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High School DxD – Volume 5 - Capítulo 1

Vida.1: São férias de verão! Vamos ao Submundo!

“Não, foi reformada. Eu também fiquei surpreso quando acordei hoje de manhã. A casa foi reformada enquanto estávamos dormindo.”


Durante o café da manhã. Sentado à mesa, que agora era cinco vezes maior do que antes, meu pai dizia isso com um sorriso estampado no rosto. Reunidos ali estavam todos os membros da minha nova família: eu, meus pais, a Buchou, a Asia, a Akeno-san e a Xenovia.


Assim que começamos a comer, eu não aguentei e perguntei:


“O que está acontecendo?”


Minha mãe trouxe a sopa de missô da cozinha — que também havia ficado cinco vezes maior.


“Aparentemente, o pai da Rias também trabalha com construção, e disse que reformaria tudo de graça como parte de uma casa modelo.”


Não tem como uma história dessas ser real! Bem… talvez até dê pra entender, considerando quem são os pais da Buchou.


E justamente por já saber de tudo isso, a Buchou comia tranquilamente, em silêncio.


Aliás… mais do que reformar… o terreno também não aumentou? As casas vizinhas simplesmente desapareceram e viraram parte do nosso terreno…?


“Agora que você mencionou… parece que o senhor Suzuki e o senhor Tamura, nossos vizinhos, se mudaram. Ouvi dizer que eles conseguiram terrenos muito vantajosos de repente e foram pra lá.”


Disse meu pai.


—! A família da Buchou com certeza teve envolvimento nisso! Sem dúvida!


“Está tudo bem. Foi um acordo pacífico. Para que todos ficassem felizes.”


Ao meu lado, a Buchou sorriu amplamente enquanto sussurrava.


Então é assim que funcionam as negociações dos demônios…!? Se a Buchou diz isso, provavelmente os vizinhos realmente ficaram felizes… mas ainda assim… que assustadora é a família Gremory!


Minha mãe então abriu a planta da casa. Parecia um mapa de distribuição dos cômodos.


“No primeiro andar ficam os quartos de hóspedes, a sala, a cozinha e os quartos em estilo japonês. No segundo andar ficam os quartos do Ise, da Rias-san e da Asia-chan. Os quartos delas ficam ao lado do do Ise, e dá pra circular entre eles por dentro.”


Entendi… então o segundo andar inteiro foi feito de acordo com os caprichos da Buchou. Uwah… meu quarto parece ter ficado mais de quatro vezes maior… Será que todos os móveis também vieram da família Gremory? Incrível… Na sala havia uma televisão gigantesca que eu nunca tinha visto antes. E até um lustre no teto…


“No terceiro andar ficam o quarto do seu pai e o meu, o escritório e o depósito. No quarto andar ficam os quartos da Akeno-san e da Xenovia. Também tem o quarto da Koneko-chan, que vai vir depois.”


Quando meus olhos encontraram os da Akeno-san, ela me lançou um sorriso aberto.


Por algum motivo, aquele sorriso parecia mais verdadeiro do que os que ela costumava mostrar… Recentemente, Akeno-san tem exibido um sorriso incrivelmente bonito quando está comigo.


Era diferente de antes. Difícil explicar… talvez fosse o sorriso verdadeiro dela? Agora, ela mostrava esse lado pra mim. Eu sentia que estávamos mais próximos, e a atmosfera ao redor dela estava muito mais suave do que antes.


Parecia que ela já não era mais alguém inalcançável—


…Embora, pra mim, ainda estivesse muito além do meu alcance…


Enquanto meu coração batia acelerado, a Buchou puxou levemente minha bochecha. Auu… ela também tem ficado mais rígida comigo… embora eu não tenha a menor intenção de ter outra mestra além dela. Ela se preocupa demais.


Minha mãe continuou explicando:


“O quinto e o sexto andares são compostos apenas por quartos vazios. Por enquanto, vamos usá-los como quartos de hóspedes. A Rias-san disse que não se importava em ceder esses andares, desde que o segundo fosse mantido como está.”


“Sim. Esta é a casa dos pais do Ise. No fim das contas, eu e os outros estamos apenas hospedados aqui.”


A Buchou respondeu com elegância impecável.


Arerê!? Buchou, você não disse antes que “essa é a minha casa e a do Ise”!? Que mudança rápida!


“Também tem um jardim ao ar livre no terraço. Vou plantar vegetais~”


Meu pai disse isso com os olhos brilhando! Ah… ele aceitou tudo completamente! Não há dúvidas de que ficou encantado com a casa dos sonhos dele!


“Como foi construída de forma tão robusta, não vai desmoronar nem em caso de guerra.”


“Hahahaha, você é boa em piadas, Rias-san.”


Essa foi a conversa entre a Buchou e o meu pai… Mas o que a Buchou disse era verdade. A estrutura dessa casa foi seriamente modificada pra resistir até mesmo a uma guerra. Será que não tem canhões escondidos por aí também…?


Mas afinal, o que meu pai e o pai da Buchou conversaram naquela visita dos pais outro dia? Isso me preocupa muito. Eles não devem ter concordado em me vender completamente pro Submundo, né!?


Não… não pode ser… mas ainda assim… desde aquele dia, sinto que o olhar dos meus pais pra mim mudou um pouco.


“Também existem andares subterrâneos.”


Disse Xenovia, ainda lutando com os hashis.


“Andares subterrâneos!?”


“Sim. Há até três níveis subterrâneos.”


Fui eu quem gritou. A Buchou apenas confirmou com um aceno. Essa casa até subsolo tem!?


“O primeiro subsolo é um salão enorme. Pode ser usado tanto como sala de treinamento quanto como cinema. Também há um grande banho interno. O segundo subsolo é totalmente ocupado por uma piscina interna, que pode ser aquecida. Já no terceiro subsolo ficam uma biblioteca e um depósito.”


A Buchou explicou isso enquanto mostrava mais plantas.


…Então minha casa agora tem até piscina interna… Eu já nem sei mais o que está acontecendo…


“Também há um elevador, então dá pra se deslocar facilmente do sexto andar até o terceiro subsolo.”


Essa casa também tem elevador… já virou praticamente um prédio. Eu já nem tinha mais palavras.


E assim, poucos dias depois do início das férias de verão, minha casa havia se transformado em uma verdadeira mansão.


“Você vai voltar para o Submundo!?”


Depois do café da manhã, já no meu quarto, eu perguntei — e a Buchou apenas assentiu.


Todos os membros do Clube de Pesquisa Oculta estavam reunidos ali.


Todos que estavam morando juntos estavam com roupas mais casuais.


Kiba, Koneko-chan e Gasper também tinham acabado de chegar.


Os dois primeiros estavam com roupas do dia a dia. Koneko-chan, com um vestido simples, parecia especialmente fofa.


Mesmo com tanta gente ali, ainda sobrava espaço no meu quarto. Todos estavam sentados em sofás que pareciam absurdamente caros.


Apenas o Gasper entrou dentro de uma caixa de papelão que ele mesmo trouxe, mas… ele estava vestido com roupas femininas! Como sempre! Isso aí! O garoto que se veste de garota!


“Estou voltando para casa agora que as férias de verão começaram. Faço isso todos os anos. —Mas… o que foi, Ise? Seus olhos estão marejados?”


As palavras da Buchou fizeram lágrimas brotarem dos meus olhos!


“Uu… é que você começou a falar de voltar para o Submundo de repente… e eu imaginei você indo embora e me deixando para trás…”


Eu não quero isso! Não quero que a Buchou vá embora e me deixe aqui! Só de pensar nos peitos da Buchou indo para algum lugar distante, já fico triste… e não conseguiria aproveitar minhas férias de verão! Já não consigo mais imaginar minha vida sem a Buchou!


