!


“Ise, boa sorte!”


A Buchou ainda me deu um joinha com um sorriso!


Isso mesmo… ela é assim. Normalmente gentil, mas quando é treino… ela vira um demônio.


“Senhorita Rias. Posso usar aquela montanha ali? Vou levá-lo pra lá.”


O dragão apontou para uma montanha distante.


“Claro. Por favor, cuide bem dele.”


“Deixe comigo. Vou treiná-lo até a beira da morte.”


HÃ!?


Esse foi o acordo!?


Então aquela montanha… vai ser meu túmulo!?


Antes que eu pudesse reagir, o dragão me agarrou e começou a voar!


Uwaaaaah! Ele tá voando! Fui capturado por um dragão! Vou ser devorado!!


“BUCHOOOOOOOOOOOOOU!!”


Mesmo gritando por ajuda—


lá de baixo, a Buchou só acenava… sorrindo.


Querido avô, aí no céu…


Por algum motivo, fui capturado por um dragão… e agora estou voando pelos céus.


O verão do meu segundo ano—


Uma página importante da minha juventude—


Estou passando… numa montanha, com um dragão.


Esse lugar realmente é o inferno. O céu onde o senhor está parece tão distante…


Parte 6


As férias de verão que eu tanto sonhei.


Eu, Matsuda e Motohama tínhamos prometido no começo do ano que iríamos arrumar garotas e ter umas férias bem “animadas”… mas, por algum motivo…


eu estava sendo bombardeado por um monstro numa montanha no inferno.


DOOOOOOOOOOOOOM!


Ali perto, árvores foram arrancadas, rochas explodiram e uma cratera se abriu no chão!


“Uwaaaaaaaaaah!”


Desviei desesperadamente do sopro de fogo daquele monstro—o tiozão dragão!


As lágrimas nem secavam mais, sabia? Todo dia eu passava por situações tão assustadoras que nem dava tempo delas secarem! Não, já chega! Que tipo de vida é essa!? Que estudante do ensino médio passa o dia sendo atacado por um dragão!?


“Vamos, garoto Sekiryuutei. Se não desviar mais rápido, vai virar carvão.”


NÃO! Eu não quero virar carvão antes de transar com a Buchou! Eu ainda tenho que fazer isso com a Buchou virgem! Meu plano era perder a virgindade com ela!


Também queria com a Akeno-san! Queria a Akeno-san virgem também! Queria ter filhos com a Xenovia! E queria me aproximar mais da Asia!


—Então por que diabos eu estou nessa montanha, à beira da morte!?


Já faziam vários dias desde que cheguei aqui… e eu estava completamente acabado.


Meu corpo e minha mente estavam no limite. Afinal, eu era perseguido dia e noite por um monstro! Mesmo quando tentava contra-atacar, nunca conseguia virar o jogo. Quando acertava um soco nas escamas dele, não só não causava dano… como ainda machucava minha própria mão!


Até meu poder de transferência era inútil, então eu passava os dias correndo e me escondendo. Aquele cara estava realmente tentando me matar!


E aquele sopro de fogo… só um já tinha arrancado um pedaço da montanha! Se eu levasse aquilo direto, era morte instantânea!


Desde a luta contra o Raiser, meu braço esquerdo praticamente virou um braço de dragão, mas com o anel que o sensei me deu, ele não se transforma. O sensei realmente cria coisas absurdas.


Mas nosso tempo no inferno é limitado. Quando eu voltar ao mundo humano… a Buchou e a Akeno-san vão brincar com meu dedo de novo!


Mesmo assim, só de ficar correndo já era um treino pesado. Até agora, não fui atingido nenhuma vez pelo sopro… mas minha roupa de treino já estava toda destruída, cheia de rasgos.


Depois dessa primeira parte infernal do dia, vinha o treino básico—principalmente exercícios físicos. Meu corpo inteiro gritava de dor, mas ainda assim era melhor do que ser perseguido pelo dragão, então eu até conseguia fazer.


Também tinha que arranjar minha própria comida.


Como eu não conhecia nada do Submundo, só pescava depois de confirmar com o tiozão dragão se o peixe era comestível. Também coletava nozes das árvores da montanha.


Pra fazer fogo… eu usava magia, meio desajeitado. Heh… pelo menos nisso eu evoluí.


