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High School DxD – Volume 5 - Capítulo 3

Vida. 3: Gato e Dragão!

“Oryaaaaaaah!”


[Explosão!!]


O poder ampliado do meu Sacred Gear percorreu meu corpo, e minha força física disparou num instante!


“Tenta desviar dessa!”


Tannin-ossan escancarou a boca!


Goooooooon! Dooooooooon!


Desviei com agilidade das bolas de fogo que ele lançava sem parar e estendi a mão para frente!


Visualizei uma enorme bala mágica — e o momento de dispará-la! Dragon Shot!


Don! Disparei um gigantesco aglomerado de energia pela mão esquerda! Tinha mais ou menos metade do tamanho do ossan! Devia ser ainda mais poderoso do que aquele que já tinha destruído uma montanha antes! Por causa disso, minha energia mágica praticamente se esgotou com esse ataque, somada ao aumento de poder. Meu ponto fraco era justamente esse: eu só conseguia armazenar uma quantidade pequena de magia! E esse também era o limite do quanto eu podia aumentar meu poder!


“Hmph! Então você finalmente lançou algo que presta um pouco!”


O ossan nem tentou desviar — recebeu o disparo de frente!


Doooooooooooooooh!


Ele segurou o ataque com aqueles braços grossos… e logo em seguida soltou um sopro poderoso pela boca!


Doh! Goooooooooooooooh!


Minha bala mágica foi lançada longe, rasgando o céu, com um único sopro dele!


[Reset]


Meu poder ampliado se desfez, e o cansaço me atingiu na hora.


O ossan olhou para as próprias mãos. Pequenas fumacinhas subiam delas. Será que meu ataque tinha conseguido queimar?


“Bom tiro. Comparado a quando nos conhecemos, seu poder de dragão aumentou bastante. Sua força física também não deixa nada a desejar. E você já chegou ao ponto de conseguir lutar comigo por um dia inteiro.”


Inesperadamente, o ossan me elogiou.


Eu estava ofegante, bebendo grandes goles da cantil que sempre carrego nas costas. Além de matar a sede, ela também servia para amenizar um pouco o sopro de fogo do ossan — eu reforçava a água com o poder do meu Sacred Gear. Bem… acabei desenvolvendo várias formas de lidar com aquilo.


Minha aparência também estava um desastre. Meu uniforme já não servia pra nada — só cobria o essencial — e a parte de cima do meu corpo estava completamente desgastada, praticamente nua. Pois é… meu peitoral também tinha ficado mais definido. E aquela gordura inútil tinha sumido.


Eu vinha encontrando plantas e animais na montanha, cozinhando e me alimentando deles. Acabei adquirindo uma boa dose de instinto selvagem. Nunca imaginei que passaria minhas férias de verão vivendo como um macaco das montanhas.


Graças a essa vida na natureza, aprendi magia de fogo. E, combinando isso com o poder do meu Sacred Gear, consegui usar aquela técnica de fogo que o ossan me ensinou pessoalmente. Um poder de fogo absurdo! Depois eu te mostro!


E assim, vários dias se passaram desde aquela promessa que fiz no quarto da Koneko-chan. A batalha contra a família Sitri seria no dia 25 de agosto. Hoje era dia 20. Faltavam cinco dias. Já estávamos na fase final da preparação.


Também estava chegando a hora de nos reunirmos. Tínhamos planejado um dia para todos voltarmos a nos encontrar — e descansar um pouco, recuperando o corpo do desgaste acumulado no treino.


Depois disso, parece que ainda teria uma festa organizada pelo Maou-sama antes do jogo, e tanto nossa família quanto outros jovens demônios tinham sido convidados. Em outras palavras… não havia mais tempo para treinar.


“Você foi bem até aqui. Mas… é uma pena. Talvez, se tivesse só mais um dia… Seu treino termina amanhã, mas… provavelmente não vai dar.”


Tannin-ossan soltou um suspiro.


Sim… eu entendi.


Nesse tempo, não consegui alcançar.


Evoluí — minha força física, minhas habilidades… tudo melhorou.


—Mas eu ia encerrar meu treinamento sem ter alcançado o Balance Breaker.


Eu não consegui… cumprir o objetivo do meu treino.


Parte 2


“Então, estou indo. Eu também vou participar da festa organizada pelo Maou. Nos vemos lá, Hyoudou Issei… e Ddraig.”


Agora estávamos em frente à residência principal dos Gremory. Eu tinha voltado montado nas costas do Tannin-ossan. Aliás… voar nas costas de um dragão daquele tamanho era simplesmente incrível — confortável e impressionante ao mesmo tempo! Foi um trajeto curto pelos céus, mas já valeu demais!


“Sim! Obrigado, Ossan! Até a festa!”


[Desculpe incomodar, Tannin. Nos veremos de novo.]


“É, eu também me diverti. Foi bom lutar ao lado do Ddraig. Já vivi bastante… Ah, e que tal irem para a festa montados nas minhas costas?”


“Sério? Pode mesmo?”


“Claro, sem problema. No dia da festa eu venho até aqui com o meu grupo. Depois entro em contato com os Gremory para combinar os detalhes.”


Esse ossan realmente era um dragão sensato!


“Então, eu volto aqui amanhã. Até mais!”


Depois disso, ele bateu as asas e desapareceu no céu.


Fiquei acenando enquanto o via partir.


[Que Rei Dragão despreocupado.]


“Eu acho ele gente boa. Quando a gente se conheceu, ele dava medo, mas… pra um dragão, ele é bem legal!”


[Você e eu também somos dragões, sabia?]


É verdade, mas… um dragão de verdade é algo enorme e majestoso. Nós dois somos só um demônio possuído que já foi humano… e um espírito dentro de um Sacred Gear.


[Bem… não deixa de ser verdade.]


Viu só? Aquilo sim é “um dragão”!


“Ei, Ise-kun.”


Quando me virei ao ouvir aquela voz masculina familiar… era o Kiba. Ele também estava de uniforme esportivo — completamente rasgado. Então não era só eu.


O rosto bonito dele agora tinha um ar mais firme, mais sério.


“…Você ficou com um corpo bem definido.”


Ele disse isso olhando pro meu tronco nu. Na mesma hora, me cobri!


“P-Para com isso! Que olhar é esse… Não fica me olhando assim!”


Por algum motivo, senti um certo perigo vindo dele! Às vezes esse cara dava medo…


“Q-Que maldade. Só quis dizer que você ganhou bons músculos.”


“Você… continua o mesmo.”


“É que eu tenho o tipo de corpo que não ganha massa fácil. Dá até inveja.”


“Oh, Ise e Kiba.”


Dessa vez foi uma voz feminina. —Era a Xenovia.


Espera… ela estava toda enfaixada!?


Com o corpo inteiro coberto de bandagens, a aparência dela também estava bem acabada.


“M-Mas você… o que aconteceu com esse visual…?”


Perguntei meio sem jeito, e ela olhou para si mesma antes de responder:


“Ah, isso? Treinei, me machuquei, me enfaixei… treinei de novo, me machuquei de novo, e me enfaixei outra vez.”


“Você tá parecendo uma múmia!”


“Que grosseria. Não tenho intenção nenhuma de ser preservada para sempre.”


“Não foi isso que eu quis dizer!”


Sério… ela continua impossível de entender.


Mas a aura ao redor dela parecia mais densa, mais controlada do que antes. Pensando bem, a do Kiba também estava assim.


Hã? Minha capacidade de enxergar o fluxo de energia mágica também tinha melhorado? Será que foi por causa do treinamento com o ossan? Talvez meus sentidos tenham ficado mais aguçados depois de viver em sintonia com a natureza do Submundo…


“Ise-san! Kiba-san! Xenovia-san também!”


Quem surgiu pelo portão do castelo foi — Asia, com suas roupas de freira. Ah… é a Asia mesmo!


“Asia, quanto tempo.”


“I-Ise-san! P-Por favor, vá se vestir!”


Ela entrou em pânico ao me ver praticamente pelado. Mas parecia mais constrangida com meu comportamento do que com a nudez em si — como se dissesse “se cubra logo!” mais por vergonha da situação.


Mas que garota estranha… ela já está acostumada a me ver assim.


“Ara, parece que todos do grupo que saiu já voltaram.”


E então apareceu — a Buchou!


Quanto tempooooo! Minha Buchou! Minha onee-sama! Continua linda como sempre!


“Buchoooooooou! Eu queria tanto te ver!”


“Ise… você ficou bem mais forte, não ficou? Seu peito está mais largo.”


Ela me abraçou forte ao dizer isso.


Ah… o toque da Buchou… Na verdade, como meus desejos tinham ficado reprimidos durante aquele período na montanha, só de sentir o cheiro dela, a excitação veio com tudo…


É… mulheres são realmente maravilhosas.


“Agora, todos vocês. Entrem. Depois de tomarem banho e trocarem de roupa, vamos nos reunir para relatar os resultados do treinamento.”


Parecia que eu finalmente voltava à tão saudosa vida civilizada.


Mas… ter que admitir que não alcancei o Balance Breaker—


isso sim era realmente vergonhoso.


Parte 3


Na verdade, já fazia mais de duas semanas desde a última vez que todo o grupo da Rias Gremory se reuniu assim.


Depois que recebemos nossos planos de treinamento com o Azazel-sensei, eu fui levado embora por um dragão… e parece que os outros também acabaram seguindo caminhos separados. Por isso, essa era a primeira vez que nos encontrávamos desde então.


Pra ser sincero, talvez tenha sido a primeira vez que ficamos tanto tempo longe uns dos outros. —Ou melhor, pelo menos desde que eu entrei no grupo. Antes disso, eu nem fazia parte, então não conta.


Depois que eu, o Kiba e a Xenovia — que tínhamos treinado fora — tomamos banho e trocamos de roupa, todo mundo se reuniu no meu quarto. Por que no meu quarto? Eu mesmo fiquei cheio de dúvidas, mas disseram que era o lugar mais fácil pra todo mundo se juntar. Parece que havia algum problema em usar o quarto da Buchou… será que tinha algo lá que ela não podia nos mostrar?


Enfim, nos reunimos e começamos a contar como foram nossos treinamentos.


O Kiba explicou tudo em detalhes sobre o treino com o mestre dele. A Xenovia também contou como foi o dela. E eu falei sobre minha vida de sobrevivência com o Tannin.


Mas olha… o treinamento dos outros parecia até tranquilo.


Kiba e Xenovia também treinaram fora, mas ficaram em uma cabana na montanha e em uma casa de veraneio dos Gremory, respectivamente. Ou seja, nada de sobreviver caçando na montanha e fugindo do sopro de fogo de um dragão como eu tive que fazer — aquilo parecia completamente fora da realidade pra eles.


Hã? Hein!?


Espera aí… que história é essa?


Será que só eu que me ferrei nessa!?


Eu dormia ao relento, sabia!? Sem cobertor, sem travesseiro! Deitado em folhas gigantes que cresciam no Submundo!


“Sensei… eu não fui o único vivendo em modo hardcore, fui…?”


“Pra ser honesto, eu mesmo fiquei surpreso que você conseguiu sobreviver na montanha. Achei que ia desistir no meio do caminho. E você começar a viver normalmente lá… isso estava completamente fora das minhas expectativas.”


“Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeh!? Como assim!? E-eu caçava, analisava, assava e comia bichos que pareciam coelhos e javalis do Submundo, sabia!? Fervia a água numa panela velha que encontrei na montanha pra poder beber…!”