“Francamente… é só isso? Você e eu vamos ficar juntos por centenas… milhares de anos daqui pra frente. Pode ficar tranquilo. Eu não faria algo como te deixar para trás.”


Dizendo isso, a Buchou sorriu de leve enquanto acariciava minha bochecha.


Entendi… nós somos demônios. Vivemos mais do que humanos. Então eu, a Buchou e os outros membros do clube ficaremos juntos por muito tempo. Pensando assim… não me sinto nem um pouco sozinho.


Mas… isso também significa que eu provavelmente vou viver muito mais que o Matsuda, o Motohama… ou até meus pais. Quando penso nisso… dá uma certa tristeza… aquela separação inevitável que um dia vai chegar.


A Buchou tomou um gole de chá com elegância enquanto falava. —Espera… nós também vamos para o Submundo!?


“E-Eh!? A gente também vai!?”


“Sim. Já que todos vocês são demônios servos da minha família, é natural que acompanhem sua mestra. Vocês virão comigo para minha casa. Pensando bem, essa também será a primeira vez para a Asia e a Xenovia, não?”


Asia assentiu à pergunta da Buchou.


“S-Sim! Estou nervosa por ir ao inferno ainda viva! E-Eu pensei que iria lá apenas depois de morrer!”


Asia! Eu não entendi nada do que você quis dizer!


“Sim. Eu já tinha interesse no submundo—no inferno—há muito tempo. Porém, para poder ir ao céu, eu precisava servir ao Senhor… Mas agora que me tornei um demônio, não há mais possibilidade de ir para o céu… Há uma certa ironia em pisar no mesmo mundo daqueles que foram enviados ao inferno como punição divina. Inferno, huh… combina com alguém que foi uma crente e se tornou um demônio.”


Ah… lá vai a Xenovia entrando em crise existencial de novo…


“Passaremos o restante das férias de verão lá, até depois do dia 20 de agosto. Parece que voltaremos para cá no final do mês. A ideia é treinar e participar de vários eventos no Submundo.”


A Buchou explicou o cronograma.


Entendi… então vamos passar boa parte das férias no Submundo. Eu só fui lá por pouco tempo durante a luta contra a família Phoenix… tudo o que sei é que o céu lá é roxo.


Também parece ser o lugar para onde vão as almas dos mortos… e até negócios parecem ser algo comum por lá.


Mas… se eu passar as férias lá… e os meus planos?


“Ah… mas eu tinha coisas que queria fazer nesse verão…”


Soltei um suspiro ao dizer isso.


Eu, o Matsuda e o Motohama juramos com toda a força: “Este ano, vamos arranjar namoradas e ter experiências pervertidas no verão!”


Planejamos ir à praia e à piscina pra tentar pegar garotas! Era esse o plano. Eu não tinha namorada… tive uma, mas fui morto por ela…


Este verão ia ser diferente… era o que eu pensava.


“Ara, Ise. Você também tinha planos?”


A Buchou perguntou, desconfiada.


“Sim. Eu ia à praia e à piscina.”


“No Submundo não há mares, mas existem grandes lagos. E também há piscinas aqui em casa e na casa dos meus pais, sabia? Além disso, há fontes termais… isso não te agrada?”


Pensando bem… não seria dezenas, centenas de vezes melhor curtir lagos e piscinas no Submundo com a Buchou e as outras do que ir com o Matsuda e o Motohama!?


E ainda por cima… fontes termais!?


Na minha mente, comecei a imaginar a Buchou, a Akeno-san, a Asia, a Xenovia e a Koneko-chan… todas nuas, envoltas em vapor!


Um f-f-festival de peitos no vapor!?


Passar óleo… espiar nas fontes… ou será banho misto!?


Quero apertar os peitos da Buchou e da Akeno-san! Massagear também! Com as duas mãos!


“…Pensamentos obscenos são proibidos.”


Fui imediatamente cortado pela Koneko-chan, com seus olhos semicerrados! Como sempre, Koneko-sama… ela enxerga dentro da minha mente!


Depois de me dar aquela bronca, ela suspirou profundamente… e, por algum motivo, ficou com um olhar distante.


Hã? Agora que penso… o tom das respostas dela parece um pouco mais fraco que o normal…


“Ise-kun, seu rosto está mais pervertido do que eu imaginava.”


“Você parece ter uma imaginação bem fértil… até parece que está se divertindo… eu invejo isso…”


Kiba falou com naturalidade, enquanto Gasper murmurava, parecendo sinceramente invejoso.


“Por que vocês dois não saem com garotas neste verão?”


Eles são muito mais bonitos do que eu! Se quisessem, teriam o melhor verão possível!


“Tenho treino.”


Seu maldito dedicado! Kiba devia ser punido por não aproveitar a própria beleza!


“Eu estou bem… sou um hikikomori, então ficar em casa usando roupas fofas e navegando na internet já é o suficiente…”


Seu inútil crossdresser hikikomori! O Gasper é completamente inútil! Da cabeça aos pés, um caso perdido esperando uma bronca!


“Então, Ise… que tal sair comigo no Submundo? Deve dar pra arrumar tempo para um encontro…”


Como servo, eu quase chorei com a proposta da Buchou! Ela realmente me mima demais!


“Buchouuuuu! Eu vou! Vou com tudo!”


“Ara-ara… nesse caso, eu passo um tempo com o Ise no quarto. Fazendo coisas que a Buchou não parece conseguir fazer.”


Akeno-san disse isso enquanto deslizava o dedo de forma provocante sobre o próprio peito!


Buh! Sangue jorrou do meu nariz com aquelas palavras! …Isso foi erótico demais! Akeno-onee-sama! Que tipo de coisas você pretende fazer comigo no quarto!?


“Eu proíbo.”


“Eu recuso.”


Buchou e Akeno-san trocaram olhares, faíscas surgindo entre elas! Aaaaah! Elas voltaram a brigar! Por que essas duas sempre brigam por causa do carinho pelo kouhai!?


“Eu também vou para o Submundo.”


[!?]


Antes que percebêssemos, um homem bonito de cabelos negros estava sentado em um dos cantos do quarto. —Era o Azazel-sensei.


Todos nós ficamos surpresos com a aparição repentina dele.


Como governador da organização dos Anjos Caídos, que antes se opunha aos demônios, ele havia participado da conferência de paz entre demônios, anjos e anjos caídos. E, por algum motivo, foi o único que permaneceu na Academia Kuou, tornando-se professor. Além disso, agora é o conselheiro do nosso clube. Uma situação completamente surreal.


Sério… por onde esse cara entrou? Eu não senti presença nenhuma. Ou melhor, eu que não tenho sensibilidade pra isso… mas nem a Buchou ou o Kiba perceberam!


Bem… sendo o governador dos Anjos Caídos, dependendo da situação, ele seria tipo um chefão final. É impressionante ter alguém assim como aliado.


“O-Onde você entrou?”


Buchou perguntou, ainda surpresa.


“Hmm? Não é óbvio? Pela porta da frente.”


Sensei respondeu com toda a calma do mundo.


“…Eu nem senti sua presença.”


Kiba expressou seus sentimentos com honestidade. Como eu imaginava… nem mesmo o Kiba, que já alcançou o Balance Breaker, conseguiu percebê-lo…


“Isso é só falta de treinamento da sua parte. Eu entrei normalmente. Mais importante, vocês vão voltar para o Submundo, certo? Então eu vou também. Afinal, sou o [professor] de vocês.”


Sim… ele havia assumido esse papel. Como possui um vasto conhecimento sobre Sacred Gears, parece que, de agora em diante, será ele quem vai nos ensinar nossos estilos de combate.