...Espera. Por que eu estou vivendo assim?


Quando peguei um peixe, até soltei um “Pegueeeei!” sem perceber. Isso é ruim… eu tô virando um selvagem!?


Minha rotina era essa todos os dias. Eu queria ver a Buchou! Queria conversar com a Asia! Queria tomar chá feito pela Akeno-san!


Uuugh… não tem nenhuma garota aqui! Isso é um inferno de verdade pra mim! Eu queria um colo da Buchou! Queria sentir aquelas coxas de novo!


Minhas fantasias eram o único conforto.


Quando o treino brutal acabava, eu mergulhava nelas. Lá, a Buchou e a Asia me recebiam com carinho…


Ultimamente, eu até comecei a fantasiar enquanto estava sendo perseguido pelo dragão. Até eu acho que isso já é doença.


DOOOOOOOOOOOOOOOOM!


Mais uma bola de fogo veio voando! Uwaaaaah! A rocha onde eu estava escondido explodiu, e o tiozão me encontrou.


“Aqui está você. Não adianta só fugir. Vamos, contra-ataque.”


“É impossível! Você é forte demais! Você é… mais forte que o Vali!?”


“Bem, dizem que meu poder bruto está no nível de um Maou.”


Tá vendo!? Um monstro!


Que história é essa de nível Maou!? Por que eu estou tentando sobreviver numa montanha com um dragão desse nível!?


Droga! Eu devia ter ido pra praia com o Matsuda e o Motohama!


Eu quero mulheres! Eu tenho um monte de garotas lindas ao meu redor… e mesmo assim não levantei nenhuma bandeira!


Aaah… foi tão bom quando a Buchou e a Akeno-san ficaram daquele jeito… Eu até me declarei uma vez, com coragem de quem estava pronto pra morrer. Mas elas… me deram um “desculpa”…


E o pior é que, mesmo sendo perseguido por um dragão, minha mente pervertida não para de fantasiar.


Mas… se eu não fizer isso…


eu não consigo sobreviver aqui.


“Oh, então você tá mandando bem. Como está indo?”


Ouvi uma voz familiar. Quando olhei para trás, lá estava o Governador dos Anjos Caídos.


“Tá ótimo! Tá ÓTIIIIIMOOOO!”


Chorando, eu devorava os onigiris que a Buchou tinha feito e que o Azazel-sensei trouxe.


Estavam deliciosos! Era o sabor da Buchou! Tinha o amor dela ali! E ainda tinha um bentô feito pela Asia… simplesmente perfeito!


“Tem também um almoço preparado pela Akeno. Come isso também. Ela fez enquanto disputava com a Rias, soltando faíscas entre as duas. Mas, hahaha… você até que ficou com uma cara melhor nesses dias que fiquei sem te ver.”


O sensei disse isso enquanto batia no meu ombro.


“Para de brincar! Eu quase morri! Quase MESMO! Esse tiozão dragão é absurdo de forte! Você diz pra ele me ensinar combate de dragão, mas quando ele usa força de verdade, é completamente fora da realidade!”


Gritei, cuspindo arroz no processo! Porque é pesado demais! Um estudante normal como eu não aguenta passar dias numa montanha com um dragão nível Maou! E pior—nem tem os seios da Buchou aqui!


“O tiozão Tannin não sabe pegar leve! Eu vou morrer! Não quero morrer virgem!”


“Seu idiota. Você já decidiu que não vai morrer, não foi? Se eu quisesse, já teria te transformado em carvão com meu sopro. Se não quer sofrer, então alcance logo o Balance Breaker.”


O tiozão falou isso com os olhos semicerrados, descansando encostado numa rocha.


“Mesmo que você diga isso! Se alguém como eu, que ainda é basicamente humano, levar um golpe de um monstro do seu tamanho… eu viro pó na hora!”


“Hmph. Que ridículo… e você se diz o [Peão] mais forte da senhorita Rias nesse estado. Você tem ideia de quantos demônios gostariam de servir a ela?”


...Agora que ele falou isso…


A Buchou é praticamente uma celebridade no Submundo. Quando apareceu naquela estação, todo mundo ficou em êxtase.


Pensando bem… tem mesmo um monte de demônios que queriam estar no meu lugar.


Então… eu sou sortudo?


