Search this site
Embedded Files
Mundo das Novels
  • Início
  • Novels
  • Doação
Mundo das Novels
  • Início
  • Novels
  • Doação
  • More
    • Início
    • Novels
    • Doação

<< Anterior

Índice

Próximo >>

Tales of Herding Gods – Capítulo 28

A Sombra na Parede

Qin Mu se recompôs.


O mapa das Grandes Ruínas antes da catástrofe era extremamente valioso. Ele indicava diversos abrigos e vestígios antigos. Se algum dia estivesse caçando e não conseguisse voltar à Vila dos Anciãos Deficientes a tempo, poderia usar aqueles pontos marcados para se esconder da invasão da escuridão.


“Com esse mapa, posso evitar muitos perigos.”


Ele memorizou cada detalhe e localizou, nele, o vale onde estava naquele momento. No mapa, aquele lugar era chamado de Palácio da Supressão da Ruína.


“Palácio da Supressão da Ruína… ‘ruína’ no sentido de desastre, de calamidade…”


Graças ao que aprendera com o Surdo sobre pintura e caligrafia, Qin Mu havia adquirido bastante conhecimento. Talvez não fosse um erudito, mas compreendia bem as palavras.


“Se esse palácio serve para suprimir uma calamidade… então que tipo de desastre ele estava tentando conter?”


Ele murmurou, pensativo.


Ao olhar ao redor, percebeu que o macaco demoníaco havia desaparecido — tinha saído sem que ele notasse. Provavelmente para não atrapalhá-lo.


“Esse grandalhão é mesmo atencioso…”


Qin Mu saiu do palácio e chamou o macaco. Quando ele apareceu, Qin Mu perguntou:


“Tem algum lugar estranho por aqui?”


O macaco coçou a cabeça, pensou por um momento e então saiu correndo em direção a uma câmara lateral dentro do palácio. Qin Mu o seguiu rapidamente — e, atrás deles, o pequeno cervo também veio trotando.


O macaco entrou na sala e apontou para frente.


Qin Mu seguiu a direção do dedo e viu… uma parede branca. Nela, havia apenas a sombra de uma pequena figura humana — não maior que um polegar.


Ele se aproximou e examinou melhor, mas não encontrou nada além daquela estranha silhueta.


O cervo curioso se aproximou, cheirando a parede. No instante em que ia lambê-la—


Uma mão surgiu de dentro da parede e puxou o animal para dentro!


Qin Mu deu um salto para trás, chocado.


O macaco demoníaco bateu no peito, furioso, rugindo para a parede — mas não ousou avançar.


Na superfície, surgiu então uma nova imagem: ao lado da pequena figura humana, apareceu o desenho do cervo… vivo, como uma pintura animada.


Qin Mu viu a figura humana começar a se mover lentamente.


Ela abriu a boca.


E a boca foi se abrindo… cada vez mais… revelando dentes afiados como pregos.


Num instante, a boca se fechou — devorando o cervo!


Qin Mu ficou paralisado.


Depois de comer, a sombra humana começou a caminhar… na direção deles!


Ele percebeu então algo ainda mais assustador: a figura não saía da parede — mas sua sombra crescia, ficando cada vez maior, até alcançar o tamanho de uma pessoa normal.


E continuava crescendo.


Em poucos instantes, embora o corpo ainda estivesse preso na parede, sua sombra já havia se expandido até o teto da sala.


A silhueta gigantesca projetava uma cabeça com a boca escancarada, enquanto seus braços se estendiam pelas paredes laterais… avançando lentamente em direção a eles.


“Garoto, vamos!”


O macaco demoníaco agarrou Qin Mu e saltou para fora, evitando que fossem alcançados pela sombra na parede.


Um rugido furioso ecoou do interior da sala. As paredes começaram a tremer violentamente, levantando poeira e detritos. A sombra negra se expandiu rapidamente, cobrindo toda a câmara lateral em um piscar de olhos!


Ela tentou se libertar das paredes — como se quisesse escapar — mas, por mais que se debatesse, não conseguia sair dali.


“Isso… é um demônio?”


Qin Mu parou de correr. Piscou algumas vezes e, em vez de fugir, virou-se para observar melhor.


Então começou a recitar:

“Qi ke duo sa mo ye, bo re bo re sa mo ye, qi ke duo bo re sa mo ye.”


A sombra que havia tomado a sala inteira subitamente se aquietou.


A moldura da janela se abriu lentamente, como dois olhos negros e profundos. Qin Mu sentiu um olhar aterrador pousar sobre ele — um frio percorreu sua espinha.


De repente, a grande porta da câmara se fechou sozinha… e se abriu novamente.


No vai e vem da porta, uma voz rouca ecoou:


“O Encantamento da Grande Liberdade… Você é descendente da minha raça? Que lamentável. Nem sequer herdou o encantamento corretamente. Nossa raça caiu a esse ponto?”


Qin Mu perguntou, cauteloso:

“O sênior conhece o verdadeiro Encantamento da Grande Liberdade?”


“Claro que sim!”


A porta abriu e fechou com mais força, e a voz, agora carregada de arrogância, ressoou:


“O verdadeiro poder da nossa raça está escondido nesse encantamento! Foi com essa força que este mundo foi estabelecido — um poder absoluto, livre de todas as amarras! E veja no que isso se tornou em suas mãos… nem uma fração de sua grandeza resta! Afaste esse macaco e eu lhe ensinarei o verdadeiro encantamento!”


