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Hige wo Soru. Soshite Joshikousei wo Hirou. - Volume 1 – Capítulo 8

Yuzuha Mishima

— Mishima!


Hashimoto se encolheu ao meu lado quando minha voz irritada ecoou pelo escritório. O ambiente inteiro ficou em silêncio por um instante, e algumas pessoas olharam na minha direção.


O alvo da minha explosão virou a cabeça lentamente para mim e inclinou-a com curiosidade.


— Sim? O que foi?


— Não vem com essa!


Levantei da cadeira e caminhei até Mishima. Nossos colegas que tinham se virado para assistir fizeram expressões que pareciam dizer “lá vêm aqueles dois de novo” antes de voltarem ao trabalho.


Cerrei os dentes diante do olhar vazio dela e levantei a voz outra vez.


— Quantas vezes eu tenho que te dizer para testar seus arquivos antes de entregá-los?!


— Mas eu testei!


— A gente não pode entregar um produto que não foi testado e comprovado que funciona. Você entende isso, né?


— Acho que sim.


— Como assim “acho que sim”?! Não tem como vender um produto com a sua parte do código cheia de erros desse jeito!


Foi só então que Mishima pareceu perceber que realmente tinha cometido um erro — e que era por isso que eu estava gritando com ela.


A boca dela se abriu, surpresa.


— Hã, sério? — disse. — Isso é bem ruim, né?


— É, é ruim mesmo. E a culpa é sua!


— O que eu faço então?


— Conserta. Hoje.


— Não tem como eu terminar hoje.


Senti como se uma veia da minha testa fosse estourar.


Por que diabos o Recursos Humanos tinha contratado alguém assim? Ela não tinha habilidade nenhuma e também não parecia ter senso de responsabilidade. Para ser sincero, nem valia o esforço.


— O prazo é amanhã, então tem que ficar pronto hoje. Sou eu quem responde por você como mentor.


Mishima ergueu as sobrancelhas, surpresa.


— …Se eu não terminar hoje, você vai ser demitido, Sr. Yoshida?


— Hã? Claro que não vou ser demitido. É só que…


Passei a mão pelo queixo.


— Talvez me tirem do projeto. Se isso acontecer, provavelmente vão designar outro mentor para você.


Seria uma bênção ter outra pessoa treinando Mishima, mas aquele projeto era resultado do meu próprio esforço, e eu tinha envolvido várias pessoas do escritório nele.


Não havia como aceitar ser retirado da equipe no meio do caminho.


— Como assim? Você não seria mais meu instrutor, Sr. Yoshida?


— Se você não conseguir consertar isso hoje, é bem provável.


Assim que ouviu aquilo, o sorriso permanente de Mishima desapareceu. De repente, ela ficou séria.


— Certo. Vou fazer — declarou.


— Ei, espera…


Mishima se virou e caminhou direto para sua mesa.


Comparado ao ritmo despreocupado com que ela normalmente se movia pelo escritório, aquilo parecia quase uma corrida.


— O que deu nela…? — murmurei para mim mesmo.


Eu costumava ser direto e severo com Mishima, então sempre imaginei que ela preferiria ter outra pessoa como instrutor.


E, no entanto, no momento em que mencionei essa possibilidade, ela pareceu abalada.


Bem, enquanto ela estivesse levando o trabalho a sério, era isso que importava.


Assenti e voltei para minha mesa.


— Mais problemas? — perguntou Hashimoto.


— O código dela transformou o sistema que eu projetei em algo irreconhecível.


— Que mulher…


Hashimoto estava me provocando de novo, como se aquilo não tivesse nada a ver com ele.


Enquanto falava, seus olhos nem saíam do monitor. Parecia ter uma pilha enorme de trabalho para fazer — não só as tarefas dele, mas também as coisas que eu tinha empurrado para ele.


— Mas pelo menos parece que ela começou a levar o trabalho a sério.


— Como você consegue ver ela se está tão focado na tela?


— Eu sempre fico com um olho no computador e o outro observando o escritório. Assim, se algum gerente que eu odeio aparecer na esquina, eu posso fugir pro banheiro num instante.


— Você é esperto demais para o próprio bem.


Mas era verdade. Sempre que algum superior me pegava, Hashimoto simplesmente não estava em lugar nenhum. Eu também queria aprender a prestar mais atenção ao que acontecia ao redor.


Abri a ferramenta de programação e dei uma olhada em Mishima.


Em qualquer outro dia, ela estaria olhando para os lados, se espreguiçando e parecendo totalmente distraída. Mas agora estava completamente concentrada.