Sim… eu sou o mais sortudo de todos. Posso viver ao lado de uma Onee-sama linda, gentil… e com seios enormes.


Ah… Buchou. A pessoa que eu admiro.


Um dia… eu quero me casar com ela.


...Bom, é um sonho distante.


Soltei um suspiro. Azazel-sensei falou enquanto olhava meu diário de treino.


“Mesmo assim, você está mantendo o treino básico, certo? Então está tudo bem. Se não fizer isso, seu corpo não vai aguentar quando alcançar o Balance Breaker. Você ainda tem muitas deficiências. Em termos de magia, você não tem a menor chance contra o Vali — nem que ele lute de cabeça pra baixo. Por isso, você só tem um caminho: fortalecer seu corpo.”


Eu sei disso… ele está certo.


Vali é descendente do Antigo Maou. Em magia, não tem como competir.


Mas… ganhar com força física? A diferença entre a gente ainda é enorme.


“Aliás… naquela hora, o Vali ia fazer alguma coisa, não ia? O que era aquilo?”


Perguntei ao sensei.


“Ah… aquilo era o [Juggernaut Drive].”


“É algo acima do Balance Breaker?”


“Não. Não existe nada acima do Balance Breaker. Ele é a forma final de um Sacred Gear. Mas alguns Sacred Gears têm entidades poderosas seladas dentro deles — como o seu e o do Vali. Nesses casos, existe um tipo especial de restrição.”


Entendi… tanto o meu quanto o dele têm dragões selados.


“Esses Sacred Gears têm suas forças limitadas pra que o usuário consiga controlá-las. No caso do Sekiryuutei e do Hakuryuukou, o [Juggernaut Drive] é quando essa limitação é forçada a se soltar temporariamente, liberando o poder selado.”


“E isso faz o quê?”


“Te dá um poder próximo ao de um deus… mas o preço é altíssimo. Drena sua expectativa de vida e faz você perder a razão.”


“Quer dizer… você perde o controle?”


“Sim. De forma violenta. Você destrói tudo ao seu redor… e depois começa a se destruir também. Não é um poder que dá pra usar em combate normalmente. Mas… o Vali consegue mantê-lo por alguns minutos, consumindo uma quantidade absurda de energia mágica. Pelo menos, teoricamente. Ainda é perigoso. E, sinceramente… mesmo eu usando Sacred Gear artificial em estado de Burst, isso aí é diferente. É um método amaldiçoado. Um jeito de lutar que joga fora o futuro. Nunca use isso.”


Havia tristeza nos olhos do sensei.


Será que ele estava preocupado com o Vali…?


“Então o atual Hakuryuukou consegue usar o [Juggernaut Drive]? Isso é problemático. O garoto Sekiryuutei vai morrer se não se desesperar. Quando o branco ou o vermelho despertam esse poder primeiro, eles superam o outro. Em certo sentido… é quem chega primeiro.”


O tiozão Tannin soltou isso como se fosse nada.


Sério!?


Então… eu que vou morrer!?


...Não. Eu não posso morrer.


Ainda tenho sonhos!


Meu harém!


Minha promoção pra demônio de alta classe!


Se for preciso, eu vou até virar um demônio de classe suprema como o tiozão!


Mas…


...Será que eu consigo sobreviver a esse treinamento?


O tiozão é forte demais.


Eu não consigo vencer.


Ele é um monstro.


Aquele sopro de fogo é simplesmente injusto.


Eu não sou um herói que dispara feixes de energia pelas mãos…


Enfrentar um oponente assim…


…é impossível.


“Ise, vamos mudar de assunto.”


Sensei me chamou — eu que até então evitava olhar para ele — com um tom repentinamente mais formal.


“Sim?”


“O que você acha da Akeno?”


Do nada? De onde veio isso?


“Acho que ela é uma ótima senpai.”


Respondi na hora, sendo sincero. O modo sádico dela é um pouco assustador, mas normalmente ela é muito gentil… e aquele lado mais feminino que ela às vezes mostra é simplesmente adorável.


“Não foi isso que eu quis dizer. Estou falando como mulher.”


“Ela é incrível! É uma das pessoas com quem eu gostaria de ficar!”


Sensei assentiu com um “uhum”, parecendo… de certa forma, aliviado.


