Goblin Slayer - Volume 1 – Capítulo 11
Um Grupo de Aventureiros
“Fugir? Como assim?”
A garota na cozinha preparando o café da manhã — a Cow Girl — ficou atônita com aquelas palavras.
“Por quê?”
“Encontrei pegadas.”
Ela entendeu, ainda que vagamente, o que aquilo significava.
Alguém sem experiência poderia pensar que eram pegadas de crianças… ou alguma travessura de fadas.
Eram pequenas.
Marcas de pés descalços, sujos de lama e excremento.
Pés de alguém que não se importava em pisotear a grama do pasto.
Ela sabia.
Confiava que ele sabia.
E ambos sabiam que o momento finalmente havia chegado — por mais que tivessem desejado que nunca chegasse.
“Goblins.”
Ele — Goblin Slayer — sempre falava de goblins.
Estava ali, de pé, ao lado da mesa, com armadura e elmo.
Era estranho… mas ao mesmo tempo, era o normal.
O que não era normal era ele abandonar a inspeção da fazenda para vir dizer que ela precisava fugir.
Ela parou de cozinhar e olhou para as próprias mãos.
O que deveria dizer?
Buscou as palavras certas.
“Mas… você pode impedir eles, não pode?”
Ela queria ouvir uma resposta comum.
“Sim.”
“Posso.”
“É o que pretendo.”
Precisava ouvir aquele tom calmo.
“Não,” ele disse. “Não posso.”
A voz dele parecia pequena.
As palavras saíam como se estivessem sendo arrancadas à força.
O quê…?
Um som de surpresa e confusão escapou de seus lábios.
Ela se virou rapidamente — e o viu tremendo levemente.
“Dentro de uma caverna… eu conseguiria enfrentar cem goblins e vencer. De alguma forma.”
Ele… estava com medo?
Ele?
Os olhos dela se arregalaram.
A fazenda era cercada por uma cerca, por um muro de pedra — defesas que ele mesmo havia reforçado.
Havia armadilhas também, para animais.
Não era perfeito.
Mas ela sabia que ele tinha feito tudo o que podia para protegê-los.
Enquanto o observava, ele baixou o olhar por um instante — como se hesitasse — mas logo voltou a encará-la.
Ou tentou.
“Nosso inimigo é um lorde,” disse, seco.
Havia dez conjuntos diferentes de pegadas.
Uma horda capaz de atacar um lugar bem protegido — e ainda enviar dez goblins para reconhecimento — só podia ter um líder.
Um hob… um xamã… talvez.
Não.
Nessa escala, só podia ser…
Um Goblin Lord.
Alguém que não soubesse melhor poderia rir da ideia.
Mas ele sabia.
Sabia exatamente o que aquilo significava.
Muito provavelmente, havia mais de cem goblins.
Se batedores já tinham passado por ali, o ataque viria hoje — ou, no máximo, amanhã.
Não havia tempo para pedir ajuda aos nobres ou ao governo.
E mesmo que houvesse… eles não se importariam com meros goblins.
Goblin Slayer sabia disso.
Cow Girl também.
Porque foi assim… dez anos atrás.
“Uma horda de goblins…?”
Mais de cem criaturas cruéis vindo direto para eles?
“Eu não sou rank Platina… não sou um herói.”
Eles não tinham números.
Não tinham força suficiente.
Isso significava—
“Eu não posso.”
Por isso.
“Você precisa fugir.
Agora… enquanto ainda dá tempo.”
Cow Girl deu um passo à frente, ficando bem diante dele.
Encarou o elmo.
Quando teve certeza de que ele não diria mais nada, murmurou:
“Tudo bem.”
“Já decidiu?”
“Sim.”
Ela respirou fundo.
Havia três coisas em seu coração — três coisas que precisava dizer.
“…Desculpa.”
Depois da primeira, as outras vieram mais fáceis.
“Eu não vou embora.”
Ela forçou um sorriso em seus lábios tensos.
Não deixaria que ele perguntasse o porquê.
Ele já sabia.
“Porque você vai ficar… não vai?”
Ele não respondeu.
