Goblin Slayer - Volume 1 – Capítulo 9.1
Interlúdio — A Heroína
“Ei! Matei alguns goblins! Vim fazer meu relatório!”
“Hã? Por que estão tão surpresos? Eu sei que estou sozinha. Normalmente uma pessoa não consegue dar conta de alguns goblins?”
“Hmm…? Quem é aquele ali? Parece alguém importante.”
“Um feiticeiro da Capital? Mas ele é tão baixinho!”
“Whoa, desculpa, desculpa! Não fica bravo. Eu só achei legal.”
“Meu relatório? Ah, claro. Hmm… deixa eu ver. Acho que vou começar do começo.”
“Eu cresci no Templo, mas quando fiz quinze anos tive que sair. Então decidi me tornar uma aventureira…”
“E tinha uma missão para matar alguns goblins numa caverna velha perto de uma vila. Quer dizer, todo mundo começa com goblins, não é?”
“De qualquer forma, não era bem uma caverna… parecia mais umas ruínas antigas. Pareciam exatamente como nas histórias. E lá dentro… bem… parecia meio que o Templo da cidade.”
“Ah? Goblins? Ah, sim, tinham alguns. Na verdade, um monte. Eles ficavam vindo pra cima de mim, então eu continuava cortando. Fiquei toda coberta de sangue, e eles fedem demais. Foi um saco.”
“Veneno? É pra isso que servem antídotos, né? Capacete? Aqueles negócios ficam quentes demais. Além disso, meu cabelo é muito comprido pra caber neles.”
“E então… hmm… onde eu estava mesmo? Ah, certo. Eu estava falando que parecia o Templo por dentro. Lá no fundo tinha um pedestal, e quando eu me aproximei dele encontrei um chefão enorme.”
“Ele ficou tipo: ‘Eu sou um dos dezesseis Generais do Inferno!’ ou algo assim. Todo cheio de si. Mesmo sendo só um goblin. Era um goblin, não era?”
“Bem… acho que existem goblins fortes também. Ele estava até usando magia contra mim!”
“Mas eu também tenho algumas magias. Usei Raio de Fogo… talvez umas cinco ou seis vezes? Não estava contando. Isso me deixou bem cansada, então pensei: ‘Hora de acabar com isso!’”
“Mas quando tentei esfaquear ele… minha espada quebrou!”
“Aí ele veio pra cima de mim! ‘Vou arrancar seu fígado e comer!’ ele disse. Odeio admitir, mas… digamos que eu estava usando roupa íntima limpa quando entrei lá.”
“B-bem, de qualquer forma, eu fiquei meio preocupada porque estava sem espada. Então estendi a mão para o pedestal.”
“Por quê? Bem… porque tinha uma espada enfiada nele. Igualzinha àquela do símbolo do Deus Supremo.”
“Eu não liguei se era velha. Eu só precisava de uma arma.”
“A espada saiu do pedestal num instante e, adivinha? Ela ainda estava brilhando, como se fosse novinha!”
“Depois disso não demorou muito. O chefão deu um grito horrível quando eu cortei ele ao meio.”
“‘Você pode me matar’, ele disse, ‘mas os outros quinze vão te caçar! Até os confins da terra, você nunca terá descanso!’”
“Tipo… tanto faz, né?”
“Quinze goblins, cinquenta goblins… qual é a diferença?”
“O quê? Se eu pretendo lutar contra eles?”
“…Hã?”
“Os antigos espíritos malignos voltaram? O cara que eu matei era um dos generais deles? E essa é a Espada da Luz?”
“Ah, qual é.”
“Como se.”
“Eu não posso ser a heroína lendária, posso?”
“Quer dizer…”
“Eu sou uma garota!”