“Entendo. Veja bem, eu também tenho que cuidar dela no lugar de um velho amigo meu.”


“Você quer dizer o pai da Akeno-san, que é seu subordinado, né?”


“Mais do que subordinado, Barakiel é um companheiro de eras antigas, assim como o Shemhaza. Um amigo… sim, um amigo. Fizemos muitas coisas idiotas juntos. E quando percebi, todo mundo ao meu redor — menos eu — já tinha esposa e filhos.”


Sensei soltou um suspiro profundo. Ah… então ele é do tipo que se preocupa por estar solteiro?


“Ficou pra trás, né?”


“…Não tem problema. Eu tenho muitas mulheres, afinal.”


Ah… por um instante, ele ficou com um olhar distante. Casamento é um assunto delicado pra ele, como eu imaginava?


“Bom, deixando isso de lado, eu me preocupo muito com a Akeno. Embora… talvez nem o Barakiel nem a própria Akeno achem que isso seja da minha conta.”


“Sensei, você é mais intenso do que parece… ou melhor, intrometido. Até no nosso treinamento você se meteu.”


“Sou só um Anjo Caído comum, com tempo livre. —Embora tenha sido por isso que também treinei o Hakuryuukou.”


Isso é mentira. Pra mim, ele é só um baita curioso. Comigo, com a Akeno, com o Vali… ele já se meteu na vida de todo mundo. Que Anjo Caído estranho. Com alguém assim como Governador, é impossível entender completamente essa organização.


“De qualquer forma, estou pensando em talvez confiar a Akeno a você.”


“Confiar… a mim?”


Confiar como assim? Quer dizer protegê-la durante batalhas e jogos? Se for isso, não tenho problema nenhum. Acho que também é papel do [Peão] proteger a [Rainha], a Akeno-san, com o próprio corpo.


“Você é um idiota, mas não é um cara ruim. Aliás, seria mais correto dizer que é um idiota adorável. E, acima de tudo, você não parece ter nenhum preconceito em relação a ela.”


“? Não estou entendendo muito bem o que o senhor quer dizer…”


“Hahaha… é justamente por isso que fico tranquilo. Se você estivesse enganando ela de verdade, isso já teria virado um banho de sangue. Se fizer algo errado, isso pode afetar tudo daqui pra frente… e você pode acabar vendo sangue. Mas alguém como você, que conquista a confiança dos outros naturalmente, consegue viver em paz sem guardar rancor de ninguém. Em certo sentido, isso é um privilégio… ou melhor, um talento.”


“??????”


Minha cabeça estava cheia de interrogações. Eu não entendi quase nada, mas—


“Entendi! Vou proteger a Akeno-san! Claro, também vou ajudar a minha mestra, a Buchou, e proteger a Asia!”


“Ótimo. Então deixo a Akeno sob sua responsabilidade. Mais importante que isso… o problema agora é a Koneko.”


“? O que aconteceu com a Koneko-chan?”


Sensei soltou um suspiro diante da minha pergunta.


“Não tem muito o que fazer. Ela está impaciente… ou melhor, está duvidando da própria força.”


De repente, lembrei que a Koneko-chan não parecia muito bem ultimamente. Será que algo tinha acontecido com ela?


“Ela exagerou no treinamento que eu dei. Esta manhã… ela desmaiou.”


“D-Desmaiouuuuu!?”


Fiquei em choque com essa notícia sobre minha kouhai. Sério!? A Koneko-chan estava bem?


“A Asia consegue tratar ferimentos, mas não pode fazer nada quanto ao cansaço físico. Especialmente o excesso de treino desgasta o corpo e causa efeitos negativos. Como o tempo até o jogo é curto, isso é perigoso.”


“E-Então… se exagerar não é bom… e eu? Eu não estou quase morrendo sendo perseguido por um dragão todo santo dia…?”


Perguntei isso apontando pra mim mesmo. Pensando bem, isso é completamente desumano!


“Ah, com você não tem problema. Esse nível ainda é pouco.”


Ele disse isso tão naturalmente! Sério!? Como assim “não tem problema”!? Era demais pra mim… as lágrimas começaram a escorrer sem parar!


“Bom, vamos indo. Ise, recebi ordens para te levar de volta — só desta vez. Você vai retornar ao anexo dos Gremory. O Tannin vai se ausentar por um tempo. Eu o trarei de volta amanhã de manhã.”