“É justamente por isso que fiquei surpreso. Você é resistente demais. Em certos aspectos, já superou até os demônios.”


“Que crueldade! Eu vivia sendo perseguido por um dragão naquela montanha, dia após dia! Você faz ideia de quantas vezes eu quase morri!? Ueeeeeeeeeeeh!”


Acabei desabando em lágrimas!


Porque… porque… porqueeeeeee!


“Eu queria tanto ver a Buchou! Eu dormia enrolado em folhas, lembrando do calor dela toda nooooooite! Foi tão difícil! Aquele ossan dragão não pegava leve nem quando eu estava dormindo! Ele destruía peeeeedras! Tocava fogo na flooooooresta! Eu tinha que sair correndo! Se não fugisse, eu teria morridooooooo!”


“Pobre Ise… você passou por tanta coisa, não foi? Sim… você ficou realmente mais forte… Aquela montanha nem tem nome, mas a partir de agora vou chamá-la de ‘Monte Ise’.”


A Buchou puxou minha cabeça contra o peito e me abraçou!


Ah… o conforto dos peitos da Buchou… isso curou todo o meu sofrimento!


Depois de tudo aquilo, abracei ela de volta e chorei ainda mais!


Que injusto! O Azazel-sensei é cruel! Ele deixou um dragão me sequestrar! Eu ainda lembro da Buchou acenando lá de baixo enquanto eu era levado! Foi um sequestro! Até hoje, pensando nisso, foi um sequestro!


“Mas, mesmo assim, sua força física melhorou bastante. Com isso, você já está quase no ponto de conseguir usar a armadura do Balance Breaker. —Mas você não conseguiu alcançá-lo, certo?”


O sensei não parecia particularmente decepcionado.


“Bem, a possibilidade de você não conseguir também estava dentro das minhas previsões. E você não sofreu nenhum choque emocional forte, Ise. Afinal, é impossível atingir o Balance Breaker sem uma mudança drástica. Eu esperava que seu estilo de vida de sobrevivência e o contato com um dragão de classe Rei Dragão provocassem isso… mas o tempo não foi suficiente. Talvez com mais um mês…”


Impossível!


Se eu tivesse ficado mais um mês naquele lugar, teria morrido de síndrome de abstinência da Buchou!


Se eu não pudesse sentir o calor dela de vez em quando assim… eu ia morrer!


Enterrei o rosto no peito da Buchou e balancei a cabeça, recusando!


Não! Não! Eu não volto pra aquela montanha!


A Buchou acariciava minha cabeça com carinho.


Ueeeh… Buchoooooou…


“Bom, chega. Encerramos por aqui a reunião de relatórios. Amanhã é a festa. Estão todos dispensados por hoje.”


A reunião terminou com a voz do sensei.


E assim… minha vida de sobrevivência chegou ao fim.


Naquela noite.


Já era hora de dormir, mas por algum motivo, Asia e Xenovia estavam no meu quarto. Tinha sido combinado que nós três dormiríamos juntos na mesma cama.


Mesmo sendo uma cama grande, com as duas ali, eu não conseguia relaxar… mas acabei me deitando mesmo assim.


Asia já estava profundamente adormecida.


Xenovia, por outro lado, estava um pouco afastada de mim — e, por algum motivo, não parecia conseguir dormir, apenas olhando para o teto.


Pensando bem… talvez ela não estivesse acostumada a dividir o quarto assim, ainda mais sendo a primeira vez.


“…O que foi? Ainda não conseguiu dormir?”


“…É. Pensando bem, ainda não estou acostumada a dormir com um homem. Mesmo sem nenhum significado… eu fico tensa…”


Ei, ei, ei… sério isso? Fica tensa falando desse jeito?


Bom… também não é como se eu não entendesse.


“É… faz sentido. Eu também fiquei nervoso e não consegui dormir da primeira vez que dormi com a Buchou e a Asia. Quando tem gente da mesma idade, homens e mulheres juntos… acontece isso mesmo.”


“E-entendo… então é normal? Mas a Asia é impressionante. Ela parece dormir tão tranquila…”


“É porque a Asia… já está acostumada. Em casa, ela sempre dorme comigo e com a Buchou. No começo ela ficava envergonhada, mas agora já é natural. Ter a Asia do meu lado me dá uma sensação de paz.”


“…Ise-san… não vá embora… munya…”


Asia murmurou enquanto dormia…


“Fufufu… agora entendo por que você e a Buchou acham a Asia tão fofa.”


Xenovia disse isso com um leve sorriso.


Viu só? A fofura da Asia é incomparável.


E então… antes que eu percebesse, minha consciência foi se apagando…


e eu me entreguei ao sono.


Parte 4


Era o entardecer do dia seguinte, e eu estava na sala de estar usando o uniforme de verão da Academia Kuoh. Afinal, aquela noite era a da festa. Eu tinha dormido praticamente metade do dia, e graças a isso senti que tinha recuperado bastante do cansaço acumulado.


Fazia tempo que eu não vestia esse uniforme. Até pouco tempo atrás, eu só andava de roupa de treino. Mas, vestindo de novo… até que caía bem.


Por precaução, também coloquei uma braçadeira com o símbolo dos Gremory. Com isso, parecia que eu já estava pronto para a festa.


As garotas tinham sido levadas pelas empregadas, dizendo que ainda demorariam um pouco para se arrumar.


Hmm… o Kiba e o Gasper também tinham saído para resolver alguma coisa…


“Hyoudou?”


Quando me virei ao ouvir aquela voz familiar — era o Saji.


Mas… o que ele estava fazendo aqui!?


“Saji? Por que você tá aqui?”


“Ah… a Kaichou vai encontrar com a Rias-senpai no local da festa, então eu vim com ela. Aí, enquanto ela foi falar com a senpai, eu acabei andando pela mansão… e me perdi. Quando vi, já estava aqui.”


Essa mansão realmente era enorme por dentro também… então ele acabou chegando ali por acaso.


Saji se sentou um pouco afastado de mim e falou com um ar sério:


“O jogo vai acontecer muito em breve.”


“É…”


“Eu treinei.”


“Eu também. Passei meus dias sendo perseguido por um dragão numa montanha.”


“S-Sério…? Você continua levando uma vida pesada mesmo… Bom, eu também tive um treino bem puxado.”


Entendi. Ele também deu tudo de si. Claro… isso ia impactar diretamente no resultado da partida dos nossos mestres. Eu também sentia aquele espírito de luta crescendo.


Saji coçou a bochecha e continuou:


“Hyoudou… você lembra daquele encontro dos jovens demônios, um mês atrás?”


“Lembro. O que tem?”


“Naquele dia… a gente falou sério. O m-meu… s-sonho… é virar professor!”


Do nada, ele soltou isso, com o rosto vermelho.


“Professor? E vai ensinar o quê?”


Mesmo sem jeito, Saji respondeu com sinceridade:


“A Kaichou quer criar uma escola especializada em Rating Games no Submundo. Mas não uma escola comum. Vai ser aberta pra qualquer um — sem importar se é demônio de classe alta ou baixa, nobre ou plebeu. Pelo que ela me contou, a discriminação e as tradições no mundo dos demônios vêm diminuindo aos poucos… mas ainda existe muita resistência. Por isso, as escolas atuais só aceitam demônios de classe alta, de famílias nobres.”


Ele fez uma pausa, então continuou com mais força:


“Os jogos deveriam ser justos pra todos — isso foi decidido pelos atuais Maous. Mas, na prática, o caminho ainda é muito mais difícil pros demônios comuns. Não faz sentido, né? Mesmo alguém que não seja nobre pode se tornar um demônio de alto nível dependendo das circunstâncias. Essa possibilidade não deveria ser zero!”


Fiquei surpreso… mas também impressionado com a seriedade dele.


Esse cara… pensa mesmo no futuro.


“A Kaichou disse que quer mudar isso. Quer ensinar, abrir caminho pra que até demônios de classe baixa possam participar dos jogos. Por isso ela quer criar uma escola acessível a todos no Submundo! E ela até está estudando no mundo humano por causa disso! Pra dar uma chance a quem nunca teve destaque! Mesmo que seja só 1%! Mesmo que seja quase zero! Enquanto não for zero, existe a chance de alguém chegar lá! Hyoudou! A gente também acredita nisso, não é?”


“Sim… é exatamente isso.”


Era verdade. Eu também mirava me tornar um demônio de alto nível. Mesmo que a chance fosse mínima, eu tinha determinação pra fazer ela virar 100%.


Saji ergueu o punho e declarou:


“P-Por isso… eu vou trabalhar lá como professor. Vou estudar bastante, participar de vários jogos, ganhar experiência… e ensinar tudo isso como um [Peão]. A Kaichou disse que quer me ajudar também. Até alguém como eu pode virar professor… E-eu só fiz besteira no passado. Dei trabalho pros meus pais… e ninguém gostava de mim. Mas… com a Kaichou, eu consigo enxergar um sonho! Eu vou ficar ao lado dela a vida toda e ajudar no que for preciso! O sonho da Kaichou é o meu sonho!”


Ele falava meio envergonhado, mas com convicção.


“Hehe… eu escondi da minha mãe que virei demônio. Mas quando contei sobre meu sonho… ela chorou. ‘Você… vai virar professor!’ Talvez ela tenha dito isso porque não combina comigo… mas mesmo assim… ver aquele olhar de alívio dela… foi bom.”


Então esse era o sonho do Saji.


Era diferente do meu.


Mesmo sendo ambos Peões, achei que seríamos parecidos… mas cada um segue seu próprio caminho.


Eu queria, no futuro, conquistar minha independência do meu mestre. Já o Saji queria servir o dele pela vida inteira.


Mesmo tendo nos tornado demônios ao mesmo tempo… nossos objetivos eram completamente diferentes.


De alguma forma… isso me pareceu algo meio especial.


“Acho que é um objetivo incrível, Saji. Vai ser um ótimo professor.”


“É… e é justamente por isso que a gente precisa vencer vocês dessa vez!”


“Ah, é? Então não vai rolar. Porque quem vai ganhar somos nós!”


“Não, somos nós. Depois de tudo que fizemos de errado… precisamos provar nosso valor com resultados.”


Nós dois rimos ao mesmo tempo… mas os olhos dele estavam sérios.


Ele não ia recuar.


Professor, né…?


Por um instante, pensei no Azazel-sensei, mas… não, o Saji jamais seria como ele.


“Aliás, Saji…”


“O que foi?”


Apontei o dedo no ar, como se estivesse prestes a revelar algo importante.


“Parece que o mamilo de uma mulher funciona tipo um botão… quando você toca.”


“…Q-Que história é essa?”


Olha só, o Saji estava ouvindo com interesse. Como esperado… ele é tão pervertido quanto eu!


“Ouvi isso do Azazel-sensei. Ele disse que as possibilidades dos seios são infinitas. E, sinceramente… não seria triste ir pra outra vida sem nem ter experimentado coisas como… apertar ou até dar um toque assim? Mas, tipo… cutucar…”


“…Ei, Hyoudou. E eu? Quando será que vou poder… apertar os peitos da minha mestra?”


Ele perguntou isso… com a maior seriedade do mundo.


“Q-Quem sabe… nem eu consegui ainda. Esse tipo de coisa só acontece depois de acumular uma sorte absurda…”


Saji se aproximou de mim com os olhos cheios de indignação!


“Que papo é esse de ‘sorte’!? Essa sorte nunca aparece pra mim, sabia!?”