Ele ainda tinha nos ensinado apenas o básico, mas mesmo assim parecia que todos nós, usuários de Sacred Gear — incluindo eu — já tínhamos conseguido entender algo graças a ele. Mais do que força ou liderança… esse cara é realmente bom em ensinar.


Ele explica tudo de forma incrível. Acho que ele nasceu mesmo pra ser professor ou instrutor.


Sensei tirou um bloco de notas do bolso e começou a ler em voz alta:


“A programação no Submundo é… primeiro, uma visita aos pais da Rias, com a apresentação dos demônios servos ao atual chefe da família. Depois, há o encontro anual dos jovens demônios recém-formados. Em seguida, o treinamento de vocês por lá. Eu vou principalmente por causa do treinamento. Enquanto vocês estiverem na casa dos Gremory, eu vou me encontrar com o Sirzechs. Francamente… que saco.”


Sensei soltou um suspiro. Ele realmente parece achar isso tudo um incômodo. Talvez seja porque, como líder de uma organização, ele recebe ajuda demais dos subordinados.


De vez em quando, anjos caídos que eu nem conhecia vinham visitá-lo. Diziam coisas como: “Por favor, escolha um secretário!”, “Cuide melhor da sua aparência no mundo humano!”, “Você precisa de guarda-costas pessoais!”… todos pareciam extremamente preocupados com o fato de Azazel-sensei estar vivendo aqui.


Ouvi dizer que até membros importantes da organização vinham visitá-lo.


Mas ele sempre mandava todos embora com um simples: “Tá tudo bem. Voltem. Isso é uma ordem.”


Pensando bem… somos muito sortudos por ter alguém assim nos ensinando.


Certo… vou aproveitar essa oportunidade pra me aproximar um pouco mais do meu rival, o Hakuryuukou Vali!


Do jeito que estou agora… provavelmente seria derrotado instantaneamente por ele… Eu não quero morrer antes de fazer coisas pervertidas com a Buchou e a Akeno-san!


“Então, Azazel—Sensei, você vai nos acompanhar, certo? Devemos fazer as reservas de viagem para você?”


Sensei assentiu ao ouvir a Buchou.


“Sim, por favor. Vai ser minha primeira vez entrando no Submundo pela rota dos demônios. Estou ansioso. Normalmente, uso a rota dos anjos caídos.”


Submundo, huh… Como vamos chegar lá? Vai ser por círculo mágico? O Submundo é dividido entre o território dos demônios e o dos anjos caídos… mas parece que essa divisão já não é mais tão rígida desde o acordo de paz.


Mesmo assim… eu não conseguia imaginar aquele lugar direito.


Por enquanto, mandei uma mensagem para o Matsuda e o Motohama.


[Não vou mais à praia esse verão! Vou para as fontes termais com a Buchou e o pessoal!]


A resposta veio na hora:


[Morra!]


[Vai pro inferno!]


Sim… eu vou mesmo pro inferno — quer dizer, pro Submundo. Vocês até que acertaram, meus queridos amigos.


Parte 2


No dia da viagem, o primeiro lugar para onde fomos foi… a estação mais próxima.


Todos estavam vestindo o uniforme de verão da Academia Kuou. A Buchou disse que, para entrar no Submundo, esse era o traje mais adequado.


Era a estação onde normalmente pegávamos o trem… mas por que iríamos para o Submundo a partir dali?


Enquanto eu ainda estava cheio de dúvidas, a Buchou e a Akeno-san caminharam decididamente até o elevador da estação.


Lembrei que era um elevador pequeno, que mal cabia cinco pessoas.


As duas entraram primeiro e disseram:


“Então, Ise, Asia e Xenovia, entrem primeiro. Vamos descer a partir daqui.”


“D-Descer?”


Fiquei confuso. Afinal, naquela estação, só dava pra subir.


“Vamos, parem de ficar aí parados com essa cara e entrem.”


A Buchou fez um gesto, sorrindo de leve. Nós, os novatos, trocamos olhares e obedecemos.


“Yuuto e os outros que já estão acostumados, venham depois com o Azazel.”


“Sim, Buchou.”


Kiba respondeu, e as portas do elevador se fecharam.


Com as malas grandes que estávamos carregando, o espaço ficou ainda mais apertado.


Como esperado, o painel só mostrava os andares “1” e “2”… mas—


A Buchou tirou um cartão do bolso da saia e o aproximou de um painel eletrônico.


Pi.


Um som eletrônico ecoou… o sistema reagiu ao cartão.


E então—


Gakun.


Fui tomado pela sensação de descida!


Eh!? Existe um andar abaixo!?


Nem eu nem a Asia conseguimos esconder o espanto! Xenovia apenas inclinou a cabeça, como se fosse algo curioso. Já a Buchou e a Akeno-san soltaram uma leve risada ao ver nossa reação.


“Abaixo desta estação… existe um nível secreto.”


“Buchou! Mesmo tendo crescido nessa cidade, nunca ouvi falar disso!”


“É claro que não. Essa é uma rota exclusiva para demônios. Humanos comuns não conseguiriam chegar aqui nem que tentassem a vida inteira. Existem áreas escondidas assim pela cidade, reservadas apenas para demônios.”


…Parece que existem muitas coisas nessa cidade que eu nunca soube.


Afinal… até onde vai a influência do mundo dos demônios aqui?


Continuamos descendo por mais um minuto… até que o elevador parou.


As portas se abriram, e a Buchou disse:


“Podem ir.”


Saí primeiro… e o que vi foi—


Um espaço artificial gigantesco!


Parecia uma caverna enorme!


Ou melhor… tinha estrutura de plataforma de estação. Embora um pouco diferente das do mundo humano… Espera, tem trilhos!?


Então… isso é uma estação!?


Depois de alguns instantes, Kiba e os outros também chegaram.


“Agora que estamos todos aqui, vamos para a plataforma três.”


Seguindo a Buchou e a Akeno-san, começamos a caminhar.


Uau… que lugar imenso. Parecia várias vezes maior que a estação que usamos normalmente. O teto era tão alto que dava a impressão de que um grito ecoaria por toda parte.


Não havia mais ninguém ali além de nós. As luzes nas paredes emitiam um brilho misterioso, quase mágico.


Sem que eu percebesse, Akeno-san se aproximou… e segurou minha mão de repente!


Vamos andar de mãos dadas!?


Fiquei surpreso… mas, por algum motivo, segurei a mão dela de volta — como sempre faço com a Asia.


“—”


Só isso já foi suficiente para o rosto da Akeno-san corar… e ela parecia genuinamente feliz!


Eh!? Isso é… normal!?


Aaaaah… mas quando ela reage desse jeito, tão feminina… eu não sei o que pode acontecer comigo! Mesmo sendo tão provocante normalmente, às vezes ela age como uma garota inocente… e essa diferença mexe comigo!


“……”


“…snif”


Uu… os olhares da Buchou e da Asia estavam afiados… e a Asia ainda parecia à beira de chorar. Desculpa, Asia…


Depois de seguir por alguns corredores, chegamos a um espaço aberto novamente.


Oh! Ooooooh!


Na nossa frente havia algo que parecia um trem! Digo “parecia” porque o design era bem diferente dos trens comuns.


Havia vários símbolos demoníacos esculpidos nele… Ah! É o símbolo dos Gremory! E também o do Sirzechs-sama! Isso quer dizer que—


“É um trem pertencente à família Gremory.”


A Buchou respondeu sem hesitar!


Incrível… a família Gremory até possui um trem…


Bushu.


Enquanto eu ainda estava surpreso, as portas se abriram automaticamente. Seguimos a Buchou e entramos.


Mais uma vez, percebi a escala absurda da minha mestra…


Mas aquilo ainda era só o começo.


Riiiiiiiiing.