“Certo, então vou voltar pro meu território por enquanto.”


Assim disseram Sensei e o Tannin-ossan.


Hã? Então eu posso descer da montanha temporariamente?


“E-Ei, Sensei… quem mandou me chamar de volta? Foi a Buchou?”


“—foi a mãe dela.”


A mãe da Buchou…? O que ela quer comigo?


Parte 7


“Isso, vire ali. Não, assim não. Falta precisão. Vamos, Issei-san, comece de novo e sem ficar se fazendo de bobo.”


Eu estava no anexo separado da residência principal dos Gremory… treinando dança com a mãe da Buchou.


…Mas por que eu estava fazendo esse tipo de coisa?


Assim que voltei para o anexo, fui levado direto até aqui pela mãe da Buchou. E, sem mais nem menos, começamos uma aula de dança. Como eu nunca tinha feito isso antes, eu estava um desastre completo.


A mãe da Buchou estava, como sempre, usando um vestido elegante. E eu estava tendo aula… colado nela!


Às vezes, eu acabava encostando nos seios dela.


E… nossa… eram incrivelmente macios!


Como dizer… tinham aquela firmeza e textura maduras… algo completamente diferente! Eu não sei explicar direito, mas era essa a sensação!


E o rosto dela era praticamente o mesmo da Buchou! Seria esse o charme de uma mulher casada?


Mas, sério… essa mulher é linda demais.


Ela parecia ter quase a mesma idade que eu, então eu acabava ficando consciente disso! E ainda por cima… tinha o mesmo rosto da Buchou, por quem eu sou completamente apaixonado!


Era basicamente uma versão da Buchou com cabelos dourados!


A-Ainda por cima… o corpo dela também era espetacular, igual ao da Buchou! Seios grandes!


Então é isso… o tamanho dos seios da Buchou é hereditário.


Muito obrigado, mãe! Seus genes foram transmitidos com sucesso!


“Vamos fazer uma pequena pausa?”


Assim que ela permitiu, eu me sentei ali mesmo, respirando profundamente.


Ah… desde de manhã eu estava sendo perseguido por um dragão. Minha energia já…


Bem, ainda é melhor do que levar rajadas de fogo daquele velho monstro.


…Mas ainda assim.


Resolvi perguntar algo para a mãe da Buchou.


“C-Com licença…”


“O que foi?”


“Por que só eu estou fazendo isso? E não o Kiba ou o Gasper?”


Sim, por que só eu? Se isso faz parte da educação da família Gremory pra me tornar um cavalheiro… então o Kiba e o Gasper também deveriam estar aqui.


Bom… embora eu saiba que sou o menos cavalheiro de todos.


A mãe da Buchou respondeu calmamente:


“O Kiba Yuuto já domina esse tipo de habilidade. Como esperado de um [Cavaleiro]. Já o Gasper pertence a uma distinta família de vampiros. Ele pode parecer meio inseguro, mas conhece etiqueta. O problema é você, Issei-san. É compreensível, já que você vem do mundo humano e é um plebeu… mas ainda assim, é preocupante se você não adquirir ao menos o mínimo de etiqueta. Afinal, eventualmente você também terá que aparecer ao lado da Rias na alta sociedade. Durante sua estadia no Submundo, precisa aprender ao menos o básico das normas sociais.”


Fiquei completamente atordoado com as palavras dela!


Eu… na alta sociedade!?


Mas… eu não tinha ouvido que servos nem sequer podiam mostrar o rosto nesse tipo de ambiente?


“E-Espera… a Buchou… a Rias-sama e eu vamos aparecer juntos na alta sociedade!?”


Ao ver minha surpresa, a mãe da Buchou desviou o olhar e cobriu a boca com a mão.


“…Ops, deixei escapar algo sem querer. Isso ainda é apenas uma possibilidade. Mas deixando isso de lado… você não pode ficar chamando ela de ‘Buchou’. Isso aqui não é a escola. Você deve chamar sua mestra pelo nome. E além disso, a Rias é… Ops, quase deixei escapar de novo.”


Hã?


Não posso chamar ela de Buchou?


“Mesmo você dizendo isso assim de repente… eu sempre chamei ela de Buchou… Hmm, que tal Rias-sama, então?”