“Não, calma… falei demais. Normalmente, o máximo que rola comigo é dormir junto e tomar banho junto—”


Foi só eu falar isso… pronto, já era.


Saji ficou completamente devastado.


Ele se afastou cambaleando e caiu sentado numa cadeira com um plof. Estava em estado crítico. Os olhos arregalados, o corpo tremendo…


“…Dormir junto…? …Banho…? …O que é isso…? E-eu… nunca fiz nada disso com a Kaichou…”


“S-Saji…? Ei…”


Tentei chamar, mas ele não reagia. Só continuava murmurando aquilo, completamente abatido.


“Ise, desculpa a demora. Ara, o Saji-kun também veio.”


Quando me virei — lá estava a Buchou, toda arrumada! E o resto do clube também!


Incrííííííível!


Todas estavam maquiadas e usando vestidos. O cabelo também estava impecável!


Pareciam princesas!


A Akeno-san, então… estava com um vestido ocidental hoje também. Uwaaaah… isso é perigoso demais. Ela estava simplesmente deslumbrante. Uma beleza além do nível máximo!


A Asia estava toda envergonhada, mas o vestido combinava perfeitamente com ela. Já a Xenovia parecia meio desconfortável com aquilo, mas ainda assim tinha um ar elegante de verdadeira dama.


A Koneko-chan estava com um vestido um pouco menor… mas a fofura dela era tão absurda que dava até medo de algum maluco querer sequestrar!


O problema… era o Gasper.


“Por que você também tá de vestido!?”


O Gasper estava vestido com um vestido!


E o pior… ficou tão natural nele que eu nem consegui zoar!


Achei que ele tinha sumido pra resolver alguma coisa, mas era isso!


“M-Mas… eu também queria usar um vestido…”


Esse cara… o nível do gosto dele por se vestir assim já passou de todos os limites.


“Saji. Saji, o que houve?”


A Sona-kaichou, também toda arrumada, olhava desconfiada para o estado do Saji.


Caramba… ele ficou tão abalado assim…


Quando todos terminaram de se arrumar, um som pesado ecoou do jardim, junto com um leve tremor no chão.


Logo depois, um mordomo apareceu e anunciou:


“Tannin-sama e seu grupo chegaram.”


O ossan tinha vindo nos buscar, como prometido!


Quando saímos para o jardim…


lá estava o espetáculo!


Além do Tannin-ossan… havia mais uns dez dragões do mesmo tamanho que ele!


Gigantescos!


Incrível!


Todo o grupo dele era formado por dragões!


“Vim como prometido, Hyoudou Issei.”


“Sim! Valeu, ossan!”


“Enquanto vocês estiverem nas minhas costas, vou criar uma barreira especial. Assim, o vento não vai bagunçar o cabelo nem as roupas de vocês… afinal, isso é importante para as mulheres.”


Que dragão atencioso! Como esperado de alguém do nível máximo!


“Obrigada, Tannin. Contamos com você até chegarmos ao local. O pessoal da família Sitri também vai junto, tudo bem?”


“Claro, senhorita Rias. Você está especialmente bela hoje à noite. Deixe isso comigo.”


E assim…


subimos nas costas dos dragões e levantamos voo pelo céu do Submundo!


Eu consegui um lugar especial — bem na cabeça do Tannin-ossan!


Segurei firme e fiquei admirando a paisagem lá de cima.


Uwaaaah!


Ver o mundo do alto de um dragão é simplesmente incrível!


Desde que vim para o Submundo, essas experiências fantásticas nunca deixaram de me impressionar!


Bom… tirando a parte de ser perseguido por um dragão, claro.


[Pra mim, ver essa paisagem de cima de um dragão… é algo difícil de descrever.]


Ddraig soltou um raro sorriso meio amargo. Afinal, ele também já teve um corpo de dragão.


“Hahaha, realmente é uma experiência curiosa, Ddraig. Mas hoje em dia restam apenas três grandes dragões ativos, incluindo eu. Aliás… depois que renasci como demônio, os únicos verdadeiros que restaram são Ophis e Tiamat. Os outros foram selados ou se retiraram. Yu-Long e Midgardsormr não aparecem mais. E Ddraig, Albion, Fafnir e Vritra foram selados em Sacred Gears… Em todas as eras, dragões poderosos acabam sendo suprimidos. Afinal… são existências temidas.”


O ossan disse isso com um leve tom de melancolia.


“Falando nisso… por que você virou um demônio, ossan?”


Ele respondeu com seriedade:


“Um dos motivos é que, numa era sem grandes guerras, eu queria lutar contra vários oponentes nos Rating Games. Mas há outro motivo.”


“Outro?”


“Você já ouviu falar da fruta chamada ‘maçã do dragão’?”


“Não… é a primeira vez. E que nome direto…”


“Existe uma raça de dragões que só consegue sobreviver comendo essa fruta. Mas as árvores que existiam no mundo humano desapareceram por mudanças ambientais. Hoje, ela só cresce no Submundo. O problema é que dragões são odiados lá… tanto por demônios quanto por anjos caídos. Ninguém daria isso de graça. Então… eu me tornei um demônio e fiz daquela região o meu território. Quando você se torna um demônio de alto nível, pode receber terras dos Maous.”


“Então esses dragões vivem no seu território?”


“Sim. Graças a isso, evitaram a extinção. E eu também comecei pesquisas para cultivar essa fruta artificialmente. Leva tempo… mas, se isso garantir o futuro daquela raça, vale a pena continuar.”


Incrível…


Ele foi tão longe assim para ajudar.


Não é à toa que é chamado de Rei Dragão.


“Ossan… você é mesmo um dragão incrível.”


Ele soltou uma gargalhada.


“Um dragão incrível? Gahahaha! É a primeira vez que ouço isso! E ainda mais vindo do Sekiryuutei! Mas veja… o desejo de preservar sua própria raça é algo comum a todos os seres vivos. Humanos, demônios, dragões… é tudo igual. Eu só fiz o que um dragão com poder deve fazer pelos que não têm.”


“…Incrível… Eu só fico pensando em virar um demônio de alto nível… ou correr atrás de um harém… Esse tipo de mentalidade é ruim?”


“Enquanto você é jovem, isso não tem problema. Se é homem, é natural desejar mulheres e riqueza. Só não exagere. Se isso te impulsiona, então use. Mas… Issei, é um desperdício fazer do harém seu objetivo final. Quando você se torna forte, as mulheres naturalmente se aproximam. O verdadeiro desafio começa depois de conseguir tudo isso… Mas talvez ainda seja cedo pra você entender.”


É… talvez seja mesmo.


Mas, depois de tudo que vivi desde que cheguei aqui…


comecei a perceber uma coisa.


—Todo mundo vive com um objetivo.


Vencer torneios. Tornar-se Maou. Salvar dragões. Virar professor.


Todos são demônios… mas cada um segue um caminho diferente.


E eu?


Quero me tornar o Rei do Harém.


Isso não mudou.


Mas talvez… eu precise começar a levar isso mais a sério — e não só como uma fantasia.


—Porque, pra chegar lá… muita coisa ainda é necessária.


E assim, pensando nessas coisas do meu jeito meio lento, enquanto conversávamos durante aquele voo…


luzes começaram a surgir lá embaixo.


Parece que finalmente tínhamos chegado ao local da reunião.


Parte 5


O hotel de luxo onde a festa seria realizada ficava em uma enorme clareira, cercada por uma vasta floresta, bem na fronteira do território dos Gremory.


E que lugar gigantesco!


Dava pra ver tudo lá de cima, da cabeça do Tannin-ossan… mas era tão grande que a cidade onde eu moro caberia inteira ali dentro!


O dragão em que estávamos pousou numa área que parecia um campo de eventos esportivos. Quando o ossan desceu dos céus, vários refletores se voltaram pra ele ao mesmo tempo — parecia cena de filme de monstro!


“Então, vamos nos dirigir à área de espera exclusiva para demônios de grande porte.”


“Obrigada, Tannin.”


“Ossan! Valeu!”


Eu e a Buchou agradecemos, e então ele e os outros dragões bateram asas novamente, seguindo para outra parte do local.


Depois disso, fomos guiados pelos funcionários do hotel que vieram nos receber… e entramos em uma limusine luxuosa!


…Hahaha. Sério, depois de tudo isso, ainda tinha mais esse nível de exagero?


A Buchou e a Asia, já de vestido, se sentaram ao meu lado. O pessoal da família Sitri ficou nos bancos de trás.


Enquanto ajeitava a gola do meu uniforme, a Buchou explicou:


“Há várias instalações ao redor do hotel, e até o exército está de prontidão por aqui. A segurança é muito mais rígida do que nas áreas urbanas inferiores.”


Ela então pegou um pente de uma bolsa elegante e começou a arrumar meu cabelo. Parece que ficou bagunçado porque eu fui na cabeça do Tannin, e não nas costas. Embora, com a barreira dele, eu nem tenha sentido tanto vento assim.


“Buchou… e o Azazel-sensei?”


“Parece que ele vem depois, junto com o meu irmão e os outros, por outro caminho. Eles são bem próximos, afinal…”


Haha… então os líderes poderosos também se dão bem entre si.


Eu estava sorrindo, mas de repente a expressão da Buchou ficou séria.


“Ise… você não ouviu porque estava na cabeça do Tannin, mas antes eu declarei guerra à Sona. —Disse que ‘vamos derrotá-los pelo nosso sonho’.”


Sério!? Isso aconteceu lá em cima!?


Eu estava ocupado demais admirando a vista…


“Uma escola… —uma escola de Rating Game. É por isso que a Sona veio estudar no mundo humano. O sistema escolar daqui, onde qualquer um pode entrar, é essencial para o objetivo dela.”


O Saji tinha dito a mesma coisa.


Que a Kaichou estava estudando na Kuoh por causa desse sonho.


“Buchou… o Saji também falou. Disse que quer virar professor. Ele parecia muito sério… era importante pra ele.”


“Mesmo assim… nós vamos vencer. Também temos nossos próprios sonhos e objetivos.”


A determinação da Buchou era firme.


Mesmo sendo amiga, ela não pegaria leve.


Nesse caso… eu também vou dar tudo de mim contra quem estiver na minha frente.


Né, Saji?


Vou com tudo pra cima de você.


Enquanto pensava nisso, a limusine chegou ao hotel.


Ao descermos, fomos recebidos por vários funcionários. Entramos, e depois que a Akeno-san fez o registro na recepção, seguimos para o elevador.


“Parece que a festa é no último andar. Ise, se alguém de família importante falar com você, lembre-se de cumprimentar direitinho, tá?”


“S-Sim… mas, Buchou… essa festa não é pra jovens demônios, organizada pelos Maous?”


“Esse é o discurso oficial. Na prática, ninguém fica tão animado assim quando chegamos. Isso é mais uma tradição anual. Na verdade, é uma reunião das grandes famílias. Nós, que somos a próxima geração, somos mais figurantes… quem aproveita mesmo são os nossos pais. Eles já devem estar em alguma das áreas reservadas, provavelmente indo da quarta pra quinta rodada de festa. Dá pra perceber porque eles chegaram antes da gente… e talvez já estejam até bêbados.”


A Buchou reclamou, claramente incomodada.


Ao lado, Akeno-san e Kiba deram sorrisos meio sem graça.


Entendi… então ela não gostava muito desse tipo de evento — ou melhor, do comportamento dos adultos.


