Campione!: Matsurowanu Kamigami to Kamigoroshi no Maou – Volume 1 – Capítulo 0
Prólogo
Trecho do Livro do mago italiano Alberto Ricardo
Rei Demônio, século XIX
…Àqueles que realizarem tal façanha extraordinária, concedo o título de Campione — Matador de Deuses.
Entre os leitores de espírito reto, alguns talvez franzam o cenho, julgando exagerado esse nome; outros podem achar que faço alarde demais por algo que não merece tanto peso.
Ainda assim, insisto mais uma vez.
Um Campione — Matador de Deuses — é um soberano supremo.
Se é capaz de abater uma entidade celestial, então pode também invocar os poderes divinos que pertencem aos deuses.
Um Campione — Matador de Deuses — é um senhor.
Se em suas mãos repousa a força para matar uma divindade, então pode igualmente subjugar os mortais que caminham sobre a Terra.
Um Campione — Matador de Deuses — é um demônio.
E, por isso, entre toda a humanidade que vive neste mundo, não existe quem tenha poder para enfrentá-lo.
Trecho da Carta do Cardeal Antonio TebesEndereçada ao Vaticano, início do século XX
Ao desafiar a Providência e brincar com o conhecimento profano dos magos, recebeu deles o título de Rei.
Quanto ao nome que tem sido sussurrado por aí—
Um Campione — Matador de Deuses — é o filho ilegítimo de Epimeteu. Um demônio.
Infelizmente, nós, simples mortais, não podemos combatê-lo.
Aqueles que podem enfrentá-lo são seus semelhantes — outros Campiones —, os anjos de Nosso Pai Celestial e os deuses pagãos, proibidos e esquecidos…
Trecho de Relatórios Japoneses sobre a Verificaçãodo Novo Campione, início do século XXI
Na mitologia persa, Verethragna era uma divindade de atributos complexos e numerosos.
Originalmente ligado ao deus supremo da tradição indiana — como o deus da guerra associado a Mithra —, foi posteriormente venerado pelo zoroastrismo como uma divindade guerreira e elevado à posição de guardião divino.
Esse deus possuía a característica singular de assumir dez formas.
A primeira era a de um vento impetuoso; mas podia também manifestar-se como um touro, um cavalo branco, um camelo, um javali, um jovem adolescente, uma ave, um carneiro, um bode ou ainda como um guerreiro empunhando uma espada dourada.
Independentemente da forma que tomasse, Verethragna sempre triunfava, concedendo vitória aos que o veneravam. Em termos simples: após sua divinização, tornou-se a própria personificação daquilo que representava — a vitória.
Foi depois de Kusanagi Godou derrotar o deus da vitória que ele se tornou um jovem Campione.
[Relatório sobre Kusanagi Godou] Compilação da Assembleia de Greenwich
Conforme mencionado no documento anterior, Kusanagi Godou apoderou-se dos poderes de Verethragna e tornou-se o [Senhor da Guerra Persa]; contudo, concluiu-se que ele enfrenta diversas limitações.
Por não conseguir utilizar esse poder livremente, não se encontra no mesmo patamar que os demais Campiones e não detém autoridade absoluta.
Ainda assim, peço que não se esqueçam:
Embora seus poderes pareçam incompletos, não se pode negar que ele é um Campione. Para humanos frágeis como nós — magos como eu — ele continua sendo um demônio que se ergue acima de todos.
Além disso, Kusanagi Godou — ontem como hoje — não possui qualquer conhecimento de magia ou feitiçaria.
Tal fato pode sustentar a teoria defendida por alguns: em vez de afirmar que os Campiones são o ápice entre os magos, talvez seja mais correto dizer que, no fim das contas, os magos não passam de meras imitações dos Campiones.
Referências do Prólogo
Epimeteu foi irmão de Prometeu na mitologia grega e é frequentemente retratado como um Titã imprudente. Algumas tradições afirmam que ele aceitou o presente de Pandora — ou até que teve um filho com ela.
Verethragna era uma divindade do zoroastrismo que simbolizava a vitória e podia assumir dez formas distintas.
Mithra é outra divindade do zoroastrismo. Verethragna e Čistā são considerados seus principais companheiros. Mithra é o yazata (divindade) associado aos pactos e juramentos. Além de deus dos contratos, é também uma figura de julgamento, guardião onisciente da Verdade e protetor do gado, das colheitas e das Águas.
Zoroastrismo é uma religião e filosofia baseada nos ensinamentos do profeta Zoroastro (ou Zaratustra, em avéstico). Foi, em tempos antigos, uma das maiores religiões do mundo, praticada na Pérsia — atual Irã.