“Viu? Eu sabia. Você fica quieto quando é pego. Sempre foi assim.”
“Eles não vão só te matar.”
“Eu sei,” disse ela, tentando parecer calma.
A voz dele soava fria.
Ele estava se esforçando mais do que ela para manter o controle.
“Eu vi.”
“…Eu sei.”
Ela sabia exatamente o que ele queria dizer.
Sabia por que ele lutava.
Sabia por que continuava lutando.
Sabia de tudo.
“A horda pode ser repelida um dia,” disse ele, como se explicasse a uma criança.
“Mas não pense que será salva. Mesmo que sobreviva… seu espírito será destruído.”
A intenção dele era clara.
Ele estava tentando assustá-la.
Eu também não vou conseguir te salvar.
Era tão óbvio que ela quase riu.
Claro… ele não estava errado.
Mas ainda assim—
“Então fuja.”
“Eu já disse que não.”
Apesar de tudo, ela se sentiu… feliz.
Saber que ele se preocupava com ela.
E ela também se preocupava com ele.
Precisava fazê-lo entender isso.
“Eu não quero que isso aconteça de novo.”
As palavras saíram sozinhas.
“Não vai ter mais lugar pra você voltar…”
E, em silêncio, completou dentro de si:
Nem pra mim.
Não havia outro lugar que ela pudesse chamar de lar.
Já haviam se passado dez anos… e, ainda assim, nem mesmo esse lugar ela tinha certeza de poder chamar de casa.
Ele a observava de longe, em silêncio.
De algum ponto nas profundezas escuras do elmo, ele a encarava.
Sob aquele olhar, ela sentiu um calor súbito subir ao rosto.
Desviou os olhos, corando, e passou a encarar o chão.
Mesmo se repreendendo por aquilo — por ser tão boba —, as palavras continuaram a sair, como se buscassem alguma justificativa.
“E-eu quero dizer… pensa bem. Mesmo que a gente fuja, os animais… as vacas, as ovelhas… tudo seria perdido.”
Silêncio.
“E depois disso…”
Silêncio.
“Entendo.”
Duas palavras, quase um sussurro.
“É…” ela respondeu, também em voz baixa.
“Eu… me desculpa. Eu sei que estou sendo teimosa.”
“…Não faz essa cara. Fica tranquila.”
Ela sorriu.
Um sorriso frágil, com lágrimas se acumulando nos cantos dos olhos.
Devia estar realmente abatida… para ele dizer algo assim.
“Eu vou fazer o que puder,” disse ele.
E então — Goblin Slayer — virou-se de costas para ela.
Fechou a porta, atravessou o corredor e saiu.
Seu olhar percorreu toda a fazenda, como se estivesse gravando cada detalhe na memória, e então ele seguiu pela estrada rumo à cidade.
Isso era estupidez.
Ela poderia ter fugido para a cidade.
Ou ele poderia tê-la nocauteado, amarrado, e levado para um lugar seguro.
Por que não fez isso?
Por que não a obrigou a ir embora?
Havia apenas uma razão.
Ele não quis.
Não queria fazê-la chorar de novo.
“Eu devo proteger as garotas…”
“…Você.”
Goblin Slayer estava falando sozinho — mas recebeu uma resposta.
Ao seu lado, de braços cruzados, estava o dono da fazenda.
Ele tinha ouvido… ou talvez apenas escutado por acaso.
“Pelo menos devia se despedir antes de sair,” disse ele, com desprezo, lançando um olhar duro.
Goblin Slayer, na verdade, concordava.
O tio havia assumido tudo, protegendo-os como podia.
“Me desculpe. Eu…”
O homem o interrompeu bruscamente.
“Ela é uma boa garota.”
As palavras saíram apertadas, num rosto carregado de dor.
“Cresceu muito bem.”
“…Sim.”
“Então não faça ela chorar.”
Goblin Slayer ficou em silêncio, sem saber como responder.
Se fosse apenas dizer algo — qualquer coisa —, ele poderia facilmente mover os lábios e falar.
Mas, depois de pensar por um momento, decidiu dizer apenas a verdade.
“Eu… vou tentar.”