Apesar de ser uma festa organizada pelos Maous, ainda era algo mais descontraído do que eventos formais da alta sociedade… então os mais velhos aproveitavam como uma rara chance de se soltar.


O elevador chegou, e quando as portas se abriram…


lá estava o salão.


Fomos conduzidos para dentro de um espaço luxuoso!


Um andar enorme, cheio de demônios e mesas com comidas incríveis!


E no teto… claro… um lustre gigantesco!


Eu não conseguia parar de olhar pra aquilo!


[Ohh.]


Assim que a Buchou entrou, todos ao redor prenderam a respiração em admiração.


“Princesa Rias… está cada vez mais bela…”


“Sirzechs-sama deve estar muito orgulhoso…”


Todos os olhares estavam voltados pra ela.


Ela disse que ninguém ia se empolgar… mas claramente estavam!


E eu… fiquei até feliz.


Mais que isso… fiquei orgulhoso.


—Afinal… eu sou o cara que já tocou nos peitos dela.


Fufufu… acabei sorrindo sozinho.


Que sensação estranha de superioridade…


Como se só eu conhecesse um lado secreto daquela mulher que todos admiram.


“Uuuh… tem gente demais…”


O Gasper, vestido todo arrumado, estava grudado nas minhas costas.


Você de novo…


Não era você que queria usar vestido pra chamar atenção?


Como entra aqui com esse espírito de quem quer fugir do mundo?


Sério… o gosto dele por se vestir assim continua um mistério…


Mas… pensando bem…


ele melhorou um pouco.


Mesmo com tanta gente olhando, ele não tentou fugir.


Então ele também treinou pra isso.


Boa, Gasper.


Depois eu te dou um doce.


“Ise, vamos dar uma volta para cumprimentar as pessoas.”


“Hã?”


Eu fiz uma cara meio perdida, mas aparentemente o fato de um dragão lendário ter se tornado um demônio era algo bem conhecido… e havia vários demônios de alto nível querendo falar comigo.


Por isso, acabei sendo puxado pela Buchou enquanto circulávamos pelo salão. Fiquei surpreso ao ver como aquelas maneiras refinadas que a mãe dela me ensinou foram úteis.


Agora eu entendi… fazer parte do grupo da Buchou exigia esse tipo de habilidade.


Mãe da Buchou… muito obrigado!


Graças a você, eu não passei vergonha!


“Ahh… tô cansado…”


Depois de finalmente terminar aquela maratona de cumprimentos, fui liberado.


Eu, a Asia e o Gasper nos sentamos em algumas cadeiras num canto do salão. A Buchou e a Akeno-san estavam um pouco mais afastadas, conversando com algumas demônias.


Já o Kiba…


estava cercado de mulheres!


Droga! Maldito bonitão, vai explodir!


Bom… brincadeiras à parte, como era a primeira vez que eu participava de algo assim, eu, a Asia e o Gasper estávamos completamente esgotados, tanto física quanto mentalmente.


De vez em quando, alguns demônios vinham cumprimentar a Asia.


Como esperado… a fofura dela também fazia sucesso no mundo dos demônios. Ela é simplesmente adorável demais.


“Ise, Asia, Gasper… eu trouxe comida. Podem comer.”


A Xenovia, que tinha se levantado há pouco, voltou equilibrando uma quantidade absurda de pratos com habilidade. Em cima deles, havia todo tipo de comida chique.


“Valeu, Xenovia.”


“Não foi nada. Isso aqui é barato. Olha, Asia, melhor você beber alguma coisa também.”


“Muito obrigada, Xenovia-san… como é a primeira vez que participo de algo assim, fiquei nervosa… minha garganta até secou…”


Asia pegou o copo de suco que Xenovia ofereceu e começou a beber.


Continuei comendo o prato que tinha pego… ele vinha até com hashis. Bom, como havia vários demônios reencarnados ali, faz sentido terem preparado utensílios para todos os estilos.


Foi então que senti alguém parar na minha frente.


Quando olhei… era uma garota de vestido, me encarando fixamente.


Quem era ela?


Hã…? Tenho a sensação de já ter visto antes…


“Ah, você é—”


“Q-Quanto tempo, Sekiryuutei.”


“Ah… a irmã daquele cara do yakitori.”


Isso mesmo.


Era a irmã do antigo noivo da Rias, o Raiser Phoenix.


Caramba… já fazia alguns meses desde aquilo, né?


“É Ravel Phoenix! Sério… por isso demônios de baixa classe são tão irritantes e lentos!”


Ela parecia realmente irritada. É… pelo jeito ainda estava ressentida por causa de toda aquela história do cancelamento do noivado.


“Foi mal. E… seu irmão, como ele tá?”


Quando mencionei o irmão, Ravel soltou um suspiro.


“…Graças a você, ele anda bem deprimido. Parece que a derrota… e o fato de você ter ‘levado’ a Rias-sama foi um choque enorme. Mas, sinceramente, foi bom pra ele. Sempre confiou demais no próprio talento e acabou ficando arrogante.”


Caramba… que fria.


Ela não perdoa nem o próprio irmão. Língua afiada mesmo.


“Hahaha… você pega pesado, hein. Você também fazia parte do grupo dele, não fazia?”


“Sobre isso… eu fui trocada recentemente e agora sirvo à minha mãe. Ela trocou uma peça que não usava por mim. E disse que pode me trocar de novo quando eu encontrar uma família da qual eu queira fazer parte. Então, no momento… sou uma [Bispo] livre. Afinal, minha mãe nem participa dos jogos.”


“Troca?”


Fiquei confuso com aquele termo.


“Hã? Você não sabe? Pelas regras dos Rating Games, é possível trocar peças entre os [Reis]. Desde que sejam do mesmo tipo.”


Olha só… então existia algo assim também.


“Ah… entendi…”


“E-Ei… Sekiryuutei…”


“Ei, para com esse negócio de ‘Sekiryuutei’. Meu nome é Hyoudou Issei. Você tem mais ou menos a minha idade, não tem? Então pode falar comigo normalmente. Todo mundo me chama de ‘Ise’.”


Falei isso, mas… como ela é uma demônia, pode escolher a própria aparência, né? Mesmo parecendo ter a mesma idade que eu, será que é mais velha? Não… pelo que já vi dela, acho que somos da mesma idade mesmo.


“S-Sério que posso te chamar pelo nome!?”


Hã…? Que reação foi essa? Ela… ficou feliz? Não pode ser. Ela sempre me trata com tanto desdém…


“Cof cof… E-então… vou chamá-lo de Ise-sama, sem cerimônias.”


“Sama? Não precisa disso, sério.”


“Não, isso é importante!”


…Hahaha, essa garota é ainda mais difícil de entender do que a Xenovia. Lidar com ela não é fácil.


Foi então que outra pessoa apareceu — uma onee-san que eu reconheci.


“Ravel-sama. Um amigo do Danna-sama[1] está chamando por você.”


Se não me engano, ela é da família Phoenix. A Isabella-san — aquela que quase arrancou meu rosto com um único golpe. E… bom… o corpo dela que eu vi naquela vez ainda tá bem guardado na minha memória.


“Entendi. Ise-sama… da próxima vez que nos encontrarmos, gostaria de tomar um chá comigo? E-e-e se não se importar… eu poderia preparar um bolo… f-feito por mim…”


Ravel levantou levemente a barra do vestido, fez uma reverência elegante e foi embora.


Sério… eu não entendo essa garota.


“Ei, Hyoudou Issei.”


Dessa vez foi a Isabella-san quem falou comigo.


“Você é a Isabella-san da família Phoenix, certo?”


“Sim. Você me deu um bom golpe naquela vez. Ainda me lembro bem. Pelo visto, ficou ainda mais forte. Quando ficar mais forte ainda, vou poder contar essa história com orgulho.”


“Ah… você está acompanhando a Ravel?”


“Algo assim. Aquela garota ainda não entende certas coisas, por ser jovem… assim como o nosso mestre, Raiser-sama. Desde aquela luta no noivado, ela só fala de você. Parece que ficou muito impressionada com a sua batalha contra ele.”


“Ela não vive reclamando de mim? Afinal, eu me meti no noivado do irmão dela… e ainda falei um monte de coisa sem pensar…”


“…Não. É o contrário. Mas tudo bem… você vai entender com o tempo.”


“Hã…? Bom, de qualquer forma, pode dizer a ela que eu aceito tomar chá.”


“Sério? Obrigada por isso. A Ravel vai ficar feliz. Bem, então me retiro. Aproveite a festa.”


E assim, Isabella-san se despediu com elegância.


Com isso, a Isabella-san apenas acenou e foi embora, como se nada tivesse acontecido.


Sério… eu não entendo nada.


Bom, não adianta ficar pensando demais nisso agora. Tomar chá não tem problema, né?


“…Ise-senpai, você tem bastante amigos demônios, hein…”


Gasper comentou com um olhar admirado, mas… será mesmo?


Hmm… não sei.


Mas é verdade que, desde que vim pra cá, acabei conhecendo vários demônios.


E, além da Buchou e do pessoal, esses encontros também tiveram bastante valor pra mim. Coisas como o problema da discriminação… ou até sobre os dragões… aprendi muita coisa.


Pensando bem, fico feliz de ter tido essas experiências.


Talvez não seja só força que eu precise pra alcançar o Vali… essas coisas também devem ser importantes.


Mas… bom… eu continuo sendo um idiota com um cérebro limitado!


…Ah, queria ter nascido mais inteligente.


Enquanto suspirava com isso, algo chamou minha atenção.


Uma pequena silhueta passou pelo meu campo de visão.


—Era a Koneko-chan.


Por algum motivo, ela estava saindo da festa às pressas. A expressão dela parecia completamente focada em algo.


Será que aconteceu alguma coisa?


De repente, senti um aperto no peito.


Um mau pressentimento.


“Asia, Xenovia… podem esperar aqui?”


“Ise-san? O que houve? A apresentação dos Maous vai começar em breve…”


“Não, é que… vi alguém que conheço. Vou falar com essa pessoa e já volto antes do discurso!”


“Tudo bem. Vamos ficar aqui.”


“Tá!”


Acabei mentindo para as duas.


Queria mantê-las seguras.


De qualquer forma, me levantei e fui na direção que a Koneko-chan tinha seguido.


…Ela entrou no elevador?


Será que está descendo?


Assim que vi o elevador ao lado abrir, entrei nele.


E logo depois, outra pessoa entrou também.


Quando me virei—


era a Buchou.


“O que foi? Sua expressão mudou.”


“Eu vi a Koneko-chan saindo de repente, como se estivesse seguindo alguém.”


“Entendo… você ficou preocupado. Eu vou com você.”


“Sim! Mas… como você sabia que eu ia pegar o elevador?”


Diante da minha dúvida, a Buchou respondeu com um sorriso:


“Porque eu estou sempre de olho em você.”


Parte 6


O elevador chegou ao térreo. Assim que eu e a Buchou saímos, começamos a descrever a Koneko-chan para os demônios próximos, perguntando se alguém a tinha visto passar.


Descobrimos, por várias pessoas, que ela havia saído do prédio.


Sem perder tempo, a Buchou invocou um familiar — um morcego — e o enviou voando para o céu. Nós dois ficamos esperando na frente da fonte do lado de fora do hotel até que ele voltasse.


“Como eu pensei… o comportamento da Koneko-chan está estranho.”


“Sim… mas o que será que ela veio seguindo até aqui?”