“Sim, assim está bom. Ou você também pode chamá-la de [mestra]. —Embora, mesmo em particular, você vá precisar chamá-la de outra forma.”


“Então chamar de ‘Buchou’ não pode?”


“Pense bem. Se tivesse que responder isso dentro de si mesmo… você odeia aquela garota?”


A mãe da Buchou disse isso com um leve sorriso irônico.


Não, não! Não tem como eu odiar a Buchou!


“Bom, seria difícil para você mudar isso de repente… e a Rias também ficaria confusa se você começasse do nada. Então, durante essa visita, você pode chamá-la de ‘Buchou’. Mas, eventualmente, você precisa decidir como vai chamá-la.”


Agora que ela mencionou… o que será que a própria Buchou estava fazendo naquele momento?


Talvez ela estivesse passando por algo sério, debilitada, como a Koneko-chan… Hm, isso também me preocupa. Eu gostaria pelo menos de ir vê-la como um kouhai importante, mas… se eu for, talvez pareça que estou exagerando nos meus sentimentos…


“C-Com licença… posso fazer uma pergunta?”


“O que foi?”


“E a Koneko-chan…? Ela está bem?”


“Sim. Foi apenas exaustão comum. Se ela descansar por um ou dois dias, deve se recuperar gradualmente.”


“…Eu estou bem preocupado com a Koneko-chan. Ela já vinha agindo estranho desde antes de chegarmos aqui.”


“Aquela garota está, neste momento, tentando encarar sua própria existência e seu poder. É uma questão difícil. Mas ela não poderá seguir em frente se não encontrar a resposta por conta própria.”


“…A própria existência… e poder?”


Minha cabeça se encheu de dúvidas. O que havia com a Koneko-chan?


“…Pensando bem, você ainda não faz parte do grupo da Rias há muito tempo. Sim, é natural que você não saiba. Vou te contar um pouco.”


A mãe da Buchou sentou-se de frente para mim… e começou a contar uma história.


Era a história de duas irmãs gatas.


As duas estavam sempre juntas — quando brincavam, quando comiam, quando dormiam. Com os pais mortos, não tinham para onde voltar, nem em quem confiar. Dependendo apenas uma da outra, lutavam para sobreviver dia após dia.


“Um dia, as duas foram acolhidas por um certo demônio. A irmã mais velha passou a fazer parte do grupo dele… e, assim, a mais nova também pôde viver ali. Tendo finalmente conseguido uma vida decente, as duas acreditaram que poderiam viver felizes dali em diante.”


Mas… algo mudou.


Parecia que a irmã mais velha começou a crescer de forma anormal depois de obter poder. Segundo a mãe da Buchou, o talento oculto dela transbordou de repente ao se tornar um demônio reencarnado.


“Aquela gata pertencia a uma espécie naturalmente talentosa em youjutsu. Além disso, seu talento mágico floresceu… e ela chegou até a usar senjutsu — algo que se dizia ser domínio apenas dos últimos eremitas.”


Em pouco tempo, a irmã mais velha superou o próprio mestre… mas acabou sendo consumida por esse poder.


Ela se transformou em algo cruel — uma existência que buscava apenas sangue e batalha.


“Sem que seu poder desse sinais de parar de crescer, a irmã mais velha acabou matando o demônio que era seu mestre… e se tornou um ‘demônio exilado’. E mais do que isso… tornou-se um dos mais perigosos entre eles. Alguém que exterminava completamente todas as tropas enviadas para persegui-la…”


Dizia-se que os demônios chegaram a suspender temporariamente qualquer perseguição à irmã mais velha.


“A irmã mais nova ficou para trás. E os demônios passaram a questionar sua existência como um risco.”


— Essa gata também pode perder o controle no futuro. É melhor lidar com ela agora.


Foi o que disseram.


“Foi o Sirzechs quem salvou aquela gata que estava prestes a ser descartada. Ele convenceu os demônios de alto escalão de que a irmã mais nova era inocente. Como resultado, ficou decidido que ele próprio ficaria responsável por observá-la.”


Mas… depois de ser traída pela irmã em quem confiava… e ainda ser tratada cruelmente pelos outros demônios…


O coração daquela pequena gata estava à beira de se quebrar.