Às vezes, ele odiava não conseguir mentir.
Com aquelas palavras pesando sobre si, começou a caminhar.
A Guilda dos Aventureiros estava movimentada outra vez.
Cheia de vozes, de equipamentos sendo preparados, de risadas.
Aqueles que haviam partido para enfrentar o caos tinham retornado.
Claro… nem todos voltaram.
Mas ninguém falava disso.
Alguns haviam caído para monstros — em cavernas, ruínas, planícies ou montanhas.
Outros seguiram caminhos diferentes, enriqueceram, ou simplesmente abandonaram a vida de aventureiro.
Ninguém buscava saber o destino deles.
Aqueles que não voltavam… desapareciam aos poucos da memória coletiva.
Esse era o fim de um aventureiro.
Por isso, quase ninguém olhou quando o sino tocou e ele entrou — com sua armadura de couro simples, o elmo, o pequeno escudo preso ao braço e a espada ridícula na cintura.
“Olha só, Goblin Slayer,” disse o Lanceiro, com ironia. “Quem diria que você ainda estava vivo.”
Alguns outros reagiram de forma parecida.
Achavam que ele estava em alguma missão longa — ou simplesmente descansando.
O homem que aparecia todos os dias perguntando por goblins já fazia parte da paisagem da Guilda.
Goblin Slayer entrou com seu passo firme de sempre.
Mas não foi até seu lugar junto à parede.
Nem ao balcão.
Seguiu direto para o centro do salão.
Os aventureiros próximos olharam, intrigados.
Ninguém podia ver sua expressão por trás do elmo.
“Com licença. Por favor, me escutem.”
Sua voz era baixa — suave —, mas atravessou o barulho da Guilda com clareza surpreendente.
Pela primeira vez, quase todos no salão olharam para ele.
“Tenho um pedido.”
Um burburinho se espalhou.
“Goblin Slayer… pedindo alguma coisa?”
“Eu nunca ouvi ele falar assim.”
“Ele não trabalha sempre sozinho?”
“Não, ele anda com uma garota agora.”
“Ah, aquela magrinha… Espera, ele não tem um grupo agora?”
“Um homem-lagarto e um anão, ou algo assim. Achei que ele só se importasse com goblins.”
“Aquela elfa com ele é quase tão bonita quanto a Sacerdotisa!”
“Droga… talvez eu devesse começar a caçar goblins também!”
Goblin Slayer observou um por um.
Alguns ele conhecia pelo nome.
Outros, não.
Mas reconhecia todos os rostos.
“Uma horda de goblins está vindo. Eles estão mirando uma fazenda fora da cidade. Provavelmente hoje à noite. Não sei quantos são.”
Ele falou calmamente.
O alvoroço aumentou.
“Mas, pelo número de batedores, acredito que há um lorde entre eles. Ou seja… pelo menos cem goblins.”
Cem goblins.
Liderados por um lorde.
Isso não era brincadeira.
A maioria dos aventureiros começava sua jornada caçando goblins.
Alguns falhavam… e pagavam com a própria vida.
Outros — por sorte, força ou algo além — sobreviviam.
E muitos desses… estavam ali agora.
Eles sabiam, no fundo… o terror — ou melhor, a dificuldade — que os goblins representavam.
Quem enfrentaria voluntariamente uma horda dessas criaturas?
E ainda por cima, lideradas por um lorde — um goblin que não se destacava pela força ou magia, mas pela capacidade de comando.
Aquilo não era uma horda comum.
Era um exército de goblins.
Mesmo um iniciante ignorante recusaria ajudar.
Só Goblin Slayer encararia algo assim sem hesitar.
E, ainda assim… até ele, claramente, não pretendia lutar sozinho dessa vez.
“Não há tempo. Em cavernas é uma coisa… mas numa batalha aberta, não posso fazer isso sozinho.”
Goblin Slayer virou-se, olhando todo o salão.
“Eu preciso da ajuda de vocês. Por favor.”
E então abaixou a cabeça.
Num instante, sussurros tomaram conta da Guilda.
“O que você vai fazer?”
“O que você acha?”