A Buchou ficou pensativa com a minha pergunta, mergulhada em reflexão. Mas, com uma expressão séria, disse que provavelmente a Koneko havia encontrado algo importante… ou melhor, parecia que ela tinha acabado de perceber alguma coisa.


Depois de um tempo, o morcego retornou.


“Parece que a encontrou. —Na floresta? Então ela foi para a floresta ao redor do hotel?”


A floresta!?


Koneko-chan… por quê!?


Eu e a Buchou começamos a correr atrás do morcego!


Logo deixamos as áreas iluminadas para trás e passamos a avançar pela floresta escura da noite. Mesmo com a pressa, eu percebi que não estava tendo dificuldade nenhuma para me mover assim. Graças ao treinamento de sobrevivência, meu corpo já respondia com naturalidade.


Sensei… isso está começando a me assustar. Será que eu evoluí de um jeito meio estranho…?


Depois de alguns minutos correndo pela mata, a Buchou puxou meu braço e nos fez parar atrás de uma árvore, escondidos na sombra.


Espiei um pouco—


e lá estava a Koneko-chan.


Ela estava no meio da floresta, olhando ao redor inquieta, como se procurasse algo.


Então, de repente, ela percebeu alguma coisa… e virou o olhar naquela direção.


Nós também seguimos o olhar dela.


“Faz tempo, não é?”


Uma voz desconhecida.


E então, sem fazer o menor som…


uma mulher apareceu.


Ela vestia um quimono preto… e, de alguma forma, lembrava a Koneko-chan.


Espera…


ela tinha orelhas de gato!?


N-Não pode ser…


Uma suspeita começou a surgir na minha cabeça, mas a Buchou fez um gesto para eu ficar em silêncio e apenas observar.


“—! …Você.”


O corpo inteiro da Koneko-chan tremeu com o susto repentino.


“Oi, Shirone. Sou eu… sua onee-chan.”


Shirone?


Era a primeira vez que eu ouvia esse nome… então esse era o verdadeiro nome da Koneko-chan? Eu já sabia, pela mãe da Buchou, que “Koneko” foi um nome dado a ela pela própria Buchou.


“Kuroka… nee-sama…”


A voz da Koneko-chan saiu quase espremida, cheia de tensão.


—!


A irmã da Koneko-chan!


Eu já suspeitava disso pela semelhança… então era exatamente como eu pensei!


Então essa linda onee-san nekomata… era a “demônia exilada” que matou o próprio mestre…


No futuro… será que a Koneko-chan vai ficar parecida com ela?


Quando imaginei isso… confesso que fiquei um pouco empolgado!


Aos pés dela, um gato preto se esfregava de forma carinhosa.


“A onee-chan ficou bem impressionada que você conseguiu chegar até aqui seguindo esse gatinho que entrou escondido na festa, nya♪”


Ah… então foi isso.


A Koneko-chan viu o gato lá dentro e veio seguindo ele até aqui.


“…Nee-sama. O que você quer?”


A voz da Koneko-chan carregava raiva.


Mas Kuroka apenas sorriu.


“Não faz essa cara assustadora… eu só vim resolver um pequeno assunto. Ouvi dizer que os demônios estavam fazendo uma festa grande aqui, sabe? Fiquei curiosa… nya♪”


A onee-san acenou com a mão como um gato… e ainda piscou de forma fofa!


Fofo demais!


Aaaai— Buchou, para de apertar minha bochecha assim…!


“Hahahaha… então você faz parte do grupo da Gremory, é?”


Uma voz familiar surgiu de repente—


E então apareceu um homem bonito, vestindo algo parecido com uma armadura chinesa antiga.


Era o Son Goku Bikou!


Companheiro do Vali!


O que ele está fazendo aqui!?


Espera…


Ele faz parte da Khaos Brigade.


Isso é um ataque terrorista à festa!?


De repente, o olhar dele se voltou direto para onde eu e a Buchou estávamos escondidos!


Ele percebeu a gente!?


“Não adianta tentar esconder a presença. Pessoas como eu e a Kuroka, que dominam senjutsu, conseguem perceber até pequenas variações na energia espiritual.”


Tsk!


Fomos descobertos!


Mesmo eu preferindo evitar uma luta…


Eu e a Buchou nos preparamos e saímos das sombras da árvore.


A Koneko-chan arregalou os olhos ao nos ver.


“…Ise-senpai… Buchou.”


“Yo, seu macaco maldito. O Vali tá bem?”


“Hahahaha, mais ou menos. E você… heh, então ficou um pouco mais forte, né?”


Hmm? Ele conseguiu perceber minha força só de olhar assim?


Enquanto eu pensava nisso, confuso, o Bikou continuou, sorrindo:


“Eu não falei? Eu também tenho interesse em senjutsu. Consigo perceber, até certo ponto, o fluxo do seu espírito. A quantidade de aura ao seu redor aumentou desde a última vez.”


…Entendi.


Então não era impressão — meu treinamento realmente deu resultado.


“Aliás, Buchou… o que é senjutsu? É diferente de magia ou da feitiçaria dos magos?”


Suspirando levemente, a Buchou começou a explicar:


“Sim, o senjutsu é diferente tanto da magia quanto da feitiçaria. A principal diferença é que ele se baseia no chamado ‘chakra’, a energia primordial que flui pelo espírito — ou seja, a força vital — e a transforma em um fluxo constante. É um poder semelhante, mas ao mesmo tempo diferente, da magia dos demônios e da luz dos anjos. Em termos de poder destrutivo direto, ele não chega ao nível da magia ou da luz, mas o senjutsu permite utilizar aspectos ocultos da natureza — plantas, animais e até pessoas.”


Ela continuou:


“Por exemplo, quem domina o senjutsu consegue ler o fluxo espiritual de alguém, sua aura… e até captar, em certo nível, os movimentos de alvos distantes.”


“Também conseguimos controlar o fluxo espiritual e fortalecer tanto o interior quanto o exterior do corpo… ou perturbar a energia das árvores ao redor, fazendo-as florescer ou murchar, nya♪ Senjutsu é uma técnica que manipula o fluxo da vida, afinal. Podemos interferir na energia vital do oponente e causar dano diretamente a ela ao cortá-la. Como os métodos de recuperação dessa energia são limitados para a magia dos demônios e a feitiçaria dos magos, esse tipo de ataque geralmente resulta em morte, nya♪”


A irmã da Koneko-chan explicou isso piscando… com aquele ar leve e alegre.


Sinceramente… é estranho como ela consegue parecer tão descontraída enquanto transmite algo tão perigoso.


Não entendi tudo muito bem, mas… resumindo, é tipo um velho mestre com um radar de energia, né?


E além disso, esse “velho mestre” ainda pode afetar a vida do oponente só com a ponta do dedo?


Bom, deixando isso de lado…


o problema é por que esses dois estão aqui.


“Por que vocês vieram? Isso é algum tipo de ataque?”


Perguntei direto, mas os dois só sorriram.


“Não, não descemos aqui pra isso. Recebemos uma ordem de espera no Submundo. Eu e a Kuroka estamos de folga agora. Quando a ordem saiu, a Kuroka sugeriu dar uma passada na festa dos demônios. Como ela não ia voltar tão cedo, eu acabei vindo junto. Simples assim.”


Esse macaco fala demais…


Mas, pelo menos, não parecia estar mentindo.


Ou seja… a irmã da Koneko-chan usou aquele gato preto como familiar pra investigar a festa, e a Koneko acabou encontrando ele por acaso e veio seguindo até aqui.


“Bikou… quem é esse garoto?”


A irmã da Koneko apontou pra mim ao fazer a pergunta.


“O Sekiryuutei.”


Ao ouvir isso, os olhos da onee-san se arregalaram.


“Sério, nya~? Heh… então esse é o atual Sekiryuutei tarado por peitos que conseguiu enfrentar o Vali.”


…Então era assim que ela me descrevia.


Bom… não tá errado.


Sekiryuutei tarado por peitos, né? Até que não é um título ruim.


Bikou falou, bocejando:


“Kuroka~ vamos voltar. A gente nem pode participar da festa mesmo, então ficar aqui é perda de tempo.”


“Sim, vamos voltar. Mas vou levar a Shirone comigo, nya♪ Já que da última vez não trouxe ela comigo♪”


“Arara… se você levar ela assim por conta própria, o Vali pode ficar bravo, sabia?”


“Quando eles perceberem que o mesmo poder que corre em mim também existe nela, tanto Ophis quanto Vali vão entender, não é?”


“Bom… pode ser.”


A irmã da Koneko-chan sorriu, estreitando os olhos.


Ao ver isso, o pequeno corpo da Koneko-chan tremeu.


Ela estava com medo.


—Nesse caso!


Eu me coloquei entre elas duas e falei, encarando diretamente:


“Essa garota é uma amiga importante do grupo Gremory. Não vou deixar você levá-la.”


Ao ver minha atitude, tanto o Bikou quanto a onee-san começaram a rir.


“Não, não… coragem você tem, isso é verdade. Mas você realmente pretende enfrentar eu e a Kuroka? A gente só vai levar essa garota e ir embora. Isso não é melhor pra você?”


Que tipo de absurdo é esse!?


Maldito macaco!


A Buchou deu um passo à frente, com expressão irritada.


“Essa menina é minha serva. Não vou permitir que encoste um dedo nela.”


“Ara, ara… o que você está dizendo, nya? Ela é minha irmãzinha. Eu tenho o direito de cuidar dela. Uma demônia de alto nível como você não tem esse privilégio.”


Biri…


De repente, eu senti claramente—


o clima ao redor mudou completamente.


A Buchou e a onee-san se encaravam, e a tensão parecia prestes a explodir a qualquer momento.


Foi a onee-san quem quebrou o silêncio primeiro, abrindo um sorriso largo.


“Já que você é tão problemática… então vou te matar, nya♪”


—.


Naquele instante, uma sensação indescritível tomou conta de mim.


O que foi isso…?


Parecia que eu tinha sido transportado para outro espaço.


O cenário não tinha mudado… mas o ar, o ambiente… tudo parecia diferente.


“…Kuroka… então você não só domina senjutsu, youjutsu e magia demoníaca… mas também aprendeu a manipular o espaço?”


A Buchou disse isso com uma expressão fechada.


“Eu não cheguei ao ponto de aprender a manipular o tempo, mas já tenho um bom domínio sobre o controle do espaço. Usando os fundamentos de técnicas de barreira, isso é relativamente simples, sabe? Cobri toda essa floresta com uma barreira e a isolei do mundo exterior, nya♪ Por isso, mesmo que a gente cause uma destruição aqui dentro, nada vai escapar lá pra fora… e ninguém de fora vai conseguir entrar. Vocês vão morrer aqui de forma bem agradável e dar adeus, nya♪”


O quê!?


Então estamos presos dentro dessa floresta!?


E pior — mesmo que a gente lute, ninguém lá fora vai perceber!


Droga… então não tem como eu e a Buchou darmos conta desses dois sozinhos!?


Será que a gente devia fugir…? Não… não parece que dá pra escapar!


Foi então que—


Uma voz veio do alto, lá do céu.


“Recebi a informação de que a senhorita Rias e Hyoudou Issei haviam vindo para esta floresta e vim rapidamente verificar… mas pensar que eu também seria selado dentro de uma barreira…”


Essa voz!


Quando olhei para cima—


“Tannin-ossan!!”


Era ele!


O dragão gigantesco — Tannin-ossan!


Que timing perfeito!


Uwah… ainda bem!