O apito de partida ecoou… e o trem começou a se mover.


Fomos nos sentar no centro do trem. A Buchou estava no primeiro vagão à frente, e parecia que o resto do nosso grupo ficaria no vagão central logo atrás. Achei até que havia menos luxo do que eu esperava.


Eu e a Asia nos sentamos lado a lado, nos assentos voltados contra o sentido do trem, enquanto Akeno-san e Xenovia ficaram de frente para nós.


Koneko-chan, Gasper e Kiba se acomodaram nos assentos próximos. Já o Azazel-sensei estava sentado no fundo do vagão, mas—ele já estava dormindo.


O trem seguiu por alguns minutos, avançando por um túnel escuro. Me disseram que ele funcionava com um tipo especial de combustível do Submundo. Realmente… há muitas coisas sobre o mundo que eu ainda não conheço.


“Quanto tempo até chegarmos?”


Perguntei à Akeno-san.


“Devemos chegar em cerca de uma hora. Este trem atravessa a barreira dimensional por meios oficiais antes de chegar ao Submundo.”


“Eu achei que dava pra simplesmente usar um círculo mágico e ir direto…”


“Normalmente sim, mas se você e os outros novos demônios da casa não entrarem pelo menos uma vez pela rota oficial, serão punidos por entrada ilegal. Por isso vocês precisam passar pelo procedimento adequado.”


“Eh!? Sério!? Mas eu já fui pro Submundo com um círculo mágico quando fui à festa de noivado da Buchou!?”


Sim, eu tinha ido usando um círculo de teletransporte fornecido pela Grayfia-san.


Será que eu ia ser preso!? Não vai ter polícia me esperando assim que eu chegar, né!?


Akeno-san apenas sorriu, tranquila diante do meu desespero.


“Aquilo foi uma exceção especial, já que você usou um círculo secreto do Sirzechs-sama. Claro, não dá pra repetir isso.”


“E-Entendi… então fui perdoado dessa vez…”


Soltei um suspiro de alívio. Mesmo sendo um demônio, eu ainda não entendo bem as regras. Não só sou inexperiente, como sei menos do que a Asia e a Xenovia. E mesmo assim, sobrevivi até aqui…


“Já que foi um caso especial, não há problema quanto ao uso daquele círculo. Mas… talvez você seja punido por ter contato íntimo com sua mestra.”


Akeno-san levou a mão ao rosto e disse isso rindo.


“O quê!?”


Ei, ei, ei! Isso é sério!? Eu já toquei bastante no corpo da Buchou!


Já apalpei os peitos dela várias vezes… já passei a mão nas coxas dela também! E na piscina da escola, antes das férias, até passei óleo no corpo dela inteiro!


Ah… isso é ruim. Só de lembrar disso já fico excitado. O corpo da Buchou era tão macio… e ao mesmo tempo firme… aquela sensação era incrível…


Fuwa… enquanto eu me perdia nesses pensamentos—


De repente, alguém sentou no meu colo—espera, Akeno-san!?


Ela se inclinou, aproximando o rosto do meu, me olhando com um olhar provocante!


Akeno-san pegou minha mão e—


“Entre servos, esse tipo de contato é totalmente normal. Assim…”


Ela guiou minha mão até suas cooooxas!


Nuha! As pernas da Akeno-san tinham uma maciez absurda, que parecia afetar diretamente meu cérebro! Um jato de sangue saiu do meu nariz!


E então… minha mão foi—


levada para debaixo da saia dela!


I-Isso é território proibido…!


Engoli seco. Porque… porque se continuar assim, minha mão vai chegar até a roupa íntima dela…!


Ela… ela realmente está permitindo isso!?


No exato momento em que minha mão entrou sob a saia—


a mão da Asia apareceu e puxou a minha com força.

Com os olhos marejados e a boca fazendo um biquinho, ela protestou:


“A influência da Akeno-san é forte demais… o Ise-san vai virar um pervertido…”


“Ara-ara… Asia-chan, não é saudável um jovem ser um pouquinho pervertido?”


Arerê? Então já ficou decidido que eu sou um pervertido?


Mas… se isso significa poder tocar a Akeno-san, eu não me importo!


Hmm? Normalmente, a Koneko-chan já teria me dado uma bronca a essa altura, mas…


Quando olhei para ela, vi que estava apenas olhando pela janela, completamente alheia ao barulho. Não parecia a Koneko-chan de sempre… Ao lado dela, Gasper também parecia estranho, como se não conseguisse falar.


E então—


“Olha só quem fala, Asia. Esse tipo de contato entre mestre e servo é completamente natural.”


—Essa voz…!


Quando olhei, minha mestra estava ali, envolta por uma aura vermelha!


Ela estava com raiva! E ainda assim… incrivelmente linda!


Mas… por que ela está aqui!? Não era pra estar no vagão da frente!?


B-Buchou! Isso é ruim! Akeno-san estava no meu colo, com aquele olhar… e minha mão quase—


Tentei puxar minha mão de volta, mas Akeno-san levou meus dedos até a boca.


Nuchu.


Meu dedo foi sugado, com um som úmido—e entrou na boca dela!


Uhaa! A sensação… quente, macia… e a língua dela envolvendo meu dedo…


Além disso… ela começou a sugar!


Quando ela retirou meu dedo, um fio de saliva ainda ligava minha mão à boca dela… de forma incrivelmente provocante.


“Roubar algo da mestra… me anima.”


Akeno-san sorriu, desafiando a Buchou.


I-Isso é assustador… e erótico ao mesmo tempo!


“A-Akeno, isso já é—”


“Princesa Rias. Conversar com seus servos é bom, mas… não seria melhor também dar o exemplo?”


A voz da Buchou foi interrompida.


Um terceiro apareceu de repente.


Era um senhor idoso… com aparência de condutor de trem. Sua barba branca era elegante.


“E-Eu peço desculpas…”


“Hohoho… ver a jovem princesa preocupada com assuntos entre homens e mulheres… já vivi o suficiente para ver isso.”


O rosto da Buchou ficou completamente vermelho.


O homem tirou o chapéu e fez uma reverência.


“Prazer em conhecê-los, novos demônios servos da princesa. Sou Reynaldo, condutor do trem particular da família Gremory.”


Nós também nos levantamos e nos curvamos.


“P-Prazer! Eu sou Hyoudou Issei, [Peão] da Buchou Rias Gremory-sama! Conto com você!”


“Sou Asia Argento! [Bispo]! Prazer!”


“Xenovia. [Cavaleiro]. Prazer.”


Após isso, sem perceber, Akeno-san já tinha voltado ao seu lugar… parecendo levemente desapontada.


O ataque erótico da Akeno-san é assustador… nem eu consegui reagir! Será que minha castidade corre perigo!? Nossa [Rainha] é realmente incrível…


Depois das apresentações, Reynaldo tirou um dispositivo estranho e começou a nos escanear.


“H-Hã…?”


Eu, Asia e Xenovia ficamos confusos. Já a Buchou e Akeno-san pareciam entender.


“Esse é um aparelho do mundo dos demônios que verifica identidades. Como esse trem está entrando oficialmente no Submundo, todos precisam passar por inspeção. Se houver falsificação, é um problema sério.”


Entendi… ele estava confirmando se éramos realmente nós.


“Seus dados são registrados no Submundo junto com suas peças. Por isso essa verificação.”


A Buchou explicou.


Mesmo assim… quando o aparelho fez um BI-BI! em mim, quase entrei em pânico!


Mas logo depois veio um PIKON, e fomos aprovados.


“Princesa, com isso, tanto a verificação quanto a entrada oficial dos novos membros estão concluídas. Agora podem relaxar até a chegada. Há camas e refeições disponíveis no trem.”