“Goblins, é…?”
“Ele que resolva sozinho.”
“Tô fora!”
“Eu também. Aqueles bichos são imundos.”
Ninguém falava diretamente com Goblin Slayer.
Ele permaneceu ali, de cabeça baixa, imóvel.
“…Ei.”
Uma voz grave cortou o burburinho.
“E como sabemos que você está certo?”
Era o Lanceiro.
Ele encarava Goblin Slayer com intensidade.
Goblin Slayer ergueu a cabeça em silêncio.
“Isso aqui é a Guilda dos Aventureiros,” disse o Lanceiro, “e nós somos aventureiros.”
Goblin Slayer não respondeu.
“Não somos obrigados a te ouvir. Se quer ajuda, registre uma missão. Ofereça uma recompensa, entende?”
O Lanceiro olhou ao redor, buscando apoio.
“Ele tem razão!”
“É, somos aventureiros!”
“Quer que a gente arrisque a vida de graça?”
As vaias começaram.
Goblin Slayer permaneceu onde estava, olhando ao redor.
Não exatamente procurando ajuda.
Ao fundo, a Arqueira Élfica se levantava, o rosto vermelho de raiva — mas o Xamã Anão e o Sacerdote Lagarto a contiveram.
A Bruxa observava tudo sentada, com um sorriso enigmático.
No balcão, a recepcionista da Guilda desaparecia às pressas por uma porta dos fundos.
Foi então que ele percebeu.
Estava procurando a Sacerdotisa.
Dentro do elmo, fechou os olhos.
“É isso aí!”
“Então diz quanto vai pagar pra gente enfrentar cem goblins!”
Desta vez, não houve hesitação.
Ele havia abandonado isso… há dez anos.
Goblin Slayer respondeu, calmo e firme:
“Tudo.”
O salão inteiro silenciou.
Todos entenderam o que aquela palavra significava.
“Tudo o que eu tenho,” ele continuou, com serenidade.
Se algum aventureiro lutar ao meu lado contra cem goblins… pode pedir o que quiser.
O Lanceiro se endireitou.
“E se eu disser pra você largar a recepcionista da Guilda e deixar ela pra mim?” perguntou, com desdém.
“Ela não me pertence,” respondeu Goblin Slayer, sério.
Ignorou os murmúrios — chamando-o de incapaz de entender uma piada.
“Tudo o que tenho,” continuou, “o que é meu para dar: meu equipamento, minha riqueza, meu conhecimento, meu tempo. E…”
“Sua vida?”
Goblin Slayer assentiu.
“At é mesmo minha vida.”
“Então, se eu disser pra você morrer, o que você faz?” perguntou o Lanceiro.
Sua voz soava irritada — como se não acreditasse no que estava acontecendo.
Todos achavam que sabiam a resposta.
Mas, após um breve silêncio, ele disse:
“Não. Isso eu não posso fazer.”
Claro.
A tensão no ar diminuiu um pouco.
Talvez ele não fosse normal… mas ainda tinha medo de morrer.
“Se eu morrer, há alguém que choraria por mim. E eu prometi não fazer essa pessoa chorar.”
Os aventureiros trocaram olhares.
“Então… minha vida também não é algo que posso oferecer.”
O Lanceiro engoliu em seco.
Encarou Goblin Slayer.
Aquele elmo de metal… escondendo qualquer expressão.
Ainda assim, seus olhares se encontraram.
“Eu não faço ideia do que passa na sua cabeça.”
Goblin Slayer não respondeu.
“Mas entendo que você está falando sério.”
“Sim.”
Ele assentiu.
“Estou.”
“Droga…!”
O Lanceiro passou a mão pelos cabelos, irritado.
Começou a andar de um lado para o outro, batendo a ponta da lança no chão.
O silêncio se estendeu.
Pesado.
Até que, por fim, ele soltou um suspiro profundo.
“O que eu faria com a sua vida, afinal…? …Mas você me deve uma bebida daquelas.”
Deu um soco leve no peitoral de couro de Goblin Slayer.
Ele cambaleou um pouco.
O elmo o encarou, vazio.