Pelo jeito, ele conseguiu entrar antes da barreira ser completamente formada!


“Que aura desagradável… esses convidados não são apropriados para essa festa.”


Ao ver o dragão no céu, Bikou abriu um sorriso animado.


“Oh, oh, oh! Se não é o antigo Rei Dragão — ‘Blaze Meteor Dragon’ Tannin! Então você veio! Isso complicou, Kuroka! Agora não tem jeito, vamos ter que lutar!”


“Você parece animado, monkey-san. Muito bem… se derrubarmos duas cabeças acima do nível de Rei Dragão, Ophis também não vai reclamar, nya♪”


Duas cabeças!?


Então eu também estou incluído nisso!?


Tô ferrado! Vou morrer!


“Kintoun!!!”


Ao gritar isso, uma nuvem dourada apareceu sob os pés do Bikou, e ele disparou pelos céus em direção ao Tannin-ossan!


“Nyoi-Bo!”


Um bastão longo surgiu em suas mãos, e ele o lançou mirando no ossan!


“Estique! Nyoi-Bo!!”


Gyuoooooooooon!


O bastão se estendeu violentamente, tentando atingir o Tannin—


mas ele desviou com uma velocidade absurda, completamente incompatível com o tamanho gigantesco que tinha!


Rápido!


Mesmo com aquele tamanho gigantesco… ele se movia com uma agilidade absurda!


“De novo!”


Bikou girou o bastão ainda estendido na horizontal e partiu atrás do Tannin, que havia desviado do primeiro ataque!


Mas o ossan usou as asas com maestria, girando no ar e escapando novamente!


Ainda no movimento de rotação, ele abriu a boca—


Gobaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!


Uma massa gigantesca de fogo cobriu completamente o céu!


Incrííííível!


Aquilo era incomparável ao que ele tinha usado contra mim!


Quando olhei pra cima, só havia fogo… o céu inteiro estava em chamas!


Agora eu entendi o que o sensei quis dizer…


O sopro de fogo do ossan é equivalente ao impacto de um meteoro!


Mas o mais impressionante ainda era a mobilidade dele!


Mesmo com aquele corpo enorme, ele se movia com uma precisão incrível!


Pensando bem… durante aquele “pega-pega” comigo, ele também se movia rápido assim.


Então… um Rei Dragão tem atributos absurdos em tudo!


[Não… o Tannin ainda estava se contendo naquele sopro.]


Sério, Ddraig!?


Aquilo era “segurar” o poder!?


[Sim. Se ele liberasse seu verdadeiro sopro, não só o salão da festa… mas nós também desapareceríamos. Ele está sendo cuidadoso à maneira dele. Mesmo assim… são poucos os que conseguiriam enfrentá-lo.]


Eu… fui perseguido por alguém desse nível naquela montanha!?


Isso é assustador demais!


Quando as chamas começaram a se dissipar…


a figura do Bikou apareceu no ar, soltando fumaça pelo corpo.


“Ahahaha! Nada mal, ex-Rei Dragão!”


Ele estava rindo!


As roupas e a armadura estavam queimadas… mas ele estava praticamente intacto!


Sobreviver àquilo!?


Como esperado do Son Goku!


“Hmph! Então esse é o tal Son Goku… você parece bem animado depois de receber um ataque meu, Tannin!”


“O nome é Bikou! Prazer em te conhecer, chefão dragão!”


“Kukukuku… fala como um verdadeiro macaco. Você realmente entende contra quem resolveu lutar?”


“Eu também descendo de um demônio lendário, sabia? Não posso perder tão fácil assim.”


“De qualquer forma… eu fico com você, macaco. Enquanto isso, a senhorita Rias e Hyoudou Issei vão lidar com aquela gata. —Eles são a mestra do Sekiryuutei e o próprio Sekiryuutei. Você vai ter que superá-los.”


Fala isso como se fosse simples!


Mas… essa onee-san na nossa frente…


não é alguém que eu e a Buchou possamos derrotar assim tão fácil!


“Hahahaha! Você veio com tudo mesmo! Eu dou conta sozinho!”


“Não fale com tanta arrogância, macaco. Você é só um único macaco. Não vai ser problema algum! E aqueles dois, o porco e o sábio demônio[5]? Se separou deles?”


“Você quer dizer os descendentes do Hakkai e do Gojou[6]? Hahahaha! Eles, assim como o pessoal da minha família, são todos conservadores! Estão completamente satisfeitos com o mundo do jeito que está! Mas eu gosto de coisas divertidas! Por isso aceitei com prazer o convite pra entrar na Khaos Brigade e agora ando junto com o Hakuryuukou Vali!”


“Hmph! Seu temperamento até lembra o do primeiro Son Goku… mas o que você está tramando com o Hakuryuukou? Pelo que dizem, só o seu grupo tem permissão para agir separadamente! E ouvi também que vocês são os únicos que não aceitaram a ‘cobra’ da Ophis!”


“Se quer saber… então me derrota!”


“Cuidado com o que diz, seu macaco insolente! Este é o Submundo — um verdadeiro inferno, o ‘mundo dos mortos’! Saiba que este é o lugar perfeito para vermes como você se arrependerem!”


Don! Dogon!


O ossan e o macaco começaram a lutar ferozmente no ar!


Bom… parece que o ossan vai dar conta daquele cara, então isso já é um alívio.


Mas o problema é—


“Nyan♪”


A irmã da Koneko-chan.


Ela sorria de forma encantadora… mas ao mesmo tempo, uma aura sombria e ameaçadora envolvia todo o corpo dela — até eu conseguia sentir!


A aura do sensei também era escura… mas a dele parecia mais… pervertida, digamos.


Essa aqui não.


Era puro mal.


Dava pra sentir claramente a intenção de matar direcionada a nós!


“…Nee-sama. Eu vou com você. Então, por favor… deixe esses dois em paz!”


—!?


A Koneko-chan soltou isso de repente!


“O que você tá dizendo—”


Eu tentei falar, mas—


“O que você está dizendo!? Koneko! Você é uma serva do meu grupo! Não vou permitir que faça o que quiser!”


Num instante, a Buchou puxou a Koneko-chan para um abraço firme!


Mas Koneko balançou a cabeça.


“…Não adianta. Eu conheço melhor do que ninguém o poder da nee-sama. Ele rivaliza com o de um demônio de classe máxima. Mesmo a Buchou e o Ise-senpai… mesmo com a ajuda de um ex-Rei Dragão… eu não acho que vocês conseguiriam capturar alguém como ela, que domina tanto genjutsu quanto senjutsu…”


“Mesmo assim… eu não vou te entregar pra ela! Ainda mais pra alguém que não fez nada quando você chorava tanto!”


A onee-san sorriu diante da indignação da Buchou.


“É porque youkais não ajudam outros youkais. Mas, desta vez… eu só quero a Shirone porque quero mais uma peça sob meu controle. Eu entendo o poder dela muito melhor do que uma onee-san de cabelo vermelho como você, sabe?”


Ao ouvir isso, Koneko-chan balançou a cabeça.


“…Não… eu não preciso desse tipo de poder… não preciso de um poder sombrio assim… não preciso de um poder que traz desgraça às pessoas…”


O corpo da Koneko-chan começou a tremer, e lágrimas começaram a cair.


A Buchou a abraçou ainda mais forte.


“Kuroka… você, que se deixou cegar pelo poder, deixou uma ferida no coração dessa garota que nunca vai desaparecer. Depois que você matou seu mestre e foi embora, essa criança viu o inferno. Quando a encontrei pela primeira vez, ela já não demonstrava mais nenhuma emoção. A Koneko foi traída por você — que era a única família que ela tinha — perdeu qualquer futuro em que pudesse se apoiar… foi desprezada e maltratada por outros demônios… a ponto de quase ser descartada… Ela passou por coisas terríveis.”


A voz da Buchou ficou ainda mais firme.


“Por isso… eu vou mostrar a ela muitas coisas boas! Essa garota é Toujou Koneko, a [Rook] do grupo da Rias Gremory! Minha importante serva! Eu não vou permitir que você encoste nela!”


Ao ouvir isso—


Koneko-chan começou a chorar ainda mais.


Buchooooooooou!


Eu também quase chorei junto!


Mesmo não sendo a Koneko, aquilo me atingiu em cheio!


Receber palavras carregadas de tanto carinho… isso vai além do que alguém como nós merece!


É por isso que a Buchou é a melhor!


A mulher por quem eu me apaixonei… é simplesmente incrível!


“…Eu não quero ir… eu sou Toujou Koneko… Kuroka-nee-sama… eu não quero ir com você! Eu quero viver com a Rias-buchou… viver!”


Koneko-chan gritou aquilo!


Era como uma declaração… um rompimento definitivo com a irmã.


Certo!


Se você disse isso…


então eu também não posso recuar!


Eu vou proteger a Koneko-chan!


Depois de ouvir aquilo, a onee-san mostrou por um instante um sorriso amargo… e então soltou uma risada fria, capaz de congelar o corpo inteiro.


“Então… morram.”


Suu…


Uma névoa fina começou a se espalhar a partir dela.


Aos poucos, foi se expandindo… até nos alcançar.


E não parou — continuou se espalhando, cobrindo toda a floresta.


Era uma névoa densa.


Dava pra ver claramente diante dos olhos…


mas ao mesmo tempo, carregava uma presença sinistra que fazia meu corpo tremer.


Quando entramos em contato com ela—


“—Ah.”


Ton.


De repente…


a Buchou caiu de joelhos ao meu lado!


“Hã!? O que foi!?”


“…Isso é…”


Logo depois, a Koneko-chan também caiu, levando a mão à boca!


Espera… isso é um ataque!?


“Hmm… então essa névoa não funciona em você por ser o Sekiryuutei, né? É um veneno que só afeta demônios e youkais, nya♪ Como está bem diluído, ele vai se espalhando pelo corpo aos poucos… fazendo vocês sofrerem devagar. Não vou matar vocês rápido… vou matar aos poucos, nya♪”


Quando percebi—


a onee-san já estava sentada em um galho alto de árvore, olhando para nós de cima.


Em vez disso… névoa venenosa!? Além do mais, que forma cruel de pensar! Que intenção maldosa…! Ainda assim, eu fui o único que não foi afetado. Será que era porque eu abrigava o Ddraig dentro de mim? Sinceramente, eu não entendia muito bem o motivo.


A Buchou começou a disparar projéteis mágicos ao meu lado!


Don! O ataque atingiu a onee-san em cheio! O corpo dela se desfez no ar!


Conseguimos… ou não. A Buchou não parecia ter sentido nenhuma resistência no golpe.


— Foi um bom ataque. Mas inútil, completamente inútil. Eu posso criar clones meus com o básico do genjutsu com facilidade.


A voz da onee-san ecoou pela floresta. D-de repente, várias silhuetas começaram a surgir dentro da névoa, uma após a outra… e todas eram mulheres vestindo quimonos! Eram todas a onee-san da Koneko-chan! Clones!? Então isso era uma ilusão!


Todas pareciam reais. Eu não conseguia distinguir uma da outra! Todas tinham a mesma aura ao redor do corpo!


— …Se você não consegue ler o fluxo espiritual, não tem como lidar com genjutsu usado por alguém habilidoso.


Koneko-chan disse isso enquanto caía de quatro no chão. Ela parecia estar sofrendo! Se existisse algum jeito de neutralizar isso… será que a Asia conseguiria fazer algo se estivesse aqui? Não, deixando ferimentos de lado, nem sei se isso funcionaria contra um veneno desse tipo!


