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Hige wo Soru. Soshite Joshikousei wo Hirou. - Volume 1 – Capítulo 4

Roupas

Era sábado.


Eu estava esparramado na sala, folheando o jornal. Não tinha televisão, então o jornal era meu único jeito de acompanhar as notícias.


— “Homem preso sob suspeita de ter abusado sexualmente de uma estudante do ensino fundamental, hein…”


O título me chamou a atenção enquanto eu passava os olhos pelas páginas, coçando o traseiro sem pensar.


As jovens também tinham um certo brilho especial aos meus olhos, mas eu simplesmente não conseguia vê-las de forma erótica. Até pouco tempo atrás, achava que isso era o normal. Mas, considerando a frequência com que apareciam notícias de violência contra menores, parecia que havia mais homens desejando garotas abaixo da idade do que eu imaginava.


— “Pra falar a verdade, sempre achei mulheres mais velhas muito mais atraentes…” — resmunguei, virando a página.


— “Com licença! Tô passando!”


Sayu atravessou a sala com os braços cheios de roupas lavadas e pulou por cima de mim, que estava estendido no chão.


Não esperava por isso e, sem querer, acabei vendo mais do que devia.


Ela usava uma calcinha azul-clara, de tecido leve.


O estilo era bem mais maduro do que eu imaginava, e a visão me deixou tão sem jeito que falei qualquer coisa para disfarçar.


— “Ei! Você acabou de me mostrar a calcinha!”


— “Eu tô de saia. Não tem como evitar.”


Sayu estava fazendo as tarefas de casa com o uniforme escolar de sempre.


— “Agora que você falou… você vive com essa roupa.”


— “É a única que eu tenho. Mas eu lavo, então tá limpa.”


— “Isso não torna menos estranho você ficar usando isso dentro do apartamento.”


Levantei-me, fui até minha bolsa de trabalho, peguei a carteira do lugar de sempre e dei uma olhada dentro. Havia mais dinheiro do que eu esperava. Assenti para mim mesmo e tirei uma nota de dez mil ienes.


— “Aqui, vá comprar alguma coisa. Você provavelmente consegue um conjunto inteiro naquela loja Uniclothes.”


— “O quê? Eu não posso fazer isso; me sentiria mal.”


— “Você devia se sentir pior por me mostrar sua calcinha todo dia.”


Sayu murmurou algo para si mesma, depois juntou as mãos como se tivesse acabado de ter uma ideia brilhante.


— “Vem escolher comigo!”


— “Ugh…” Fiz uma careta só de imaginar.


Visualizei Sayu e eu lado a lado comprando roupas para ela.


— “Ia parecer que eu sou seu sugar daddy.”


— “Ha-ha. É verdade.”


— “Vai comprar suas roupas sozinha. Enquanto isso, eu compro um futon pra você.”


A reação de Sayu à palavra “futon” foi explosiva.


— “Nossa, não precisa! Eu tô feliz dormindo no carpete!”


— “Você vai acordar toda dolorida dormindo assim.”


— “De jeito nenhum!”


Por que ela era tão relutante com tudo?


Eu já tinha dito que compraria. Um simples “obrigada” bastava.


— “Você literalmente acorda todo dia dizendo ‘ai, ai, ai’.”


— “Hã? Não digo nada disso!”


— “Diz sim.”


Então ela fazia isso sem perceber.


— “Eu só não me sinto bem dormindo na cama enquanto uma garota dorme no chão.”


— “Mas—”


— “Isso me incomoda, então eu vou comprar. Não tô pedindo sua opinião.”


— “Uh…”


Ora, que tipo de adulto eu seria se não tivesse ao menos uma cama extra para visitas?


Convenci-me de que não precisava, já que os únicos convidados seriam amigos homens para noites de bebedeira. Além disso, se alguma mulher viesse comigo, dividiríamos minha cama.


— “Pronto, decidido. Vá comprar roupas novas.”


— “Tá bom.”


— “Pode ficar com o troco como mesada.”


— “Hã?”


Sayu pareceu confusa mais uma vez.


— “Não, tudo bem,” disse ela.


— “Você não tem dinheiro, certo? Não dá pra passar os dias nesse apartamento vazio sem nada pra se divertir.”


— “Só ter um lugar pra ficar já é suficiente pra mim.”


Parecia que aceitar ajuda de adultos ia contra sua natureza.


Não sabia como tinham sido os adultos na vida dela até então, mas pelo menos parecia que ela sentia necessidade de se conter diante deles.


Um suspiro escapou dos meus lábios.

— “Tô dizendo que tá tudo bem, então tá. Se não usar, guarda, certo?”


— “Mas eu…”


Claramente sem convicção, Sayu baixou os olhos para o chão.


— “Você tem me tratado tão bem… Eu não sei como retribuir tudo isso.”


Suas palavras eram tão simples e honestas que, por um instante, me deixaram sem resposta.


Então não era que ela estivesse se contendo. Sua mente estava ocupada demais tentando encontrar uma forma de me compensar. Sem conseguir, não queria aceitar mais nada.


Cocei a cabeça e soltei um gemido.


Sayu era só uma garota… Por que agia assim?


— “Eu…”


Demorei a escolher as palavras certas. O que eu poderia dizer para fazê-la entender?


— “Sou um cara bem ocupado, então não tenho muito tempo pra cuidar da casa.”


Minhas palavras saíram devagar e meio desajeitadas.