Reynaldo sorriu gentilmente.


Então era isso… já entramos oficialmente!


“Obrigada, Reynaldo. O próximo é o Azazel?”


A Buchou olhou para o sensei… que continuava dormindo profundamente.


“…Que ousadia… dormir no trem de uma raça que até pouco tempo era sua inimiga…”


Mesmo surpresa, a Buchou sorriu.


“Hohoho… o Governador dos Anjos Caídos realmente é tranquilo.”


Reynaldo também riu.


Se é coragem ou pura cara de pau… Azazel-sensei realmente não se abala com nada.


A verificação terminou mesmo com ele dormindo… e nossa entrada no Submundo foi oficialmente concluída.


Parte 3


Cerca de quarenta minutos após a partida, enquanto jogávamos cartas para passar o tempo, um anúncio ecoou:


[Em breve atravessaremos a barreira dimensional.]


“Tentem olhar pela janela.”


A Buchou disse isso para mim, Asia e Xenovia.


Originalmente, ela deveria estar no vagão da frente por ser uma demônio de alto nível… mas parece que ficou entediada sozinha e veio passar o tempo com a gente.


Seguindo as palavras da Buchou, eu e a Asia encostamos o rosto na janela. E então—


A paisagem mudou completamente da escuridão anterior, revelando um novo cenário!


Oooh! Um céu roxo! E também—


“Montanhas! E árvores também! Hahahaha! Incrível! Incríííível!”


Acabei soltando tudo em voz alta, empolgado. Mas ao meu lado, a Asia também estava animadíssima, repetindo “Incrível, incrível!” sem parar!


Claro que estávamos assim! Era impossível não ficar!


Afinal… era a paisagem de um mundo totalmente desconhecido!


“Já podem abrir a janela.”


Com a permissão da Buchou, eu abri. O vento entrou imediatamente!


Eu já tinha respirado o ar do Submundo antes, mas… dessa vez parecia diferente. Não era algo pegajoso, era… peculiar. Ainda assim, a temperatura estava perfeita — nem quente, nem fria.


Quando afastei o rosto da janela e olhei para trás, vi que o trem havia saído de algo que parecia um buraco negro.


Aquilo era a barreira dimensional? Um túnel entre mundos?


De qualquer forma, parecia ser a passagem que conectava o mundo humano ao Submundo.


Nós tínhamos atravessado… e agora estávamos aqui!


Da minha janela, dava pra ver toda a paisagem do Submundo. Havia montanhas, rios… muitas árvores, florestas inteiras… Ah! Uma cidade! Tem casas também!


O formato era estranho, mas… ali viviam demônios, certo?


Incrível… pensando bem, eu nunca nem tinha saído do país antes.


Talvez essa seja minha primeira experiência com outra cultura… outro mundo.


E pensar que minha primeira “viagem internacional” seria literalmente para outro mundo…


Minha vida realmente é estranha.


“Essa área já está dentro do território dos Gremory.”


A Buchou disse com orgulho.


“Então… tudo isso, incluindo esses trilhos por onde estamos passando… pertence à família da Buchou!?”


Ela assentiu.


S-Sério!?


Isso é absurdo! Então aquelas montanhas, rios… e até a cidade que vimos antes… tudo isso é território dela!?


Então as pessoas que vivem ali são vassalos da família!?


Olhei para a Buchou mais uma vez… com pura admiração.


Incrível… minha mestra é rica demais! A escala é completamente absurda!


“Qual é o tamanho do território dos Gremory?”


Perguntei, sinceramente curioso.


De repente, Kiba apareceu por cima do encosto do meu banco e respondeu:


“Se não me engano… tem o tamanho de Honshu, no Japão.”


………Eh?


Por um instante, achei que tinha ouvido errado.


Mas logo caiu a ficha.


“H-HONSHUUUUU!?”


Gritei com toda a força!


A Buchou e o Kiba assentiram calmamente.


“O Submundo tem uma área semelhante à do mundo humano, mas a população é muito menor. Mesmo contando demônios, anjos caídos e outras raças, ainda assim é pouca gente. E como não há oceanos, há muito espaço disponível.”


Explicou a Buchou.


S-Sério!?


Quantas vezes eu já disse “sério” e “incrível” hoje!?


Mas como não reagir assim!?


Ou seja… se fosse no meu mundo… o território dos Gremory ocuparia quase todo o Japão…!


I-Isso é coisa de princesa mesmo…!?


Ela é rica nesse nível!?


“Mesmo sendo do tamanho de Honshu… a maior parte não é usada. É basicamente floresta e montanhas.”


B-Buchou… mesmo você dizendo isso… já ultrapassou completamente minha capacidade de compreensão…


Ao meu lado, a Asia estava com uma expressão de “?????” no rosto.


Já a Xenovia parecia ter perdido totalmente o interesse na paisagem e estava conversando com o Kiba sobre espadas do Submundo…


A Buchou então bateu palmas, como se tivesse lembrado de algo.


“Ah, é mesmo. Ise, Asia, Xenovia. Parte do meu território será concedida a vocês futuramente, então me digam que tipo de lugar gostariam.”


“P-Podemos ter nosso próprio território!?”


“Vocês são servos da futura chefe da família. É natural que vivam dentro do território dos Gremory. Akeno, Yuuto, Koneko… até mesmo o Gasper já possuem terras aqui.”


Com um pon!, a Buchou fez surgir um mapa no ar usando magia, ampliando-o diante de nós.


Era um mapa de um lugar que eu não conhecia… mas claramente era o território dos Gremory.


Ela sorriu.


“As áreas em vermelho já estão ocupadas. Mas qualquer outra está disponível. Podem escolher a que quiserem. Eu darei a vocês.”


Pai… mãe… estou vivendo algo completamente fora da realidade…


Parte 4


Por mais uns dez minutos, o trem continuou avançando por aquele mundo desconhecido.


No fim, escolhi uma área cheia de natureza — com montanhas e lagos — como meu território pessoal.


Bom… ainda vai demorar até eu realmente administrar isso… então por enquanto só escolhi mesmo.


Foi então que um novo anúncio ecoou:


[Em breve chegaremos à residência principal dos Gremory.]


Oooh… última parada!


Inclinei meu corpo para fora da janela e olhei para frente—


E então… vi uma multidão enorme!


O que é aquilo!?


Forçando a vista, percebi que eram soldados, todos uniformizados.


Essas pessoas… são o exército da família Gremory!?


“Ise, estamos chegando. Feche a janela.”


“S-Sim, Buchou.”


Seguindo suas instruções, começamos a nos preparar para descer.


O trem foi desacelerando… até parar completamente.


Gakun.


Assim que parou suavemente, descemos do vagão — com a Buchou à frente.


No entanto, apenas o Azazel-sensei não parecia ter intenção de descer.


“A-re? Você não vai descer, sensei?”


“Não. Vou continuar seguindo pelo território dos Gremory até chegar ao território dos Maou. Tenho uma reunião com o Sirzechs e os outros lá. Uma espécie de ‘convite’. Como fica de frente para a residência principal dos Gremory, depois de resolver isso e cumprimentá-los, eu volto.”


Azazel-sensei explicou isso casualmente, acenando com a mão.


Entendi… sendo o líder de uma organização, ele realmente tem uma agenda cheia.


“Então… até mais tarde, sensei.”


“Dê lembranças ao meu irmão por mim, Azazel.”


Ele apenas acenou novamente em resposta às nossas palavras.


E no instante em que eu desci na plataforma com os outros membros do clube — exceto o sensei—


[Seja bem-vinda de volta, Rias-ojou-sama!]


Um coro estrondoso ecoou!


Ooh! Levei um susto!


Logo em seguida—


Pan! Pan! Pan!


