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Hige wo Soru. Soshite Joshikousei wo Hirou. - Volume 1 – Capítulo 3

Fumando

"O quê? Você está louco?" perguntou Hashimoto.


Eu já esperava essa reação.


"Você também acha?"


"Bem, é loucura, não é?"


Durante o intervalo do almoço, Hashimoto me perguntou o que aconteceu depois que eu saí na noite anterior, e acabei contando sobre a Sayu.


Achei que o problema era grande demais para resolver sozinho.


Embora não parecesse, Hashimoto era bom em guardar segredos. Eu tinha certeza de que ele não ia deixar isso escapar.


"Ninguém fez um boletim de ocorrência de desaparecimento?" perguntou Hashimoto.


Balancei a cabeça. "Eu pensei nisso também. Tentei procurar por ela online depois que ela foi dormir."


"E aí?"


"Não achei nenhuma pista."


"Entendi..."


Hashimoto colocou a mão no queixo e resmungou.


"Mas, ainda assim, receber uma menina do ensino médio sem saber nada sobre a situação dela..."


"Quanto mais eu penso nisso, mais louco parece."


"Não precisa pensar para saber o quão louco é."


"Ah? O que tem de tão louco?"


Eu me levantei de surpresa.


Uma voz por trás de nós interrompeu nosso momento de reclamação. Olhei para trás e lá estava a Sra. Gotou, sorrindo para nós.


"Ah... Sra. Gotou..."


Minha expressão devia estar indescritível.


Essa era a mulher que me havia dispensado com tanta facilidade dias atrás. E agora ali estava ela, me sorrindo como se nada tivesse acontecido.


"Ah, não é nada interessante!" Enquanto eu ficava lá sem saber o que dizer, Hashimoto respondeu com um sorriso. "Eu estava fazendo umas compras online e fiz uma compra bem grande, mas acabei pedindo duas. Não sei se vão cancelar o pedido, então estou meio preocupado."


Ele ainda tinha uma mentira convincente para me cobrir. Hashimoto realmente era bem astuto.


"Isso deve ser um saco. Vocês dois estavam parecendo tão estressados que eu fiquei preocupada." A Sra. Gotou riu e acenou para nós. "Melhor vocês irem logo almoçar antes que o intervalo acabe."


"Ha-ha! A gente vai sair já!"


Hashimoto acenou de volta, todo sorridente.


Eu sorri também — um sorriso forçado — enquanto observava a Sra. Gotou virar e sair.


"...Você não conseguiu dizer uma palavra para ela, né?"


"O quê?! Ela me dispensou! O que eu deveria ter dito?!"


"Talvez um 'olá' ou algo assim, pelo menos?" Hashimoto suspirou e se levantou. "Vamos pegar algo para comer."


"É..."


Eu também me levantei.


Ai, o que a Sra. Gotou estava fazendo? Chegando aqui e puxando conversa como se nada tivesse acontecido?


Ela me rejeitou, mas, aos meus olhos, ainda parecia radiante.


A saia preta e o casaco caíam tão bem nela, e a blusa listrada azul ficava sexy mesmo ela estando toda abotoada. O cabelo castanho ligeiramente ondulado, o gloss nos lábios — tudo nela parecia tão elegante e atraente.


Droga. Parece que não vou superar ela tão cedo.


E como eu poderia esquecer...?


"Caramba, ela tem um peito enorme..."


"Yoshida, você sabe que você disse isso em voz alta, né?"


Acabei trabalhando duas horas extras.


Quando saí da estação de trem mais próxima de casa, já era nove da noite.


"Será que ela comeu alguma coisa...?"


Meus pensamentos se voltaram para Sayu, que estava esperando no apartamento.


Ela não tinha dinheiro, então deixei mil ienes com ela, achando que seria o suficiente para o almoço. Mesmo assim, se ela não tivesse jantado ainda, com certeza estava com fome.


Parei em uma loja de conveniência e peguei dois bentôs.


Enquanto caminhava para casa, as palavras de Hashimoto daquela tarde ficaram na minha cabeça.


"Não se prenda emocionalmente. Você deveria mandar ela de volta para os pais antes que se meta em encrenca."


Eu sabia que ele estava certo. Mas ainda assim...


"Está tudo bem. Eles provavelmente estão aliviados por eu ter saído."


As palavras de Sayu — e a expressão resignada em seu rosto enquanto as dizia — ficaram gravadas na minha memória.


"Nenhum adolescente deveria parecer assim", murmurei para mim mesmo.


Acelerei o passo e corri para casa.


A chave girou na fechadura, e abri a porta da frente. Assim que entrei, fui recebido por um cheiro delicioso no ar.


Logo após a entrada, havia um corredor que levava até a sala de estar, com a cozinha ao lado. Sayu estava parada logo na entrada da cozinha, com uma concha na mão.


"Ah." Ela se virou para mim. "Bem-vindo em casa... Papai?"


"Para com isso. Eu vou vomitar."


Uma sensação de alívio me invadiu.


No caminho para casa, eu tinha começado a me preocupar se ela tinha desmaiado de fome, mas se ela estava fazendo piadas, devia estar bem.


"Você sempre chega tão tarde?"


"Ah, hoje fiz horas extras."


"Então você trabalha muito às vezes."


"Não, eu sempre tenho horas extras."


"Então significa que você sempre chega tarde."


Tirei os sapatos enquanto conversávamos e dei uma espiada na panela que Sayu estava mexendo. Sopa de missô. Pelo vapor que subia da panela, dava para ver que ela tinha acabado de preparar.


"Sopa de missô de novo?"


"Não é o seu favorito?"


"Quando eu disse isso?"


Inclinei a cabeça, desconfiado, e ela caiu na gargalhada.