— …O que deu nela? — murmurei, voltando ao trabalho.


Era ótimo que ela finalmente estivesse levando aquilo a sério, mas, para ser sincero, ela não tinha habilidade nenhuma.


Eu esperava que nada do que ela entregasse fosse realmente útil e que, no fim, eu mesmo teria que refazer tudo. Precisaria terminar meu próprio trabalho o mais rápido possível.


Soltei um pequeno suspiro e comecei a digitar.


— Hehe! Bom trabalho!


— É…


Estávamos em um bar animado daqueles de preço fixo, onde você pode pedir vários tipos de bebidas e petiscos pelo mesmo valor. Mishima bateu o copo no meu para brindar.


Por algum motivo, eu tinha concordado em sair para beber com ela depois do trabalho.


Ela levou o copo de Cassis Orange até os lábios e deu um gole. Eu tomei um grande gole da minha cerveja de chope. Minha garganta se contraiu quando o álcool desceu, enviando uma sensação refrescante direto para o cérebro.


— Sim! Fico tão feliz que conseguimos entregar o produto!


— Nem me fale.


Sorri de lado e dei mais um gole de cerveja.


Algumas horas antes…


Inacreditavelmente, Mishima tinha entregado um conjunto de dados completamente perfeito.


Eu achava que ela levaria até a noite para corrigir tudo — e mesmo assim não esperava nada realmente utilizável. Então, quando vi os dados, senti meus olhos se arregalarem de surpresa.


Graças a ela ter enviado as correções cedo, consegui me concentrar no meu próprio trabalho e sair do escritório no horário.


Foi então que Mishima, de repente, fez a pergunta.


— Que tal irmos beber alguma coisa, Sr. Yoshida?


Depois de todas as broncas que eu tinha dado nela, um convite para beber juntos era a última coisa que eu esperava.


Por um momento, me preocupei com o que Sayu teria para o jantar, mas sabia que ela provavelmente conseguiria preparar alguma coisa sozinha. Também havia dinheiro de emergência em casa para ela.


Bem, de vez em quando não faz mal, pensei comigo mesmo.


E então assenti para a sugestão de Mishima.


— De qualquer forma, se é assim que você trabalha quando resolve se concentrar, então deveria fazer isso o tempo todo!


— Fweh!


Enquanto eu falava, Mishima estava ocupada enfiando um pedaço de frango grelhado na boca.


— Wawad mmnnm—


— Ei, calma aí! Termina de mastigar antes de falar!


Mishima começou a mastigar freneticamente o espetinho de frango.


Eu já estava agradavelmente tonto por causa do álcool enquanto assistia à batalha intensa dela contra a comida.


Ela tinha o cabelo castanho-avermelhado, quase na altura dos ombros, levemente curvado para dentro, em direção ao rosto. Seus olhos eram grandes e brilhantes, e ela tinha uma boca e um nariz pequenos e delicados. Resumindo, tinha uma aparência bem “fofa”.


Sempre que o nome dela surgia nas conversas dos chefes durante as bebidas depois do trabalho, sua aparência recebia muitos elogios dos “velhotes” da mesa. Eu não tinha dúvida de que a fofura dela tinha ajudado na hora de ser contratada.


Afinal, quando um grupo de recém-formados tem níveis de habilidade parecidos, muitas vezes quem consegue o emprego são os mais bonitos. Aqueles velhos da empresa provavelmente estavam mesmo procurando um colírio para os olhos.


— O-o que foi?


Enquanto eu a observava, Mishima finalmente conseguiu terminar de mastigar. Agora ela olhava para os lados, claramente inquieta, mexendo no cabelo.


— Ah, desculpa.


Pensando bem, devia ser difícil ficar à vontade com alguém te encarando enquanto você come.


— Eu estava pensando que você seria muito mais popular se fosse melhor no trabalho.


— Hã, sério? — disse Mishima, falando um pouco enrolado. — Acho que a maioria das pessoas na nossa empresa prefere mulheres incompetentes.


— O quê?


Mishima deu uma risadinha ao ver a careta que surgiu no meu rosto.


— É verdade, é verdade! Você é o único que me dá bronca quando eu erro, Sr. Yoshida!


— Sério? E os outros velhotes? Eles não dizem nada?


Mishima ficou com a postura rígida e respondeu com uma voz estranhamente grossa.


— “Você não tem jeito mesmo. Deixa isso comigo.” — Ela fez uma expressão como se estivesse se achando o máximo.


— O quê—? Quem fala assim?! Isso é nojento vindo de um velho. Anda, me conta. Quem é?


— …O Sr. Onozaka.