O Lanceiro sustentou o olhar.
Tem algum problema?
“Um aventureiro de rank Prata acabou de aceitar sua missão de caçar goblins. E pelo preço de mercado, ainda por cima. Seja grato.”
“…Eu sou.”
Goblin Slayer assentiu com firmeza.
“Obrigado.”
“Guarda isso pra depois que a gente matar alguns goblins.”
Os olhos do Lanceiro se arregalaram um pouco.
Ele coçou a bochecha, desconfortável.
Nunca imaginou ouvir um “obrigado” vindo dele.
“E-eu vou também!”
Uma voz clara ecoou pelo salão.
Todos se viraram.
A Arqueira Élfica havia se levantado tão rápido que derrubou a cadeira.
Sob os olhares, hesitou por um instante — suas orelhas tremendo.
“E-eu… vou matar esses goblins com você.”
Então, como se reunisse coragem, atravessou o salão decidida.
Parou diante de Goblin Slayer… e apontou o dedo para o peito dele.
“E-então… da próxima vez, você vai numa aventura comigo! Eu encontrei… encontrei umas ruínas.”
“Muito bem.”
Goblin Slayer assentiu imediatamente.
As orelhas da elfa se ergueram.
“Se eu sobreviver… eu vou com você.”
“Ah, não precisava dizer desse jeito,” ela bufou, lançando um olhar irritado para o elmo.
Virou-se de costas.
“Vocês também vêm, né?”
O anão respondeu primeiro, suspirando enquanto alisava a barba, um pouco contrariado.
“Parece que não tenho escolha. Mas não vou me contentar com uma bebidinha, Cortador de Barbas. Quero um barril inteiro!”
“Você terá,” respondeu Goblin Slayer.
“Assim que se fala!”
disse o anão, animado.
“E… será que posso ir nessa aventura com você também, orelhuda?”
“Claro! Somos do mesmo grupo, não somos?”
A elfa riu — e, um instante depois, o anão também.
“Que nunca se diga que eu abandono meus companheiros.”
O homem-lagarto se levantou lentamente.
Passou a língua pela ponta do nariz.
“E tampouco eu recusaria ajudar um amigo em necessidade. Mas, falando em recompensas…”
“Queijo?”
“Exatamente. Ah… já posso sentir o sabor!”
“Não é meu. Mas é feito na fazenda que está sendo atacada.”
“É mesmo? Então tenho ainda mais motivos para exterminar essas criaturas rastejantes!”
Os olhos do homem-lagarto giraram, e ele juntou as mãos diante de Goblin Slayer.
Este entendeu que aquilo era uma forma de humor do homem-lagarto.
Assim, quatro aventureiros se reuniram ao redor de Goblin Slayer.
Ele não viu a Sacerdotisa em lugar nenhum.
“Então… somos cinco…”
“Não. Seis.”
A Bruxa se levantou com um leve farfalhar.
Aproximou-se, parando ao lado do Lanceiro, os quadris balançando suavemente.
“Talvez sejamos sete… embora eu não possa afirmar com certeza,” disse, de forma sugestiva.
Então puxou um longo cachimbo do decote.
“Inflammarae.”
Girou o cachimbo, colocou o fumo, acendeu com um toque do dedo e puxou lentamente.
A fumaça doce se espalhou pela Guilda.
Os outros aventureiros murmuravam, indecisos.
Não era que quisessem abandonar a fazenda.
Muitos simplesmente não estavam dispostos a arriscar a vida por tão pouco.
E quem poderia culpá-los?
Cada um valorizava a própria vida.
Só faltava… um pequeno empurrão.
“A Guilda… a Guilda também vai oferecer essa missão!”
E esse empurrão veio.
A recepcionista surgiu correndo da sala dos fundos, segurando um monte de papéis.
Ofegante, rosto vermelho, tranças balançando sem parar.
Ela espalhou os documentos sobre o balcão.
“A recompensa será de uma moeda de ouro por cada goblin abatido! Esta é a chance de vocês, aventureiros!”
Um murmúrio percorreu o salão.
Era a Guilda que pagaria.