"Na outra noite, quando você estava quase desmaiando, você disse 'Eu quero sopa de missô...'. Então achei que você realmente gostasse disso."


"Eu realmente disse isso?"


Não tinha memória nenhuma disso.


"Mas, na verdade, sopa de missô foi tudo o que eu fiz. Desculpa."


"Não se preocupe. Eu comprei bentôs. Quer um?"


Levantei a sacola de plástico na minha mão. Ela me deu um sorriso largo e assentiu.


Fomos para a sala de estar, e percebi uma pilha de roupas dobradas com cuidado no canto. As rugas das minhas camisetas estavam todas lisas.


Ela lavou e passou tudo? Eu nem pedi.


Uma olhada rápida no chão me mostrou que toda a poeira e cabelo caído tinham sumido. Olhei ao redor para procurar o aspirador e o encontrei em um lugar diferente de onde normalmente deixava.


Ela até limpou.


Dei uma olhada furtiva em Sayu. Ela estava cantando baixinho para si mesma enquanto colocava a sopa de missô em uma tigela.


Eu tinha dito para ela cuidar da casa, mas nunca esperei que fosse tão diligente. Ela parecia bastante capaz — e ainda tinha um bom senso de responsabilidade.


Fui trocar de roupa, colocando um conjunto mais confortável.


Aí, peguei meu Marlboro Reds e um isqueiro Zippo do bolso do terno.


"Ah?"


Só então percebi que o cinzeiro que eu costumava deixar na minha mesa da sala de estar estava sumido.


"Sayu."


"Hã?"


"O que você fez com o meu cinzeiro?"


Na hora, Sayu juntou as mãos como se tivesse se lembrado de algo. Ela então pegou um cinzeiro impecável do armário.


"Desculpa", ela disse. "Eu lavei junto com os outros pratos."


"Ah, entendi. Valeu."


"Uh, claro..."


Peguei o cinzeiro e fui para a varanda.


"Hã?" Sayu chamou, confusa, de dentro.


"O que foi?"


"Ah, nada. Só estava me perguntando por que você está indo lá fora fumar."


Franzi a testa com a pergunta dela.


"O que você quer dizer?"


"Eu quero dizer, você sempre fuma aqui, né?"


"Sim."


"Então por que sair para a varanda agora?"


Não entendi onde ela queria chegar.


"Porque você está aqui."


Os olhos de Sayu se arregalaram de surpresa com a minha resposta.


Por que diabos isso era tão surpreendente?


Eu não me importava onde fumava quando morava sozinho, mas não ia fumar dentro de casa com uma não-fumante. Isso era só senso comum.


"O que é isso na sua cara?" perguntei.


"Não, eu só..." Ela desviou o olhar para o chão, pensativa. Logo, olhou de volta para mim e sorriu. "Isso é realmente gentil da sua parte."


"Hã?" A palavra saiu sem eu querer, e rapidamente fechei a boca. Péssimo hábito. Não precisava intimidar uma criança. "O que tem de tão gentil?"


"Bem, é que... Ah-ha-ha!"


Sayu deu uma risada forçada. Percebi que ela estava torcendo as mãos atrás das costas.


"Toda pessoa antes de você... fumava. Não parecia se importar que eu estivesse lá..."


Quando ouvi isso, a mistura familiar de raiva e tristeza voltou a me tomar. Por que todos os adultos na vida dessa garota eram tão inúteis? Não é de se admirar que a percepção de normalidade dela estivesse tão distorcida.


"Fumar na frente de menores. Aproveitar-se de uma colegial. Você realmente esteve cercada de lixo."


Eu canalizei minha raiva nas palavras, cuspindo-as com ênfase.


Levantei a mão segurando o maço de cigarro e a apontei para Sayu.


"Escuta. Não é que eu esteja sendo gentil. Aqueles caras é que eram lixo. Não me entenda mal."


"Uh..."


"Não abaixe seus padrões. Tenha um senso de limite adequado."


Depois de falar, coloquei a mão de volta na porta da varanda.


"Deixa eu fumar, e a gente come. Só espera um pouco."


"...Tá. Entendi."


Ouvi a resposta dela e saí para a varanda, fechando a porta atrás de mim.


Olhei de relance para dentro e vi Sayu ali, com um sorriso tímido, coçando a nuca.


Tirei um cigarro e abri o isqueiro com o polegar.


Quando acendi o cigarro, fechei o isqueiro com um estalo metálico, que ecoou no ar noturno.


Soltei uma baforada.


"...Haaaah."


Ao mesmo tempo, soltei um suspiro.


Isso realmente me fez perceber o quanto eu havia envelhecido.


Quando olhei para aquela colegial, me senti mais como um guardião dela do que qualquer outra coisa. Não conseguia imaginar como alguém poderia desejar algo de uma garota como ela.


O sorriso inexplicável de Sayu apareceu na minha mente.


Ela realmente tinha um rosto bonitinho. Um sorriso genuíno cairia muito bem nela.


Quem havia feito tanto dano à autoestima dela?


Ela até agia meio mimada. Na verdade, isso talvez fosse parte do problema. Ainda assim, ela deve ter enfrentado pessoas horríveis e ambientes miseráveis que só pioraram as coisas e a afastaram do caminho certo. A raiva começou a borbulhar novamente.


"Nada além de lixo, todos eles", murmurei, antes de dar outra tragada.


Como se eu fosse alguém para falar.


Eu estava exagerando com ela, ajudando-a a fugir. Eu também era lixo.


Estávamos todos sendo egoístas.


Cada um de nós. Até eu.


Enquanto exalava mais fumaça, tomei um momento para refletir sobre o real significado do que eu estava fazendo.

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