…Que história triste…


“Sirzechs então confiou a irmã mais nova — que havia perdido o sorriso e a vontade de viver — aos cuidados da Rias. Depois de conhecer a Rias, ela foi recuperando suas emoções pouco a pouco. E então… Rias deu um nome àquela gata.”


—Koneko.


—…


Fiquei sem palavras depois de ouvir tudo aquilo. Então… aquela história era sobre a Koneko-chan…?


Espera… então a verdadeira forma da Koneko-chan é—


“Ela originalmente era uma Youkai. Você conhece as Nekomata, certo? São youkais felinos. Ela é uma sobrevivente da espécie mais poderosa entre os youkais gatos, os Nekoshou. São uma raça de alto nível, capazes de dominar não só o youjutsu, mas também o senjutsu.”


Parte 8


“Ah, Buchou.”


“Ise!”


Depois de terminar meu treino de dança, fui até a residência principal… e fui recebido pela Buchou—


Uwaaaah!?


De repente, fui abraçado!


A Buchou me apertava com força. Ah… fazia um tempo que eu não sentia isso… mesmo tendo passado só alguns dias, eu senti falta do cheiro dela!


“…O cheiro do Ise.”


“A-Ah… eu tô bem suado…”


“Não tem problema. Seu cheiro continua o mesmo. —Eu estava me sentindo sozinha, sabia?”


Quando ela diz isso com aqueles olhos úmidos… meu coração não aguenta e dispara!


“Desde que chegamos aqui, não pude dormir com você… nem sentir você assim todos os dias… Já não consigo mais imaginar uma vida sem você… Que mestra patética eu sou.”


Aaaaah, Buchou! Seu nível de dependência por mim aumentou!? Eu sou abençoado demais como seu servo! Eu também não consigo imaginar uma vida sem a Buchou! Foi por isso que aquele treinamento na montanha foi tão, mas tão difícil! Eu ia dizer isso, mas—


“Mas precisamos ter um pouco de paciência. Primeiro, precisamos nos tornar mais fortes. Ise, dê o seu melhor no seu treinamento na montanha com o Tannin! Supere o sopro de fogo dele!”


“—! Uuu… s-siiiiim! Vou dar o meu melhor pra não virar cinzaaaaa!”


Como eu pensei, a Buchou não pega leve quando o assunto é treino! Respondi com lágrimas nos olhos! E-Eu enteeeeeendo! Se a Buchou disse, eu vou dar o meu melhor, mesmo que isso signifique moooooorrer!


Mas, deixando isso de lado, balancei a cabeça e fiz uma pergunta para ela.


“B-Buchou… como está a Koneko-chan?”


O rosto da Buchou ficou mais sério, mais complicado.


“Venha comigo.”


O quarto em que entrei, guiado pela Buchou… era o quarto da Koneko-chan.


A Buchou já tinha falado com ela, e a Akeno-san também já estava lá dentro, então só eu fui autorizado a entrar.


Assim, fui ver a Koneko-chan sozinho. O quarto dela era espaçoso… e quando me aproximei da cama—


A Akeno-san estava ao lado dela, e a Koneko-chan estava deitada.


—…


Fiquei surpreso ao ver o que havia surgido na cabeça da Koneko-chan.


Orelhas de gato!


Então era verdade… ela era uma Youkai felina, uma Nekomata.


Mas—!


O que eu faço!?


Uma Koneko-chan com orelhas de gato!


Tão linda… tão absurdamente fofa!


Ela normalmente esconde isso… será que, por estar exausta, perdeu a força para manter escondido?


Não, não… não é hora de pensar nisso.


Eu vim ver como ela estava.


“Ise-kun, isso é—”


Vendo minha reação às orelhas dela, a Akeno-san tentou explicar.


“Não, eu já ouvi a história… pelo menos o básico.”


Respondi assim e me aproximei da cama, observando o estado da Koneko-chan.


Não vi nenhum ferimento grave. Bem, se fosse só isso, a Asia resolveria facilmente. Então realmente… ela só esgotou completamente suas forças.


“Ei… seu corpo está bem?”


Perguntei com um sorriso.


Então, com os olhos semicerrados, Koneko-chan murmurou:


“…Por que você veio?”


Um tom frio… mais do que de costume.


Ela ficou irritada por eu ter vindo, né?