E a capacidade de mobilizar recursos assim era justamente uma de suas forças.
Não dava para saber o quanto ela havia lutado para convencer seus superiores.
“Tch. Então eu vou também.”
Um aventureiro — o guerreiro de armadura pesada — chutou levemente a cadeira ao se levantar e pegou um dos papéis.
A Cavaleira, ao lado dele, olhou surpresa.
“Você vai?”
“Não sou fã do Goblin Slayer, mas… dinheiro é dinheiro.”
Ela sorriu, maliciosa.
“Não gosto de mentirosos. Devia admitir que é porque foi ele quem expulsou os goblins da sua cidade natal.”
“Ei, fica quieta! De qualquer forma, ainda vou ganhar uma moeda de ouro por goblin.”
“Eu também.”
“Contem comigo.”
“Tenho uma dívida com ele.”
Um a um, os murmúrios viraram decisões.
“As pessoas começaram a se levantar.”
“E você?” perguntou alguém. “Achei que você detestasse ele.”
“Quero me tornar uma paladina. Quando alguém pede ajuda, eu devo ajudar,” disse a Cavaleira, com um sorriso torto.
O guerreiro apenas deu de ombros e riu.
“Bom… se vocês dois vão, acho que a gente também vai.”
“A gente vai mesmo?”
“Claro que vamos!”
Apesar de algumas discussões, o restante do grupo também se levantou.
“Ei…”
“O quê?”
Observando tudo aquilo, o jovem guerreiro novato chamou a jovem clériga.
“Eu… ainda nunca cacei goblins.”
“…Imagino. Dizem que é perigoso.”
“Mas… eu preciso tentar algum dia, não?”
“…Você é impossível,” ela disse. “Mas… se tem que ser.”
E ele estendeu a mão para ela.
Alguém observando soltou um suspiro.
“Comecei como aventureiro no mesmo dia que ele. Acho que isso é o que chamam de destino.”
“Se eu não ouvisse aquela voz perguntando por goblins todos os dias, ia parecer estranho.”
“Concordo. Ele virou… parte do lugar. Quase uma instituição.”
“Eu odeio quando ele está aqui. Mas… odiaria ainda mais se ele não estivesse.”
“Eu só queria ganhar um dinheiro rápido. Um goblin, uma moeda de ouro, é? Nada mal.”
“Em toda a minha vida, nunca vi um contratante tão estranho,” alguém murmurou.
Outro assentiu.
Um a um, os aventureiros se levantaram.
Sim.
Eles eram aventureiros.
Tinham sonhos.
Tinham princípios.
Tinham ambições.
Queriam lutar pelas pessoas.
Talvez não tivessem coragem para dar o primeiro passo…
Mas alguém deu esse empurrão.
E agora, não havia mais motivo para hesitar.
Caçar goblins?
Tudo bem.
Era para isso que existiam.
Se havia uma missão, eles a aceitavam.
Alguém ergueu a espada no ar e gritou:
“Não somos um grupo, e nem somos amigos — mas somos aventureiros!”
Outros se juntaram ao grito.
Os que não tinham espadas ergueram cajados, lanças, machados, arcos… punhos.
Havia iniciantes.
Veteranos.
Guerreiros, magos, clérigos, ladrões.
Humanos, elfos, anões, homens-lagarto… e rheas.
Os aventureiros reunidos no salão da Guilda levantaram suas vozes, batendo os pés no chão.
Goblin Slayer, envolvido por aquele coro, percorreu o salão com o olhar.
Seus olhos encontraram os da recepcionista da Guilda.
Ela estava um pouco suada… mas lhe lançou uma piscadela travessa.
Goblin Slayer abaixou a cabeça em agradecimento.
Era o mínimo que podia fazer.
“Deu certo.”
Uma risadinha suave.
Ele se virou.
E lá estava ela — próxima como uma sombra.
A Sacerdotisa.
Claro que estava ali.
Como poderia não estar?
“…Sim. Deu.”
Goblin Slayer assentiu.
Naquele dia…
talvez pela primeira vez—
não faltavam aventureiros dispostos a aceitar uma missão de caçar goblins.