Swallowed Star – Capítulo 27
Mudança
Nota: caso tenha esquecido, um “ping” equivale a 3,3 m².
Ao meio-dia daquele mesmo dia, o instrutor Jiang Nian arrastou Luo Feng para um almoço farto com alguns lutadores no quartel-general. Só à noite Luo Feng conseguiu voltar para casa, em Yang-Zhou.
××××××
À noite, as luzes da região da Margem Sul já estavam acesas.
Três homens de meia-idade, encharcados de suor, caminhavam pela rua conversando e rindo. De perto, era possível sentir o cheiro de madeira e tinta vindo deles.
— Minhas costas estão doendo demais… acho que hoje vou ter que dormir de bruços — resmungou um homem robusto, segurando a cintura com dor. — Até a próstata está incomodando… acho que está na hora de fazer um exame. Droga… mas isso custa caro.
— Velho Tian, por que não pede uns dias de folga pro chefe? — sugeriu Luo Hong Guo, pai de Luo Feng. — Descansa e volta depois.
— É, não vale a pena acabar com o próprio corpo — concordou o outro homem, um pouco acima do peso.
— Tá bom… vou indo pra casa — disse o homem robusto, virando-se em direção a um prédio em formato cônico.
Os outros dois se despediram e seguiram em direção a outro prédio semelhante.
Sob a luz fraca dos postes, Luo Hong Guo caminhava lentamente até sua casa.
— 32º andar…
Parado no térreo, ele olhou para as escadas.
Para a maioria das pessoas, subir 32 andares era algo simples hoje em dia. Mas para ele, que havia passado o dia inteiro em trabalho pesado… até andar já era cansativo.
— Meu pescoço e minhas costas estão doendo… preciso tirar um tempo pra descansar.
Mesmo assim, ele subiu… degrau por degrau, até o 32º andar.
[DING DONG] [DING DONG]
Cansado demais para procurar a chave, apertou a campainha.
[KA!]
A porta se abriu.
E ele ficou parado.
Sobre a mesa… havia um verdadeiro banquete.
Mais de dez pratos diferentes.
Nem no Ano Novo a família tinha algo assim.
— O que é isso tudo? — disse ele, ainda surpreso, mas entrando com um sorriso.
— Tan tan tan taaan! — anunciou Luo Hua, animado na cadeira de rodas. — Pai, bem-vindo!
— Pai! — Luo Feng trouxe chá e entregou a ele. — A partir de agora… você não precisa mais usar esse uniforme!
— Hã? — Luo Hong Guo ficou sem reação.
Gong Xin Lan, trazendo tigelas de arroz, sorriu:
— Luo… nosso filho assinou contrato com o Dojo dos Limites. Quando passar no exame final, vai receber dois bilhões de dólares. E também ganhou uma vila… ele trouxe até as chaves.
— O quê?! — Luo Hong Guo ficou atordoado. — Xin Lan… o que você disse?
— Pai, olha isso — disse Luo Feng, entregando o contrato.
Luo Hong Guo pegou o documento com as mãos levemente trêmulas.
Leu… palavra por palavra.
Como se estivesse segurando algo precioso demais para errar.
Tudo estava claro, direto.
— Isso… isso… — ele mal conseguia falar. — Não é depois do exame que se assina o contrato? E… dois bilhões?!
Quando Luo Feng havia passado no exame preliminar, ele tinha pesquisado com cuidado…
Normalmente, um lutador recebia apenas cem milhões.
— Pai, é porque o irmão é um gênio — disse Luo Hua, rindo de forma estranha. — Sabe o que é mais importante hoje em dia? Talento entre os lutadores!
— Então… todos nós podemos morar nessa vila? — perguntou Luo Hong Guo, olhando para o filho.
Gong Xin Lan riu:
— Se quiser, podemos ir agora mesmo!
— Ha… hahaha…
Luo Hong Guo não conseguiu mais se segurar.
Seus olhos se encheram de lágrimas.
Depois de tantos anos…
Trabalhando sem parar…
Sem nenhuma chance real de mudar de vida…
Finalmente…
— Até eu… eu, Luo Hong Guo… vou morar numa vila?! — ele riu, quase incrédulo. — Hahaha! Nem a casa daquele meu chefe desgraçado vai ser melhor que a minha!
— Isso! — Luo Hua se animou ainda mais. — Vai ter janelas enormes! Um banheiro gigante! Uma sala enorme! A TV vai ter mais de 200 polegadas! E a gente pode rolar na cama!