Fogos de artifício explodiram, soldados dispararam armas para o alto, e uma banda começou a tocar ao mesmo tempo! Um soldado montado em uma criatura estranha voava pelos céus, balançando uma bandeira!


Eu e a Asia ficamos completamente perdidos diante daquela recepção inesperada, nos encolhendo juntos, sem saber o que fazer.


Kiba e os outros pareciam acostumados, mas pra nós dois… aquilo era surreal!


Já a Xenovia apenas piscava, atônita.


“Hiiii… tem gente demais…”


Gasper, assustado com a multidão, se escondeu atrás de mim.


Olhando melhor, havia muitos mordomos e empregadas entre eles.


Quando a Buchou se aproximou, todos se curvaram ao mesmo tempo.


[Seja bem-vinda de volta, Rias-ojou-sama.]


Eles a receberam formalmente.


“Obrigada a todos. Estou de volta.”


A Buchou respondeu com um sorriso radiante.


Ao ver isso, os mordomos e empregadas também sorriram.


E então—


Uma figura familiar apareceu.


—Era a maid de cabelos prateados, Grayfia-san!


“Bem-vinda de volta, ojou-sama. Chegou mais cedo do que o esperado. Acima de tudo, fico feliz que tenha tido uma viagem segura. Agora, por favor, todos embarquem na carruagem. Seguiremos para a residência principal.”


Fomos conduzidos por Grayfia até uma carruagem luxuosa!


E os cavalos… definitivamente não eram comuns. Seus olhos brilhavam com uma intensidade incomum.


Seriam cavalos do Submundo?


Nossa bagagem ainda estava no trem, mas—


quando olhei para trás, várias maids já estavam retirando tudo com eficiência impecável.


Que organização absurda!


“Vou junto com meus servos. O Ise e a Asia parecem nervosos… afinal, é a primeira vez deles.”


“Entendido. Preparei várias carruagens, então podem escolher a que preferirem.”


Grayfia-san aceitou o pedido da Buchou.


Eu, Buchou, Asia, Akeno-san, Xenovia e Grayfia-san embarcamos na primeira carruagem.


Os outros foram na seguinte.


Assim que entramos, a carruagem começou a se mover, com o som ritmado dos cascos:


Pakarapakara…


Incrível… é a primeira vez que ando de carruagem!


Observando a paisagem, vi estradas pavimentadas e árvores perfeitamente podadas.


O caminho seguia reto… até que—


algo surgiu à frente.


Uma estrutura gigantesca apareceu diante dos meus olhos.


“B-Bu-Bu-Bu-Buchou… o-o que é aquele castelo enorme…?”


Apontando pela janela, mal consegui falar direito de tão chocado.


“É uma das residências principais da minha família.”


Com um sorriso sereno, a Buchou disse naturalmente: uma das residências.


…Eu… talvez tenha entrado numa família absurdamente poderosa de demônios de elite.


Do lado de fora, flores lindíssimas estavam em plena floração, fontes ornamentais jorravam água, e pássaros de cores variadas voavam pelo céu.


A carruagem avançava pelo que parecia ser o jardim da casa da Buchou.


“Parece que chegamos.”


Assim que ela disse isso, a porta da carruagem se abriu. Um mordomo fez uma leve reverência.


A Buchou desceu primeiro, e nós a seguimos. A segunda carruagem também havia chegado, e Kiba e os outros estavam descendo.


Mordomos e empregadas se alinharam dos dois lados, formando um caminho!


Um tapete vermelho se estendia até o castelo… e o enorme portão se abriu com um som pesado:


Gigigi…


“Ojou-sama, e todos os seus acompanhantes. Por favor, sigam em frente.”


Grayfia fez uma reverência e nos conduziu.


“Vamos.”


No momento em que a Buchou começou a caminhar pelo tapete—


uma pequena figura saiu correndo da fila de maids e foi direto até ela.


“Rias-nee-sama! Bem-vinda de volta!”


Um garoto fofo, de cabelos vermelhos, abraçou a Buchou.


“Millicas! Eu voltei. Você cresceu, não foi?”


A Buchou o abraçou de volta, com carinho.


“E-Ei, Buchou… quem é esse garoto?”


Perguntei.


Ela então o apresentou:


“Este é Millicas Gremory. Filho do meu irmão — Sirzechs Lucifer-sama. Meu sobrinho.”


—O filho do Sirzechs-sama!?


Ou seja… o filho do Maou!?


Uoh! Então ele é literalmente um príncipe de verdade!?


“Vamos, Millicas. Cumprimente-os. Este rapaz é um novo membro do meu grupo.”


“Sim. Eu sou Millicas Gremory. Prazer em conhecê-los.”


“E-Eu recebo sua saudação! E-Eu sou… não, eu sou Hyoudou Issei!”


Uwaaaaaah! Eu estava tão nervoso que parecia que ia entrar em curto só por falar com alguém mais novo que eu!


A Buchou falou, com um sorriso divertido:


“Como apenas quem herda o título de Maou pode manter o nome, ele é um Gremory, mesmo sendo filho do meu irmão. Além disso, é o próximo na linha de sucessão da família, depois de mim.”


Entendi… então ele vem logo depois da Buchou. Faz sentido, sendo filho do primogênito da família. Mesmo que o Sirzechs-sama tenha se afastado da casa, o filho dele ainda é um herdeiro legítimo da importante família Gremory.


Aliás… quem é a esposa do Sirzechs-sama? Já que ele tem um filho, deve ter uma parceira também…


“Vamos, vamos entrar.”


A Buchou segurou a mão do Millicas-sama e seguiu em direção ao portão.


Eu e a Asia fomos atrás, tentando não ficar para trás. Gasper continuava grudado nas minhas costas, sem soltar de jeito nenhum.


Atravessamos o enorme portão e entramos. Os portões internos também foram se abrindo um após o outro.


Então chegamos ao que parecia ser o hall de entrada.


Havia uma escadaria enorme levando ao segundo andar! Um lustre gigantesco brilhava no teto!


Gigante! Esse lugar é gigantesco! Caberia uma competição esportiva inteira aqui dentro!


“Ojou-sama, gostaria de levar todos imediatamente para seus quartos.”


Grayfia-san ergueu a mão, e várias maids se reuniram ao nosso redor.


E todas… eram lindas!


Isso também faz parte do serviço!?


“Tem razão. Também preciso cumprimentar meu pai e minha mãe depois de voltar.”


A Buchou murmurou, pensando nos próximos compromissos.


“O mestre está ausente no momento. Deve retornar ao entardecer. Ele disse que gostaria de jantar com todos juntos e conversar nessa ocasião.”


“Entendo. Muito bem, Grayfia. Então vamos deixar todos descansarem em seus quartos por enquanto. A bagagem já foi levada?”


“Sim. Os quartos já podem ser utilizados sem problemas.”


Ah… finalmente podemos descansar…


De alguma forma, tanto meu corpo quanto minha mente estavam exaustos só de chegar aqui…


Talvez por ter vindo a um mundo completamente desconhecido, vendo coisas absurdas em escala gigantesca uma atrás da outra… eu me sentia meio tonto.


A Asia, ao meu lado, também parecia meio instável.


“Ara, Rias. Então você voltou.”


Nesse momento, uma voz feminina veio do alto.


Uma mulher incrivelmente bonita, vestindo um elegante vestido, descia as escadas.


Ela não parecia muito mais velha do que nós.


E… seus peitos eram enormes!


…Hã?


Ela era muito parecida com a Buchou.


O cabelo era loiro claro, mas fora isso… eram praticamente idênticas! Apenas os olhos dela eram um pouco mais estreitos.


Será que é a irmã mais velha da Buchou?