— O quê—? Hahaha! Essa foi boa!


Meus ombros tremiam enquanto eu batia na mesa, rindo.


O diretor Onozaka era um pouco famoso entre os colegas pelo apelido de “Cabeça de Código de Barras 2D Tarado”.


Uma vez o computador dele travou, e quando Hashimoto foi consertar, descobriu que o problema tinha sido causado por um vírus que ele pegou em um site chamado “Você Vai Go— com Isso! Coleção Top de Anime”.


Esse episódio, combinado com o penteado dele — uma tentativa de esconder a calvície que parecia um código de barras — foi o que originou o apelido.


Eu já tinha ouvido histórias de ele dando em cima de vários funcionários novos, e parecia que Mishima tinha sido mais uma das vítimas.


— Entendi. Então era o Cabeça de Código de Barras — falei.


— Ei—! Que maldade chamar ele assim! — reclamou Mishima, embora estivesse rindo.


— Então qual é a sua? Está admitindo que só fica enrolando para agradar seus chefes?


Meu rosto ficou sério de repente, e Mishima, claramente confusa, balançou a cabeça com força.


— Claro que não. Eu não ligo para isso.


— Então o quê? Você consegue fazer seu trabalho, então simplesmente faça.


— Ah, é mesmo. Eu queria dizer isso antes.


Mishima virou o copo novamente e soltou um pequeno suspiro pelo nariz.


— O que uma pessoa deveria fazer se já está dando o seu melhor… mas dizem para ela se esforçar ainda mais?


— …Hã?


Eu não estava entendendo onde ela queria chegar.


— Então ela se esforça ainda mais, eu acho — respondi.


— E se depois disso pedirem para ela se esforçar ainda mais?


— Então ela se esforça de novo.


— Hahaha. Mas isso vai matar a pessoa!


Mishima abanou a mão diante do rosto e colocou um pedaço de cebola do espetinho de frango na boca.


— Donyoo ee—


— Eu disse para terminar de comer primeiro!


Um pequeno sorriso apareceu no meu rosto enquanto eu repetia a bronca, e Mishima rapidamente mordeu a cebola.


Ela engoliu com um grande gole e soltou o ar.


— Você não acha que só é possível dar tudo de si quando realmente importa… se a pessoa pega leve no resto do tempo?


— Na nossa empresa sempre tem alguém colocando pressão. Você trabalha lá, sabe disso. Todo dia é corrido, então sempre é “a hora certa” de se esforçar.


— Sério? Eu não acho isso nem um pouco.


Ela soltou um pequeno bufar e levantou o dedo indicador.


— Quer dizer, mesmo que eu não estivesse lá, o trabalho ainda seria feito, certo?


— Sim, mas isso é porque você é novata.


— Hum… talvez. Mas mesmo assim…


Mishima estreitou os olhos diante da minha resposta e então sorriu de forma provocadora.


— Acho que os projetos também seriam concluídos mesmo se você não estivesse lá, Sr. Yoshida.


— O quê—?


Eu queria retrucar, mas minha mente ficou em branco.


Nosso trabalho continuaria bem sem mim? Eu nunca tinha pensado nisso.


Para falar a verdade, eu sempre tive a sensação de que muitas pessoas no escritório dependiam de mim. Depois de cinco anos, eu tinha um bom histórico, e a maioria dos projetos nos quais eu me envolvia acabava dando lucro.


Eu sou necessário! Sempre acreditei nisso, mesmo que fosse um pensamento egoísta. Nem sequer tinha considerado a possibilidade do contrário.


— Hehe. Bom… eles com certeza ficariam em apuros sem você, Sr. Yoshida.


— …É.


— Mesmo assim, ainda que fosse difícil, acho que eles dariam um jeito.


Mishima assentiu, como se estivesse concordando consigo mesma, e continuou.


— O que quero dizer é que acho que todo escritório cheio de viciados em trabalho precisa ter alguém de reserva. Alguém que possa assumir quando eles se desgastarem completamente.


— …E você está dizendo que essa pessoa é você?


— Exatamente!


Ela fez um sinal de paz com a mão direita e abriu um grande sorriso.


Diante de uma expressão tão inocente, tudo o que consegui fazer foi soltar um suspiro.


— Mesmo assim, como seu superior, ainda acho que você deveria tentar fazer as coisas da melhor forma possível…


— Mas eu fiz isso hoje, não fiz?


— É… acho que é verdade.


Forcei um sorriso enquanto esvaziava meu copo.


Não estava com vontade de entrar em modo de sermão enquanto bebíamos. Pelo menos eu sabia que Mishima conseguia trabalhar direito quando se esforçava. Isso já era uma boa notícia para mim.