— Boosted Gear!


Fiz a manopla vermelha surgir no meu braço esquerdo, mas… o som de agora não estava diferente do normal? Quando olhei, a luz da joia estava fraca… e tinha ficado meio escura! O que era aquilo!?


[…Parceiro, o Sacred Gear não está respondendo.]


O que você quer dizer com isso, Ddraig!? Por que justo agora!?


[O Sacred Gear entrou em um estado instável.]


Instável!? Por que isso aconteceu?


[Com aquele treinamento, você chegou a um ponto de bifurcação. Acho que o Sacred Gear vai mudar com mais um empurrão… mas não sei se essa mudança será um simples aumento de poder ou um Balance Breaker.]


Em outras palavras… meu Sacred Gear parou bem no meio de uma encruzilhada, oscilando entre um aumento de poder comum e o Balance Breaker?


[Resumindo, é isso. Com tantas possibilidades abertas, o próprio sistema do Boosted Gear está confuso sobre qual caminho seguir.]


Então… tanto o aumento de poder quanto o Balance Breaker são opções “boas” pra ele?


[Sim. Se seguir pelo aumento de poder, você pode até vencer rapidamente… mas, se não houver uma mudança profunda dentro de você, nunca vai alcançar o Balance Breaker. Só não esqueça de uma coisa: agora, você tem a chance de alcançá-lo. O resto depende de você.]


Mesmo você dizendo isso… o que eu devo fazer…? Como eu vou saber o que fazer se você fala, do nada, que eu preciso passar por uma “mudança profunda”? O que eu tenho que fazer pra alcançar o Balance Breaker!? Droga! Se eu soubesse que seria assim, devia ter perguntado pro Kiba como foi a sensação quando ele conseguiu!


—Ei, Ddraig… seria tão ruim assim se eu escolhesse o aumento de poder agora e deixasse o Balance Breaker pra depois?


[Você não vai conseguir alcançar esse estado quando quiser. Pode levar meses… ou até anos até ter outra chance.]


Então… quer dizer que eu recebi uma oportunidade extremamente importante agora! Seria um desperdício usar isso só pra um aumento de poder comum! Mas o que eu preciso fazer pra conseguir!? Eu não seeeeeeeeeeeei!


— Arara, o Sekiryuutei-chan não consegue ativar o Sacred Gear? Mas tudo bem… eu vou atirar mesmo assim, nyan♪


Uma das ilusões da onee-san estendeu a mão… e começou a disparar algo parecido com projéteis mágicos contra a Buchou e a Koneko-chan, que estavam sofrendo com o veneno!


Ah, qual é! Eu disparei pra frente, correndo pra servir de escudo pra elas!


Dooooooooooooooooooooooon!


— Guhah!


Fui atingido por uma explosão cheia de poder destrutivo! Isso dói! Droga… dói demaaaaais! Levei um golpe direto, bem na frente!


Meu uniforme também foi destruído com o impacto! Por causa disso, meu peito ficou exposto… Um pedaço da minha pele ali se abriu e o sangue começou a escorrer.


—Ise…


A Buchou tentou avançar, mas, por causa da dor, não conseguia nem se levantar direito!


— Buchou! Por favor, não se mexa! O veneno vai se espalhar pelo seu corpo! Não se preocupe, um ataque desses não é nad—


Doggoooooooooon!


Antes mesmo de terminar de falar, fui atingido por outro projétil mágico! Guhhh…!


Como foi um ataque surpresa, antes de eu me preparar, a dor foi ainda mais intensa…!


Só com esse segundo golpe, eu caí de joelhos… Isso é ruim. Desse jeito, eu não vou aguentar nem mais cinco disparos…


— Tão fraco… Esse é o rival do Vali? Foi mesmo você quem o fez recuar?


A onee-san apenas zombou de mim… Hehehe… sério, até quando eu vou continuar sendo ridicularizado assim…? Que patético. Eu nunca consigo mostrar meu poder quando realmente importa.


— Eu sou sempre assim.


Não consigo demonstrar minha força nos momentos decisivos.


Eu salvei a Asia? Eu salvei a Buchou?


Todo mundo me elogiou, mas… não foi bem assim. Não foi!


— A Asia morreu uma vez.


— A Buchou chorou uma vez.


Porque eu não consegui fazer nada em nenhum desses momentos… foi por isso que tudo acabou daquele jeito.


Um poder que não serve pra impedir que as pessoas se machuquem… não tem valor nenhum! E eu estava prestes a repetir exatamente o mesmo erro de novo…


— Eu não consigo salvar a Koneko-chan aqui… agora.


As pessoas que eu amo já sofreram antes porque o meu poder não era suficiente.


E, depois de cada vez, eu recebi uma segunda chance de salvá-las… graças à ajuda de outras pessoas.


Mas só isso… não basta. Não tem sentido ser assim!


— Que tipo de dragão lendário não consegue salvar alguém logo na primeira vez!?


—…Eu não vou deixar você encostar na Buchou e na Koneko-chaaaaaaaan!


Dooooooooo!


Fui atingido por outra explosão. A força me lançou para trás, e minhas costas bateram com tudo contra uma árvore enorme!


Idiota… um golpe nas costas… Por causa da dor intensa, minha consciência quase se apagou por um instante… Droga, meu corpo não se mexe…!


Mais do que a dor, foi o impacto nas costas que fez meu corpo parar de responder… embora eu ainda esteja consciente…


— Droga…


Eu… me levantei. De tão desajeitado e patético que eu estava, lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos. Não era por causa da dor.


— É humilhante.


Não conseguir usar meu poder quando sou encurralado… Mesmo eu não querendo que ninguém se machuque. Mesmo querendo proteger todo mundo… meu poder, mais uma vez, não conseguiu impedir que alguém sofresse…


Ainda chorando, me arrastei pelo chão, me aproximando da Buchou e da Koneko-chan.


Quando cheguei diante delas, reuni toda a minha força de vontade.


— Nuuuuuuuuu!


Forcei meu corpo a suportar a dor e consegui me levantar, mesmo com as pernas tremendo… Certo… ainda consigo ficar de pé.


Mas aquelas lágrimas frustradas… não paravam.


— Você pode até ser a onee-san da Koneko-chan, mas… eu não vou te perdoar por fazê-la chorar…


Falei isso de forma direta, sem rodeios. Mas a onee-san apenas riu.


— Um fracote como você dizendo algo assim… A Shirone também é bem séria, hein. Se fosse um príncipe bonito, forte e com uma espada falando isso, até faria sentido… mas alguém como você, todo ensanguentado, dizendo essas coisas… só faz as garotas recuarem, nyan♪. Que nojento.


—…Ise-senpai.


Koneko-chan murmurou.


Eu respondi com um sorriso amargo.


— Koneko-chan… mesmo tendo um dragão lendário dentro de mim, eu não consigo fazer nada… Se eu tivesse ficado mais forte naquela época com a Asia e a Buchou… se eu tivesse conseguido usar o poder do dragão… elas não teriam passado por tanta dor… —Eu sou um demônio inútil, sem talento.


Eu… sou um demônio incompetente. Nem consigo usar direito o poder do meu Sacred Gear… Eu realmente não valho nada.


— Mesmo que todos os Sekiryuuteis anteriores tenham alcançado o Balance Breaker rapidamente… comigo, sabe-se lá quantos meses vai levar. Eu já entendi isso. Sempre soube desde o começo. Mesmo tendo o poder do Sekiryuutei… ele é desperdiçado comigo. Porque eu sou inútil… eu não consigo fazer nada por você, Koneko-chan. Eu pensei que pelo menos poderia servir como escudo, mas…


Mas Koneko-chan balançou a cabeça.


—…O Ise-senpai não é inútil… Você sabia? A maioria dos Sekiryuuteis do passado acabou se perdendo no próprio poder… Eu acho que eles foram engolidos por essa força enorme que tinham… Minha nee-sama é igual… Mesmo que alguém tenha poder… se não tiver bondade… com certeza vai acabar perdendo o controle… O Ise-senpai é um Sekiryuutei gentil… Mesmo que ainda falte um pouco de força… isso é algo maravilhoso… Você provavelmente é o primeiro entre todos eles a ser assim… Por isso—


Mesmo sofrendo com o veneno, Koneko-chan sorriu. Era um sorriso radiante.


— Por favor… se torne um [Dragão Galês] gentil…


Koneko-chan… eu…


Depois de ouvir as palavras dela, senti como se algo dentro de mim finalmente tivesse se encaixado.


— Buchou… acho que entendi, pelo menos um pouco, o que estava me faltando para alcançar o Balance Breaker.


Sim… naquele instante, tive a sensação de captar o verdadeiro sentido por trás do que a Koneko-chan disse.


— Provavelmente vou precisar do seu poder, Buchou, para conseguir chegar ao Balance Breaker.


Eu vou alcançar isso… tomando emprestado o poder dela—.


—…Entendi! Se você não se importar, eu te empresto o meu poder! Então… o que eu preciso fazer?


Mesmo sofrendo com o veneno, a Buchou assentiu. Eu tomei coragem, respirei fundo e falei:


—…Por favor, me deixa tocar nos seus peitos!


—…!


Com o meu pedido, a Buchou ficou completamente sem palavras. Mas, depois de pensar por um instante, respondeu com um olhar decidido:


—…Tudo bem. Se isso for necessário para realizar o seu desejo…


—!? …Fiquei totalmente sem reação com a facilidade com que ela aceitou! Sério!? Isso tá acontecendo mesmo!? Não é brincadeira! Buchou, eu realmente vou poder fazer isso!?


— S-Sério!? Eu posso mesmo!? Posso… tocar nos seus seios!? Tá mesmo tudo bem!?


Com as mãos trêmulas, a Buchou abaixou o vestido, revelando o peito… e, livres da pressão do tecido, seus seios se moveram levemente.


No mesmo instante, fui atingido em cheio pela cena — e acabei tendo uma reação imediata, com o sangue subindo ao rosto.


—…Faz logo. E-eu tô com vergonha…


A Buchou estava pálida por causa do veneno… e ao mesmo tempo vermelha de vergonha! Desculpa, Buchou! Eu não imaginava que isso ia chegar a esse ponto!


— E-Ei! O que vocês estão fazendo no meio da batalha!?


Lá de cima, atravessando a névoa fina, o Tannin soltou um grito incrédulo.


— Ossan! Me dá cobertura enquanto eu faço isso!


— Fazer isso!? Você tá falando sério!? O que você acha que tá fazendo no meio de uma luta!?


— Se eu fizer isso, tem uma grande chance de eu alcançar o Balance Breaker!


— Então todo o treinamento comigo não serviu pra nada!? Você é mesmo um idiota!


Nesse momento, a onee-san da Koneko-chan fez uma expressão confusa.


— Ei, Bikou! Isso é algum tipo de estratégia? A Rias Gremory… tirou a roupa e parece que vão fazer algo com o Sekiryuutei.


— Nem me pergunta! O jeito de pensar do Sekiryuutei tá em outra dimensão!


Que macaco mal-educado! Eu tô falando sério aqui! Acho que essa é a única forma de eu alcançar o Balance Breaker!


A conversa que tive com o sensei teve um impacto enorme em mim. E, depois de ouvir a Koneko-chan… a primeira “mudança drástica” que me veio à mente foi justamente isso.


Porque… desde que o sensei falou sobre isso, foi a única coisa que não saiu da minha cabeça. Passei todo esse tempo imaginando mil coisas… só de pensar em tocar!