Mas… na família Gremory, quase todos têm cabelo vermelho…


Uwah… a irmã da Buchou é absurdamente linda… acho que me apaixonei…


Assim que a viu, a Buchou sorriu.


“Mãe. Eu voltei.”


……Eh?


M-M-M-Mãe…?


Essa mulher linda é… mãe da Buchou!?


“M-M-MÃÃÃÃE!? Mas, não importa como eu olhe, essa mulher parece só um pouco mais velha que a Buchou!”


Sem conseguir me conter, gritei em choque!


Não, sério! Ela parece mais uma irmã mais velha do que uma mãe!


“Ara, que coisa mais adorável de se dizer… que sou uma jovem.”


A mãe da Buchou levou a mão ao rosto e sorriu.


Uah… até o sorriso dela é lindo…


“Conforme o tempo passa, os demônios podem alterar livremente sua aparência com magia. Minha mãe costuma manter a aparência próxima da minha idade atual.”


Entendi… entendi…


Mas ainda assim… mesmo sendo mãe… ela parece uma onee-sama quase da mesma idade da Buchou…


Isso é perigoso!


Embora minha mulher ideal seja a Buchou… eu gosto ainda mais de onee-samas!


Meu coração disparou!


Os peitos da Buchou vieram dela!


Chorei diante dessa maravilha!


Viva a genética!


A Buchou puxou minha bochecha.


“…Você sabe que não vai sair nada disso mesmo que fique olhando assim pra minha mãe, não sabe?”


Auu… parece que ela leu minha mente…


Mas também… com uma mulher tão linda, é impossível não olhar!


“Ara, Rias. Este é o Hyoudou Issei, não é?”


“V-Você… me conhece…?”


A mãe da Buchou assentiu.


“Sim. Dei uma olhada em você durante a festa de noivado da minha filha. Afinal… sou a mãe dela.”


Ah… isso é ruim. Então ela estava naquela festa… Eu estava tão focado em resgatar a Buchou que nem percebi…


Eu simplesmente invadi a importante festa de noivado da filha dela, destruí tudo… e ainda levei a Buchou embora! Será que vou levar uma bronca!? Ou ser punido!?


Eu estava apavorado, mas a mãe da Buchou apenas esboçou um leve sorriso.


— Prazer em conhecê-lo. Eu sou a mãe da Rias, Venerana Gremory. Espero que possamos nos dar bem daqui pra frente, Hyoudou Issei-kun.


Parte 5


Algumas horas depois daquele encontro no saguão de entrada, estávamos na sala de jantar. Um banquete extravagante, tão farto que eu jamais conseguiria comer tudo, estava disposto sobre pratos que pareciam caríssimos — e eu nem sabia por onde começar. Tudo parecia incrivelmente delicioso!


Nós, os demônios servos, junto com a nossa mestra, a Buchou, nos sentamos à mesa. Logo depois, chegaram o pai e a mãe da Buchou, seguidos por Millicas-sama.


Hora do jantar — acho que posso chamar assim. Ao que tudo indica, também existia “noite” neste Submundo, que originalmente não tinha sol nem lua.


O céu estava escuro. Quando olhei para cima, vi uma lua falsa flutuando ali. Disseram que não era a verdadeira, mas uma reprodução criada com magia. A escuridão da noite no Submundo havia sido ajustada para se parecer com a do mundo humano. Pelo visto, originalmente, o céu aqui era roxo. Então, quando vim aqui antes, era dia neste mundo, hein.


O fluxo do tempo também parecia acompanhar o do mundo humano. Embora o Submundo tivesse seu próprio ritmo, os Maous o ajustaram por meio de um método especial, pensando nos demônios reencarnados e naqueles que vivem entre os humanos — para evitar uma situação tipo “Urashima Tarou”. O mesmo valia ao contrário. A região dos Anjos Caídos também seguia esse padrão.


Fiquei aliviado por não estar numa situação do tipo “centenas de anos se passaram quando eu voltar” ou “fiquei séculos no Submundo, mas só alguns dias se passaram no mundo humano”.


— Sintam-se à vontade, não precisam se conter.


Assim, com uma palavra do pai da Buchou, o jantar começou.


Uma mesa enorme e alongada, um lustre extravagante no teto, até mesmo as cadeiras onde estávamos sentados eram adornadas com detalhes luxuosos… Eu não conseguia parar de olhar para o lustre. Será que até os quartos de hóspedes tinham algo assim? Não… agora, até luminárias comuns pareciam nostálgicas.


A cama com dossel também era enorme. Grande demais para uma pessoa só!


Os quartos eram espaçosos, cobertos por vários tatames… e todos vinham equipados com banheiro, sanitário, geladeira, televisão e até cozinha. Acho que também tinham quarto, sala e outros cômodos… Quando Asia e Xenovia chegaram ao meu quarto, logo depois de termos sido guiados até os nossos, ficaram completamente impressionadas.


— Haaau… e-esse quarto é grande demais pra uma pessoa só!


— …Não consigo me sentir à vontade aqui. Desculpa, mas posso ficar no quarto do Ise? A Asia também pode vir.


Para elas, que viveram de forma simples na igreja, aquele tamanho foi um choque enorme. Incapazes de se acalmar, trouxeram toda a bagagem e pediram para ficar comigo.


Depois, graças aos arranjos da Grayfia-san, ficou decidido que Asia e Xenovia dividiriam o quarto comigo… mas, bem, ainda assim sobrava espaço de sobra, então não tinha problema. Sinceramente, eu nem saberia o que fazer com tudo aquilo sozinho — ter companhia até me deixava mais tranquilo.


Voltei minha atenção para o jantar, mas… como eu deveria comer tudo aquilo? Eu até poderia perguntar aos mordomos e empregadas que estavam atrás de nós o tempo todo, mas os outros membros do clube não pareciam ter dúvidas…


Segurei o garfo e a faca, mas não consegui começar. Eu estava com fome. Mas, se comesse de forma grosseira ali, a Buchou perderia completamente a compostura. Ah, o Kiba e a Akeno-san estavam comendo com elegância. Como esperado do [Cavalo] e da [Rainha].


Asia e Xenovia também estavam tendo dificuldades, mas ainda conseguiam manter a aparência. Assim como eu, elas tinham acabado de chegar, então ainda estavam se adaptando.


O pequeno Millicas-sama comia com habilidade. Como imaginei, ele foi treinado desde cedo. Eu, vindo de uma família comum, não conseguia acompanhar esse estilo de vida aristocrático de jeito nenhum!


Quando olhei casualmente para o Gasper à minha frente, ele comia com os olhos marejados e apertados. Hoje deve ter sido um dia difícil para um hikikomori como ele, vindo para um lugar tão cheio de gente no Submundo.


Koneko-chan… ainda não tinha começado a comer. Sendo que, normalmente, ela seria a primeira a atacar o prato com vontade… Desde outro dia, ela vinha agindo de forma estranha.


Nossos olhares se cruzaram e eu acenei, mas ela desviou o olhar, mantendo a expressão neutra. Ela sempre foi pouco expressiva, mas agora parecia ainda mais distante. Hm… o que houve, Koneko-chan…?


Azazel-sensei não apareceu para o jantar. Parece que a reunião dele acabou se prolongando.


— Ahem. Membros do grupo da Rias, sintam-se em casa. Vocês acabaram de chegar ao Submundo e ainda estão se adaptando. Se precisarem de algo, não hesitem em pedir às empregadas. Elas providenciarão imediatamente.


O pai da Buchou disse isso com um sorriso. Não, eu já não queria mais nada… Ah! Será que posso pedir uma das onee-sans empregadas por uma noite? Quero um serviço ecchi das maids! Melhor ainda se elas cuidarem de mim a noite inteira!