— Você é uma pessoa muito gentil. Sabia disso, Sr. Yoshida?


— Hã?


Franzi a testa para ela.


— Eu sou?


— É sim. Você se dá ao trabalho de me disciplinar de verdade — respondeu Mishima, olhando diretamente para mim. — Deve ser cansativo ficar explicando as coisas o tempo todo para alguém que nunca melhora.


— Se você sabe disso, então pare de dar motivo para isso acontecer.


— Normalmente, quando alguém não entende algo depois de ouvir algumas vezes, as pessoas logo rotulam como “inútil” e desistem dela. Até os chefes que são gentis comigo geralmente só agem assim porque querem que eu goste deles.


Conforme Mishima falava, seu jeito leve e despreocupado foi dando lugar a algo diferente.


Ela parecia mais reflexiva, mais serena. Era como se eu estivesse vendo um lado totalmente novo da personalidade dela.


— Mas você, Sr. Yoshida… você fica bravo comigo de verdade.


— É porque você realmente demora para aprender.


— Hehe! Você está me deixando corada!


— Isso não foi um elogio!


Ela riu baixinho e também esvaziou o copo.


— Ah, com licença! Mais um, por favor.


Ela entregou o copo dela e o meu ao atendente enquanto pedia outra rodada.


— Vai continuar bebendo? — perguntei.


— E você não vai?


— Se você for, acho que eu acompanho.


— Hehe. Por favor!


Mishima surpreendentemente aguentava bem bebida.


Eu tinha imaginado que ela não bebia muito, já que tinha começado com um coquetel. Mas vê-la pedir outro copo logo depois do primeiro me deu a impressão de que ela tinha bastante confiança na própria resistência ao álcool.


— Ah, continuando de onde paramos… — disse Mishima, mexendo no cabelo. — Bem… hum… já que estávamos falando disso…


Ela parecia um pouco nervosa.


O que tinha dado nela de repente? Será que não estava se sentindo bem?


Olhei para Mishima com curiosidade, e ela desviou o olhar para o chão ao lado, com as bochechas ficando coradas.


— Eu quero que você continue sendo meu mentor, Sr. Yoshida. Não quero mais ninguém.


— Ah… é mesmo?


Por que ela estava tão tímida ao dizer isso? Aquilo estava me deixando constrangido também, e eu não gostava disso.


— Então eu só vou me esforçar quando a situação ficar ruim!


— Não! Eu preciso que você se esforce o tempo todo! — gritei.


Mishima soltou uma risadinha divertida.


Eu tinha certeza de que logo ela voltaria à sua atitude relaxada de sempre.


Mas, ainda assim…


O atendente chegou com nossa segunda rodada, e eu olhei para Mishima enquanto ela levava o copo aos lábios.


Provavelmente era bom eu ter descoberto um pouco mais sobre ela. Caso contrário, eu continuaria ficando irritado sem nem entender o motivo.


Relaxeii a boca e tomei um gole da minha cerveja nova, ainda cheia de espuma.


— Ah, isso me lembra uma coisa — comentou Mishima. — Ultimamente você tem se barbeado todos os dias, não é?


— Hã? E daí?


— Nada… Só pensei que talvez você tivesse começado a sair com alguém.


— O quê—?


Franzi a testa, e Mishima balançou as mãos rapidamente em sinal de desculpa.


— N-não, é que antes você se barbeava mais ou menos a cada três dias. E agora, de repente, todo dia. Achei que talvez estivesse fazendo isso por causa de uma namorada ou algo assim!


— Você estava prestando tanta atenção assim na minha barba?


O rosto de Mishima ficou completamente vermelho.


— N-não! Claro que não! Não fala como se eu tivesse um fetiche por barbas!


— Calma. Eu não disse nada sobre fetiche.


— É que você vive brigando comigo, então eu acabo olhando muito para a sua boca! Não era de um jeito estranho, eu juro!


— Como alguém olha para uma barba de um jeito estranho?!


Será que ela realmente não tem um fetiche por barba?


Soltei um riso pelo nariz antes de responder.


— Não, eu não tenho namorada. Na verdade, fui rejeitado.


Mishima ficou me encarando, boquiaberta.


Que cara era aquela?


— Rejeitado? Por quem?


— Pela Srta. Gotou.


— Pela Srta. Gotou?!


Mishima repetiu aquilo em voz altíssima.


Alguns funcionários de escritório que estavam sentados ao nosso lado olharam para ela. Ao perceber isso, ela pigarreou.


— …Então esse é o seu tipo?