Se eu fizer isso… eu consigo mudar!


—…


Mas, com os seios da Buchou bem na minha frente… eu hesitei.


Ah não… isso é ruim… muito ruim.


—O-Ossan! Tô com um problema sério!


—O que foi!? Fala logo!


Achei que era melhor perguntar pra um ex-Rei Dragão numa hora dessas!


—O peito direito ou o esquerdo!? Qual eu devo tocar primeiro!?


—Seu idiotaaaaaaa! Direito ou esquerdo, tanto faz! Só faz logo e alcança o Balance Breakeeeeeeer!


—Tá maluco!? Não é a mesma coisaaaaaa! Isso é importante! É a minha primeira vez! É algo único na vida! Responde sériooooo!


Por algum motivo, eu e o ossan começamos a discutir! Droga! Ele não entende! Qual dos dois eu escolho é uma decisão importante!


—Buchou! Qual você recomenda!?


Se é assim, vou perguntar pra própria interessada!


—Aff! Seu idiota! Nesse caso… toca nos dois ao mesmo tempo!


—!?


Que ideia revolucionária! Lágrimas brotaram dos meus olhos diante da resposta da minha mestra!


Apontei meus dois dedos indicadores para cada um dos seios da Buchou. Assim não tem erro.


Meu corpo estava destruído por causa dos ataques da onee-san da Koneko-chan… mas essa situação de poder tocar neles me deu uma energia absurda!


Engoli em seco… e então avancei os dedos de uma vez—Zumuh.


Munyun.


Munyu… munyu… munyuuuu…


A elasticidade, a maciez… o toque da pele… os seios da Buchou eram simplesmente incríveis!


Sem brutalidade, afundei meus dedos com cuidado, sentindo tudo ao máximo.


Bubuh.


Ao ver os seios dela envolvendo meus dedos, um jorro de sangue escapou do meu nariz. E naquele momento—


—…Iyan.


A Buchou deixou escapar um pequeno som—. Eu não deixei passar!


Algo dentro de mim… explodiu.


Se expandiu. Algo imenso… tomou conta da minha mente.


No meio das lágrimas que não paravam de cair, eu vi.


—O nascimento do universo.


[—Você conseguiu. Você realmente conseguiu!]


Ddraig riu dentro de mim, deixando escapar um grito animado.


[Welsh Dragon Balance Breaker!!!!!!!!!]


A luz voltou à joia… e, ao contrário de antes, começou a liberar uma enorme aura vermelha! Essa energia envolveu todo o meu corpo!


—…Você é o pior. Que Sekiryuutei mais pervertido…


Mesmo pálida por causa do veneno, Koneko-chan ainda encontrou forças pra me criticar. Desculpa! Eu sou um Sekiryuutei pervertido!


Então—


A aura que envolvia meu corpo se transformou em uma armadura, cobrindo-me completamente.


—Balance Breaker, [Boosted Gear Scale Mail]! Foi alcançado… tocando nos seios da minha mestra!


Douuuuuuuuuuun!


A energia que liberei varreu tudo ao redor! Um pequeno buraco se formou no chão, comigo no centro… Certo… meu corpo está transbordando poder! Isso é—Balance Breaker!


[Parceiro, parabéns. Mas… você é terrível. Eu vou acabar chorando de verdade.]


Ddraig me elogiou. E sua voz… parecia até emocionada.


—É… obrigado. E desculpa por ser pervertido! Então… como está minha condição agora?


[Pode manter o Balance Breaker por trinta minutos. Os resultados do seu treinamento finalmente apareceram. Para alguém fraco como você, esse tempo na primeira ativação é até bem razoável.]


E quantas vezes eu consigo usar o aumento máximo?


[Acho que, se você liberar no máximo, cada uso vai durar cerca de cinco minutos. No limite, dá pra fazer isso cinco vezes. Considerando também seus outros movimentos, na sexta vez já não vai fazer diferença nenhuma. O mesmo vale se você usar a habilidade de transferência.]


Então, se eu usar bem esse poder… consigo lutar por uns quinze minutos.


[Você não vai precisar de tanto tempo. —Olhe, estenda a mão e tente disparar um projétil mágico como sempre.]


Seguindo as instruções do Ddraig, estendi a mão e mirei na onee-san da Koneko-chan.


Doh! Disparou instantaneamente! Passou direto por ela e seguiu para o fundo da floresta.


No instante seguinte—


Um clarão vermelho se abriu.


Doddoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooon!


O estrondo da explosão ecoou lá longe… e o impacto chegou até aqui!


……Hã? ……O quê? Eu não consegui reagir ao que tinha acabado de acontecer.


A névoa venenosa foi completamente varrida pela explosão e se dispersou.


—Hahahaha! Faz tempo que eu não via um clarão vermelho desses! Hyoudou Issei! Uma montanha inteira lá longe simplesmente desapareceu agora! E a barreira que cobria essa área também foi destruída!


Tannin-ossan falou lá do alto.


Uma montanha!? Sumiu!? E eu nem usei um aumento máximo no ataque!?


[Esse é um tipo de disparo que libera, pelas suas mãos, toda a energia acumulada na sua aura. Como você ainda não consegue armazenar muita energia, não dá pra usar várias vezes seguidas.]


—Fuhahahahaha! Então você finalmente conseguiu! Entendo, entendo! Esse transbordar de poder… é o sinal de uma boa aura!


O ossan também caiu na gargalhada lá de cima. Valeu… isso é tudo graças ao treinamento com ele.


E, bom… então a barreira também desapareceu. Isso significa que o pessoal lá fora já deve ter percebido o que aconteceu aqui por causa daquele ataque.


—Ahahahaha!


Outra risada ecoou. Era a onee-san da Koneko-chan—Kuroka!


—Ha! Que interessante! Então eu também vou te mostrar um ataque misturando youjutsu e senjutsu!


As mãos da Kuroka começaram a se envolver em duas energias diferentes, uma em cada lado.


Dou!


E, assim, ela disparou duas ondas de energia distintas, uma de cada mão! Eu recebi o ataque de frente!


Dodon!


…Senti o impacto… mas não houve dor. Um pouco de fumaça subiu da armadura, mas… nenhum dano. Ela continuava intacta.


—É só isso?


A expressão da Kuroka mudou quando percebeu que seu ataque não tinha causado nenhum dano — ela ficou visivelmente chocada.


— Não funcionou!? Impossível… eu concentrei uma quantidade enorme de poder espiritual!


Doh!


Dei um salto explosivo pra frente e, num instante, fechei toda a distância entre nós!


— Não se empolgue demais!


Kuroka começou a disparar inúmeras rajadas como as de antes, mas eu simplesmente atravessava algumas e desviava outras com facilidade, até chegar bem na frente dela!


Buuuuuuuuuuun!


Avancei com o punho… mas parei a poucos centímetros do rosto dela. O ar ao redor tremeu com o impacto contido, e a vegetação ao redor se agitou violentamente. Diante de uma Kuroka claramente abalada, eu falei:


— Não faça minha kouhai fofa chorar.


— …


— Se você mirar na Koneko-chan de novo… da próxima vez eu não vou parar meu golpe. Pode até ser mulher, pode até ser a irmã dela… mas, pra mim, você é inimiga.


Quando recuei o punho, Kuroka imediatamente saltou para trás, abrindo distância.


— …Seu moleque!


Ela me xingou, mas dava pra ver o medo nos olhos dela. A armadura que eu vestia emanava uma pressão completamente fora do comum. Em momentos assim, o impacto visual e a presença dessa armadura completa faziam toda a diferença.


Bikou caiu na gargalhada ao ver a cena.


— Hyahahahahahahaha! Isso tá ficando bom demais! Agora temos dois “chefões dragão”! Seria mentira dizer que eu não tô me divertindo!


Girando seu bastão Nyoi-Bo, Bikou mostrava claramente que queria continuar lutando. Esse cara também era viciado em combate, igual ao Vali! Sério… por que meus inimigos são sempre assim? Tem tantas coisas mais divertidas do que lutar… tipo fazer sucesso com garotas! Nossos valores são completamente diferentes — eu simplesmente não consigo entender esses caras!


Pensando bem… tocar nos peitos da Buchou é muito mais interessante do que lutar!


Mas enfim… tudo bem. Derrotar esses caras agora não deve ser problema. A névoa venenosa já tinha se dissipado, e a Buchou e a Koneko-chan estavam se recuperando aos poucos.


Quatro contra dois… não tem como perder! Logo outros demônios vão perceber que algo estranho está acontecendo e vir ajudar!


— Mas então—


Bem na nossa frente… o espaço se rasgou.


U-um rasgo no ar!? O que foi aquilo!?


E, saindo dali… apareceu um homem.


Um jovem de terno. Na mão, ele segurava uma espada que liberava uma aura sagrada intensa.


E-essa espada… é uma espada sagrada?


— Já chega, Bikou, Kuroka. Os demônios perceberam.


Usando óculos, o homem falou calmamente com Bikou e Kuroka.


Um aliado…? Ah, não… mais um membro da [Khaos Brigade] entrando na luta!?


Shutah.


Bikou desceu do céu.


—Você não é o assistente do Vali?


O homem ajustou os óculos e respondeu:


—A Kuroka estava demorando demais, então vim ver o que estava acontecendo. E até o Bikou tá aqui… sinceramente, o que vocês dois estão aprontando?


Ele soltou um suspiro, meio impaciente.


—Todo mundo, não se aproximem desse cara! O que ele tá segurando é extremamente perigoso!


Tannin-ossan gritou aquilo lá de cima.


—A espada sagrada Collbrande. Também conhecida como Caliburn… Para uma espada considerada a mais poderosa entre as sagradas estar nas mãos do Hakuryuukou…


O ossan deu uma risada amarga.


A mais poderosa das espadas sagradas!? Então isso quer dizer que ele é ainda mais forte que o Kiba ou a Xenovia…?


—Mas… duas espadas? Aquela que está embainhada também é uma espada sagrada, não é?


O homem apontou para a espada em suas costas, respondendo à pergunta do ossan:


—Essa aqui é a última Excalibur que foi encontrada recentemente. A mais forte entre as sete. [Excalibur Ruler].


—!?


Excalibur!? Aquela espada lendária que foi quebrada em sete partes na antiguidade!? Eu tinha ouvido dizer que uma ainda estava desaparecida… então era essa…?


—Você fala disso tudo com bastante calma, não acha?


Kuroka comentou, desconfiada.


O homem apenas assentiu.


—Na verdade, eu tenho bastante interesse nos companheiros desses dois aqui. Sekiryuutei-dono, poderia transmitir meus cumprimentos ao usuário da espada demoníaca sagrada… e à usuária da Durandal? Gostaria de enfrentá-los algum dia, como espadachins.


—…


Que atitude ousada… Fico imaginando o que o Kiba e a Xenovia diriam ao ouvir isso.


—Bom, já chega. Vamos nos retirar.


Então, o homem cortou o ar com a espada chamada Collbrande — e um novo rasgo espacial se abriu, grande o bastante para várias pessoas atravessarem.


—Até mais, Sekiryuutei.


Com apenas essas palavras, ele partiu. Logo depois, os outros companheiros do Vali também desapareceram através da fenda.


Depois disso, fomos socorridos pelos demônios que tinham percebido que algo estava errado… e a festa organizada pelos Maous acabou sendo cancelada às pressas por causa do ataque da [Khaos Brigade].

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