— …Como se fosse possível. Tenho lido Galge e mangá demais…


— A propósito, Hyoudou Issei-kun.


O pai da Buchou se virou para mim. Uwah, fiquei tenso! O que ele vai perguntar?


— S-Sim!


Mas o assunto foi inesperado.


— Seus pais estão bem?


— S-Sim! Os dois estão ótimos! Q-Quando eu disse que viria para a casa da Buchou… quer dizer, para a cidade natal da Rias-sama, eles só pediram um souvenir! M-Mesmo depois da casa deles ter sido reconstruída de forma tão incrível, ainda dizem isso… são bem egoístas, né? Hahaha…


Falei em tom de brincadeira, mas…


— Hm. Um souvenir, é? Entendo.


O pai da Buchou tocou um pequeno sino ao lado. Um mordomo apareceu imediatamente.


— Qual é o seu pedido, mestre?


— Sim. Prepare um castelo para os pais do Hyoudou Issei-kun.


Um caaaastelo!? Um castelo de souvenir!? Que tipo de absurdo é esse!? Isso é alguma piada do Submundo!?


— Sim. Deve ser no estilo ocidental? Ou japonês?


O mordomo respondeu com naturalidade! Dar um castelo de presente é algo normal aqui!?


— Que escolha difícil…


— P-Perdão, mas espere um momento! D-Dar um castelo como lembrança é demais!


Tentei desesperadamente impedir o pai da Buchou. Nossos níveis de vida são completamente diferentes!


— Querido, o Japão é pequeno demais. É impossível para um plebeu ter um castelo.


Foi a mãe da Buchou quem disse isso. Muito obrigado pela ajuda! Sim, eu sou só um plebeu!


— Oh? De fato, o Japão é pequeno… Hmm, então se não pode ser um castelo, o que seria um bom presente…


— Pai, se o senhor pensar demais nisso, só vai deixá-los desconfortáveis. Os pais do Ise não são pessoas com grandes desejos materiais.


Foi a Buchou quem disse isso! Como ela conhece bem meus pais, suas palavras tinham peso.


— Entendo.


O pai dela assentiu profundamente. Ainda bem. O castelo foi evitado. Minha família não saberia nem o que fazer com algo assim — com certeza viraria assunto no país inteiro!


Por favor, não façam minha família se destacar desse jeito…


— Hyoudou Issei-kun.


— S-Sim!


Por algum motivo, o pai da Buchou continuava falando comigo. Será que ele estava tão interessado em mim? Só por eu ser o Sekiryuutei?


— A partir de hoje, você pode me chamar de “sogro”.


…O quê?


Agora que parei pra pensar, o Sirzechs-sama também pediu para eu chamá-lo de “onii-san”. Era esse tipo de coisa?


— M-Me chamar de “pai”…? I-Isso é uma honra grande demais pra mim!


Balancei as mãos, recusando apressadamente. Não, isso é impossível pra mim!


— Querido, você está indo rápido demais. Existe uma ordem para essas coisas.


A mãe da Buchou repreendeu o marido.


— M-Mas é tudo vermelho e carmesim… não te deixa feliz?


— Querido, eu disse que ainda é cedo para comemorar.


— Tem razão… eu acabo me precipitando.


O pai da Buchou suspirou profundamente. Parecia completamente dominado pela esposa.


Então, na família da Buchou, quem realmente tinha poder era a mãe dela. Se eu observar bem essa dinâmica, esse jantar pode acabar sendo um grande aprendizado pra mim.


A própria Buchou, por sua vez, estava completamente envergonhada e nem conseguia continuar comendo.


— Hyoudou Issei-san. Posso chamá-lo assim?


A mãe da Buchou me perguntou. De alguma forma… parecia que eu era o centro das atenções neste jantar.


— S-Sim! Claro!


Naturalmente, eu não tinha nenhum problema com isso, então aceitei sem pensar duas vezes!


— Pretende ficar aqui por um tempo?


— Sim. Enquanto a Buchou… quer dizer, a Rias-sama estiver aqui, eu também vou ficar… M-Mas, por quê?


— Entendo. Ótimo. Nesse caso, será perfeito para que você aprenda a se comportar como um cavalheiro. Durante sua estadia, você terá algumas aulas de etiqueta.


Hã? Aprender a me comportar como um cavalheiro? O que exatamente isso quer dizer?


Bang!


O som de alguém batendo na mesa ecoou pelo salão! Quando olhei, a Buchou já estava de pé.


— Pai! Mãe! Eu fiquei quieta até agora, mas que tipo de coisa vocês estão tentando decidir sem me incluir!?


A mãe da Buchou estreitou os olhos ao ouvir aquilo. Já não havia mais nenhum vestígio do sorriso gentil de antes.


— Fique em silêncio, Rias. Você já cancelou seu noivado com Raiser, não foi? O fato de termos permitido isso já deveria ser considerado um tratamento especial. Você tem ideia de quanto esforço seu pai e o Sirzechs tiveram para resolver a situação com os outros demônios de alta classe? Sabe que ele chegou a dizer a um nobre que “minha filha egoísta cancelou o noivado usando o dragão lendário”? Você pode ser a irmã mais nova de um Maou, mas há limites.


— Minha filha egoísta cancelou o noivado usando o dragão lendário.


Pelas palavras da mãe da Buchou… era assim que aquele incidente estava sendo visto.


…Eu fui egoísta?


Mas eu não queria que levassem a Buchou embora… e ela também disse que não queria se casar com o Raiser. Então… o que eu fiz naquela hora… foi errado?


Não… eu quero acreditar que foi certo.


— Onii-sama não tem nada a ver com—!


O rosto da Buchou se encheu de indignação enquanto ela tentava responder, mas sua mãe não permitiu.


— Quer dizer que o Sirzechs não tem relação com suas ações? Oficialmente, talvez seja assim. Mas todos te veem como a irmã mais nova do Maou. Agora que as três grandes facções formaram uma aliança, sua posição é conhecida até pelas classes mais baixas dos outros lados. Você não pode mais agir de forma egoísta como antes. E, acima de tudo, a partir de agora, todos estarão de olho em você. Rias, você entende em que tipo de posição foi colocada? Não haverá uma segunda vez para esse tipo de capricho. Não carregue pensamentos imaturos. Entendido?


A Buchou ficou visivelmente abalada com aquelas palavras e não conseguiu responder. Ainda claramente insatisfeita, ela se sentou de volta, quase à força.


Após soltar um leve suspiro, a mãe da Buchou voltou a sorrir e se virou para nós.


— Acabei mostrando algo desagradável para os membros do grupo da Rias, não foi? Voltando ao assunto… durante sua estadia aqui, você passará por um treinamento especial, Issei-san. Afinal, é importante que experimente, nem que seja um pouco, a alta sociedade e a nobreza.


Sério isso? Eu tenho que aprender a ser nobre? E o Kiba? E o Gasper? Por que só eu?


…Será que isso tem a ver com aquela conversa que meus pais tiveram com o pai da Buchou outro dia? Tipo: “Por favor, ensinem nosso filho idiota a se comportar nesse mundo refinado…”?


…Seja por causa dos meus pais ou não, eu simplesmente não consigo entender as verdadeiras intenções da família da Buchou. Apontei para mim mesmo e perguntei:


— E-Eu… por quê?


Então, a mãe da Buchou deixou o sorriso de lado e respondeu diretamente, com uma expressão séria:


— Você… é o último capricho da minha filha, a futura chefe da família. Como pais, é nossa responsabilidade cuidar disso até o fim.


Quando olhei para a Buchou, nossos olhos se encontraram — e, logo em seguida, ela virou o rosto, já completamente corado.


…Não dá.


Eu não estou entendendo nada!


Afinal… em que tipo de situação eu fui me meter…?

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