— Tem algum problema?


— Você gosta das que têm um corpo bem ampulheta, hein?


Enquanto falava, ela desenhou no ar uma silhueta exagerada: grande, fino, grande de novo.


— Isso mesmo.


— Hm…


Mishima estreitou os olhos e fez uma careta. Não era da conta dela do que eu gostava.


— Enfim, sinto muito que ela tenha te dado um fora. Mas não se preocupe… você vai se recuperar.


— Cala a boca. Não preciso da sua simpatia falsa.


— Ah, não. Eu não estou com pena de você.


A expressão azeda de Mishima de repente se transformou em um sorriso doce.


— Na verdade, isso é uma sorte para mim!


— Hã?


Como se estivesse evitando responder, Mishima virou o resto do coquetel de uma vez.


— Garçooom!


— Ei, não! Isso foi rápido demais!


— Mas eu quero continuar bebendo!


— Tá bom…


Eu tinha dito que ia acompanhar, então agora não podia parar de beber.


Eu tinha quase certeza de que tinha dinheiro suficiente na carteira, pelo menos. Soltei um suspiro e levantei meu copo de cerveja, acelerando o ritmo.


Quando Mishima mencionou a palavra namorada, o rosto de Sayu me veio brevemente à mente.


Eu tinha começado a fazer a barba porque ela tinha pedido.


Tomei mais um gole distraído da cerveja, e o pensamento desapareceu tão rápido quanto surgiu.


— Você demoroooou muito… — reclamou Sayu, se jogando no futon.


— Eu sei. Desculpa.


— Eu fiz jantar pra vocêêê!


— Eu disse que sinto muito.


Era um pedido de desculpas sincero.


Quando cheguei em casa, Sayu estava de péssimo humor.


Acontece que Mishima bebia muito.


Ficamos no bar até ela finalmente se dar por satisfeita, e ela manteve o mesmo ritmo por mais de duas horas.


No fim, eu parei de tentar acompanhar e passei a me concentrar em terminar os petiscos dela.


Eu tinha saído do trabalho no horário, mas já passava das dez da noite quando cheguei em casa.


Sentado de joelhos no chão, observei Sayu virar o rosto abruptamente na minha direção.


— …Era uma mulher?


— …Bem, sim.


Uma subordinada preguiçosa do trabalho, para ser mais preciso.


Foi Sayu quem fez a pergunta, mas minha resposta pareceu pegá-la de surpresa. Depois de um pequeno atraso, ela soltou um forte sopro pelo nariz.


— Ugh! Então você saiu com uma mulher em vez de comer a comida que eu fiz?!


— Eu já disse que sinto muito! E sinto mesmo!


— Foi divertido beber com ela?!


Essa garota era um verdadeiro pé no saco!


Claro, eu não podia dizer isso. Afinal, ela tinha feito jantar para mim.


Enquanto eu ficava ali em silêncio, angustiado, Sayu começou a tremer levemente.


Minha mente corria tentando entender o que ela estava pensando, quando de repente ela levou a mão à boca.


— Heh… hehe…


Aparentemente, ela estava me provocando o tempo todo.


Sayu estava se esforçando para segurar o riso.


— Ahahaha! Ah, você é muito engraçado! Calma, eu não estou realmente brava.


— Mas que diabos…? Você estava me zoando?


— Você é muito bobo, Sr. Yoshida, pedindo desculpa desse jeito. Hehe!


Ela caiu na gargalhada e se levantou.


— Mas trate de comer as sobras no café da manhã amanhã.


— Tá bom, eu como — respondi.


Sayu sorriu e se jogou de volta no futon.


— Você não está muito bêbado hoje, Sr. Yoshida.


— Eu tenho trabalho amanhã. Quem fica bêbado em dia de semana?


— Você estava completamente bêbado na noite em que me conheceu.


— Eu… tinha acabado de levar um fora — respondi, com uma expressão amarga. — E tinha tirado folga no dia seguinte.


Sayu deu uma risadinha.


— Você gostava tanto assim dela, hein?


— …É, acho que sim.


Assenti enquanto respondia, e Sayu fez outra pergunta com um grande sorriso no rosto.


— O que você gostava nela?


O que eu gostava na Srta. Gotou…?


Eu disse a primeira coisa que me veio à cabeça.


— Os peitos dela.


— Que honestidade!


Ela começou a rir de novo.


Eu não fazia ideia do que havia de tão engraçado. Eu estava falando totalmente sério.


Seja Sayu ou Mishima, eu simplesmente não suportava quando as mulheres passavam a controlar o ritmo da conversa daquele jeito.

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