 

Sayu me encarou atentamente o tempo todo.


— “Mas agora você está cuidando de tudo isso por mim. Na última semana, deixou meus momentos em casa muito mais confortáveis… Não é suficiente?”


Encontrei o olhar de Sayu, e ela rapidamente desviou, visivelmente incomodada.


Por fim, murmurou:

— “Se isso estiver bem para você, senhor Yoshida… então não me importo.”


— “Claro que está bem para mim.”


Assenti e me levantei.


Não podia sair com aquelas roupas de dormir amarrotadas. Abri o pequeno armário mobiliado e peguei algo melhor para vestir.


— “Senhor Yoshida.”


Eu acabara de puxar a parte de cima do pijama quando ouvi a voz de Sayu atrás de mim.


— “O que foi?”


Lancei um olhar em sua direção. Ela apertou os lábios, depois deixou escapar um sorriso rápido e suave.


— “Obrigada.”


— “…É.”


Respirei fundo pelo nariz e rapidamente vesti uma camiseta.


Era só isso que precisava dizer, pensei.


— “Uau! É tão macio!”


Sayu rolava de um lado para o outro em cima do futon.


Ela havia trocado o uniforme por um agasalho cinza simples. Parecia muito mais apropriado para ficar em casa, e claramente a deixava mais à vontade.


— “Você tá levantando um monte de poeira, sua boba,” brinquei, meio sorrindo.


Sayu ergueu apenas o rosto e me encarou.


— “Que poeira? Eu limpo o apartamento todo dia.”


— “…Boa observação.”


Assenti e puxei a lingueta da lata de cerveja na minha mão. O som do gás escapando reverberou agradavelmente nos meus ouvidos.


— “Ainda bem que compramos o futon, né?” perguntei antes de dar um gole.


— “É. Tenho certeza de que vou descansar bem hoje à noite.”


— “Fico feliz.”


— “Senhor Yoshida.” Sayu prendeu os olhos nos meus. “Vamos dormir juntos.”


— “Pfft!”


Eu estava preparado para ouvir um “obrigada”, mas essa proposta inesperada quase me fez engasgar com a bebida.


Fechei a boca às pressas, evitando por pouco espalhar cerveja por todo lado. Consegui engolir o gole, mas comecei a tossir violentamente.


— “T-tá bem?”


— “Você…”


Apontei o dedo para Sayu.


— “Eu já disse: se brincar com isso de novo, vou te mandar embora. Não estava prestando atenção?”


Os cantos da boca dela se curvaram num sorriso satisfeito, como quem pensa: “Eu sabia que você diria isso.”


— “Eu não falei nada sobre fazer coisas indecentes.”


— “Hã? …Ah, é, acho que não.”


— “Você é claramente a única aqui que acha que dormir com uma colegial significa sexo.”


— “Eu já disse que não tenho interesse nisso, sua boba.”


— “Será mesmo?”


Sayu riu sozinha e voltou a se rolar preguiçosamente sobre o futon.


Observei-a pelo canto do olho e levei a lata aos lábios mais uma vez. Talvez fosse só impressão, mas a cerveja parecia ter um gosto melhor do que quando eu bebia sozinho.


— “Então? Vamos dormir juntos?”


Sayu parou de rolar e lançou um olhar na minha direção.


— “Nem pensar. Vou dormir na minha cama.”


— “Tá com medo?”


— “Eu gosto de ter espaço quando me deito à noite.”


Sayu riu de forma travessa e encolheu o queixo, olhando para mim de baixo.


— “Mas eu sou bem macia, sabia? Não quer me usar como travesseiro de corpo?”


Ela apontou para si mesma, deixando claro o que queria dizer.


— “Eu vou mesmo te jogar pra fora, viu,” retruquei com um resmungo.


— “Tô só brincando!”


Ver os ombros de Sayu sacudindo de tanto rir me lembrou de como ela tinha estado mais cedo naquele dia.


Era óbvio, pela expressão, que não estava acostumada a receber gentileza de um adulto. Assim que ficava ansiosa, sua postura se retraía, a voz diminuía.


A lembrança me deixou com uma sensação de vazio.


— “Ei, garota.”


Chamei por ela, tomando mais um gole.


Dessa vez, Sayu não virou o rosto, apenas moveu os olhos na minha direção.


— “Você fica muito mais bonita quando sorri.”


Ela me encarou sem expressão por um instante, mas logo suas bochechas ganharam um leve tom rosado.


— “O quê? Tá dando em cima de mim?”


— “Eu já disse, você não é meu tipo.”


Depois de me provocar, ela se virou para o outro lado.


Mas estava corada. Eu sabia.


Não queria me repetir, mas não gostava quando uma garota ditava o ritmo da conversa. Rindo sozinho, engoli o resto da cerveja.


Crianças deveriam sorrir.


Era assim que eu realmente pensava. Além disso, uma garota cheia de sorrisos e atitude era muito mais encantadora do que uma ansiosa e retraída.


De qualquer forma, eu não tinha interesse em menores.


Fui até a geladeira com a lata vazia na mão.


Abri a porta e peguei outra, novinha.


— “Ainda bebendo?”


— “Amanhã também estou de folga, então tá tranquilo.”


Estalei a lingueta da lata gelada enquanto respondia.


Foi então que um pensamento vago me ocorreu.


Ter alguém por perto para conversar era surpreendentemente agradável.

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