— Uma cama pra rolar… eu sempre quis uma!
Luo Feng olhou para o pai e o irmão…
E sentiu uma felicidade profunda.
Por que ele havia se esforçado tanto?
Era exatamente por isso.
— Pai, mãe… vamos comer — disse ele, sorrindo.
— Vou tomar banho primeiro! — disse Luo Hong Guo, animado. — E depois vou falar com meu chefe… não preciso mais desse trabalho!
××××××
Naquela noite, a casa de Luo Feng transbordava felicidade.
Durante anos, os quatro viveram naquele pequeno apartamento de apenas 36 ping.
Era apertado. Escuro. Desconfortável.
Os pais dormiam no sofá.
Quase não entrava luz.
O banheiro era minúsculo.
Havia defeitos demais…
Mas…
Era lar.
E, naquele momento, ao se despedirem… todos sentiram uma leve hesitação.
Havia memórias demais ali.
Ainda assim…
A vida segue adiante.
Na manhã seguinte, um caminhão estava estacionado diante do prédio.
A família começou a carregar seus pertences.
— Velho Luo, o que está acontecendo? Vai se mudar?
— Ô, irmã Lan, tão cedo assim?
…
Vizinhos e conhecidos surgiram, curiosos.
— Haha! Meu filho entrou para o Dojo dos Limites! Vamos nos mudar para o setor Ming-Yue! — respondeu Luo Hong Guo, cheio de orgulho. — Wang San, não esquece de vir na festa lá em casa!
Todos ali… não sonhavam com uma chance dessas?
E Luo Hong Guo conseguiu.
Por causa do filho.
— O filho do velho Luo é incrível… entrou no Dojo dos Limites!
— Pois é… quem sabe um dia o meu também consegue…
A notícia se espalhou rapidamente.
De pessoa em pessoa…
Até tomar toda a região da Margem Sul — e além.
Todos sabiam:
A família Luo estava se mudando para o setor Ming-Yue.
Um acontecimento grandioso.
E inspirador.
— Wen, quando quiser me ver, é só ir até Ming-Yue — disse Luo Feng ao amigo Wei Wen. — Mas me liga antes, preciso avisar os guardas.
— Beleza! — Wei Wen deu um soco leve no peito dele. — Eu sabia que você ia conseguir! Quem liga pra vestibular? Quantos formados conseguem morar numa vila? Vou aí em alguns dias! Nunca nem pisei numa!
Logo—
Sob o olhar de inúmeros vizinhos, Luo Feng e sua família partiram.
Um carro à frente.
Um caminhão carregado de memórias logo atrás.
Eles deixaram a Margem Sul.
E entraram no setor Ming-Yue.
××××××
Ao meio-dia, na entrada do setor Ming-Yue.
Seis soldados armados guardavam o portão.
— Parem!
Um deles ergueu o fuzil, apontando para o carro.
[CHI!]
O veículo freou bruscamente.
Luo Feng e sua família desceram.
Um velho careca saiu da guarita e riu:
— Luo Feng, certo? Quando te vi no exame preliminar, já sabia que você tinha futuro. Mas não achei que viria morar aqui tão rápido! Recebi o aviso ontem. Vamos, entrem — vamos ajudar com a mudança.
— Temos gente para isso. Empresas de mudança não entram aqui — explicou ele.
— Entendido — disse Luo Hong Guo, rindo.
Imediatamente, sete soldados correram para ajudar.
Os trabalhadores da mudança observavam, admirados.
Pouco depois…
A família Luo entrou oficialmente no setor Ming-Yue.
Luo Feng olhou ao redor.
Pontes pequenas.
Riachos.
Jardins.
E, ao centro…
O salão do Dojo dos Limites.
Vilas cercadas por água.
— A partir de hoje… este é o meu lar.
Ele virou-se.
Seus pais.
Seu irmão.
Todos olhavam, maravilhados.
— Sr. Luo Feng — disse uma jovem, sorrindo enquanto segurava documentos. — A residência nº 199 é sua. A vila possui três andares e um porão. O terceiro andar tem um grande terraço. A área total é de 512 ping. Incluindo jardim e terraço… chega perto de 800 ping.
A família trocou olhares.
E então…
Encantados…
Fitaram a enorme vila de paredes vermelhas e brancas.
Seu novo lar.
— 36 ping… quase 800… — murmurou Luo Hua, sem acreditar.