“…Seria ruim se eu dissesse que foi porque eu fiquei preocupado?”


“……”


Ela continuou em silêncio, emburrada.


Mesmo assim, continuei:


“Koneko-chan… eu ouvi sobre tudo. Mas, acima de tudo, exagerar assim não faz bem. Se você não cuidar do seu corpo… bom, eu também não tenho moral pra falar, considerando o treinamento infernal que estou passando.”


“…Eu quero…”


Ela murmurou algo bem baixo.


Como não entendi, perguntei de novo:


“Hm? O quê?”


Então, ela olhou direto para mim… e falou com clareza.


Com lágrimas nos olhos—


“Eu quero ficar mais forte. Como o Yuuto-senpai, a Xenovia-senpai, a Akeno-san… e também você, Ise-senpai… eu quero fortalecer meu corpo e minha mente. Até o Gya-kun está ficando mais forte. Eu também não tenho um poder de cura como a Asia-senpai… Se continuar assim… eu vou me tornar inútil. Mesmo sendo uma [Torre]… eu sou a… mais fraca… Eu odeio ser inútil…”


“Koneko-chan…”


Então era isso que estava te atormentando…


De fato, o Kiba ficou mais forte. A Xenovia já é forte. A Akeno-san é a peça mais poderosa, a [Rainha]. O Gasper consegue parar o tempo. A Asia pode não lutar, mas sua habilidade de cura é incrível.


E… tem eu.


Mesmo sendo fraco, carrego um dragão lendário dentro de mim.


Koneko-chan continuou, enquanto lágrimas escorriam sem parar:


“…Mas eu não quero usar o poder que dorme dentro de mim… o poder de Nekomata… Se eu usar… eu vou… ficar igual à minha onee-sama… Eu não quero isso… de jeito nenhum…”


Foi a primeira vez—.


A primeira vez que vi a Koneko-chan chorar daquele jeito.


Ela sempre foi uma garota que não demonstrava muito o que sentia… então aquilo me abalou.


A irmã dela perdeu o controle do próprio poder… matou seu mestre demônio… e desapareceu.


A mãe da Buchou disse que essa garota viu tudo com os próprios olhos.


Ela sabe que dentro dela também existe um poder perigoso… capaz até de matar sua própria mestra.


Por isso, ela tem medo.


Mas, ao mesmo tempo, pensando no que está por vir… ela deseja poder.


Esse conflito… ela carregou tudo isso, mesmo depois de vir para o Submundo…


Por isso ela se esforçou além do limite.


Tentando ficar mais forte… sem usar o poder dentro dela.


A Koneko-chan tem um coração gentil… e se importa profundamente com seus companheiros.


Por isso ela se sente frustrada por ser “inútil”.


Deve ser doloroso… não conseguir retribuir à Buchou, que a salvou.


…Eu também já me senti assim.


Fraco. Inútil diante da Buchou.


E também desejei poder…


Akeno-san balançou a cabeça e disse para mim:


“Ise-kun, deixe o resto conosco.”


“Mas…”


“Você é gentil. Mas, às vezes, também é importante manter um pouco de distância. Além disso, você também precisa ficar mais forte. E eu… assim como a Koneko-chan… preciso superar isso junto com ela. Se não aceitarmos quem somos por completo… não conseguiremos seguir em frente. Nós duas entendemos isso… mas… ainda nos falta um pouco de coragem. Por favor… espere só mais um pouco. Nós vamos superar isso. Com certeza…”


A Akeno-san também carrega um conflito com o sangue de Anjo Caído dentro dela.


Mas, se ela não aceitar esse poder… talvez não consiga lutar nas batalhas que estão por vir.


Entendi… as duas são parecidas.


Negam o poder dentro de si… e, justamente por isso, estão lutando.


“Sim… Akeno-san, Koneko-chan… eu vou… fazer o que só eu posso fazer.”


Me inclinei diante das duas… e saí do quarto em silêncio.


…Cada um de nós tem sua própria batalha.


Seu próprio treinamento.


Seu próprio obstáculo a superar.


Certo!


Agora sim, estou motivado!


Akeno-san! Koneko-chan! Todo mundo! E a Buchou!


Eu também vou superar o meu próprio treino!


Depois de dormir profundamente naquela noite… na manhã seguinte, voltei para a montanha.

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