Qin Mu olhou para o macaco demoníaco. Ele balançou a cabeça, inquieto, murmurando em voz baixa:

“Cuidado… não confie…”


“Ele é da mesma raça que eu. Não vai me fazer mal. Espere lá fora por um momento”, disse Qin Mu, tentando tranquilizá-lo.


Ainda relutante, o macaco acabou sendo empurrado para fora.


A porta da câmara voltou a abrir e fechar, e a voz sombria continuou:


“O encantamento é a chave para liberar o poder das técnicas. Você aprendeu apenas as sílabas, mas não compreendeu sua essência. Tampouco conhece o método para despertar sua verdadeira natureza. Esse método se chama Mudra da Grande Liberdade — a arte suprema da nossa raça!”


“Meu poder está selado nesta sala e não durará muito tempo. Preste atenção — vou ensinar apenas uma vez. O quanto você conseguir absorver dependerá de você.”


A sombra negra na parede começou a encolher, até atingir aproximadamente o tamanho de Qin Mu. Linhas começaram a surgir dentro dela, revelando o fluxo do qi vital.


A voz explicou:


“A Mudra da Grande Liberdade possui quatro formas. A primeira é a Mudra da Força Divina do Deus Demônio. A segunda, a Mudra da Liberdade Demoníaca. A terceira, a Mudra da Grande Sabedoria. E a última combina as três anteriores, formando a Grande Mudra Demoníaca da Liberdade!”


“O que vou lhe mostrar agora… é a primeira!”


“Sua voz deve carregar o tom demoníaco para liberar todo o poder. Qi ke duo!”


Qin Mu fixou o olhar na figura na parede, memorizando cada detalhe do fluxo da técnica. Ao mesmo tempo, seu próprio qi vital começou a seguir aquele mesmo caminho dentro de seu corpo.


“Qi ke duo!”


A voz demoníaca explodiu de seus lábios — e, no mesmo instante, Qin Mu sentiu um poder aterrador emergir de dentro de si.


Seus dedos se moveram sozinhos, formando um selo estranho, e sua mão avançou sem controle.


Boom!


Um som abafado ecoou — mas carregado de força.


Sua palma havia finalmente liberado o que ele tanto buscava… o trovão na palma da mão.


Qin Mu ficou parado, atônito.


Aquilo… parecia simplesmente impossível.


A Mudra da Força Divina do Deus Demônio que a sombra na parede havia ensinado era assustadoramente poderosa. Em termos de variações, não podia se comparar aos Oito Golpes do Trovão do Velho Ma — mas, em força bruta, superava aquela técnica com certa folga.


Por outro lado, também consumia uma quantidade absurda de qi vital. Era várias vezes mais exigente do que os Oito Golpes do Trovão.


A sombra na parede começou a se contorcer, como se estivesse sendo puxada de volta por alguma força invisível. Ao ser arrastada novamente para dentro da câmara lateral, arfava pesadamente:


“O poder desta sala é forte demais… está me suprimindo o tempo todo. Não tenho muito tempo. Preste atenção — esta é a segunda mudra, a Mudra da Liberdade Demoníaca! Sa mo ye!”


Na parede da câmara, o fluxo de qi dentro da sombra mudou novamente. Porém, por causa da pouca luz, era difícil enxergar com clareza à distância.


Qin Mu se concentrou e, instintivamente, deu um passo à frente. Assim, conseguiu ver nitidamente a circulação e as transformações do qi.


“Sa mo ye…”


Ele murmurou a entonação demoníaca, fazendo seu qi circular conforme o padrão.


Imediatamente, outra força misteriosa surgiu em seu corpo, guiando seus movimentos.


Um sorriso apareceu em seu rosto sem que ele percebesse. Seus dedos formaram um gesto delicado — como se segurassem uma flor — e ele lançou o golpe.


Essa mudra não parecia ter força alguma.


Na verdade… era quase como se não tivesse poder nenhum.


Ainda assim, Qin Mu percebeu algo familiar. O efeito daquela técnica lembrava muito um dos movimentos dos Oito Golpes do Trovão.


Quinto Golpe: O Sol Refina a Alma Yang nos Céus.


Esse movimento, ensinado pelo Velho Ma, não era especialmente eficaz em combate direto. Seu verdadeiro propósito era atingir a alma do oponente.


Seu segredo estava no golpe — como o sol brilhando do alto — usando o trovão e o calor para purificar e destruir a alma.


A Mudra da Liberdade Demoníaca seguia um princípio semelhante. Sua falta aparente de poder vinha justamente do fato de que não atacava o corpo, mas sim a alma.


A diferença era brutal.


O golpe do Velho Ma usava o sol e o trovão para destruir a alma de forma direta e implacável.


Já a mudra demoníaca… era mais traiçoeira.


Ela atraía a alma do oponente para a palma da mão — e então a esmagava ali mesmo.


Silenciosa. Invisível. Impossível de prever.


Um ataque direto podia ser defendido.


Mas contra aquilo… não havia defesa.


Qin Mu ficou intrigado.


A técnica da sombra na parede e a do Velho Ma seguiam princípios semelhantes — mas os métodos eram completamente diferentes. Uma representava o caminho justo; a outra, um caminho obscuro e perigoso.


Quanto a qual era superior… ele não saberia dizer.


Cada uma tinha sua força.


Os Oito Golpes do Trovão eram ideais para confrontos diretos, esmagando o inimigo com poder avassalador.


Já a Mudra da Grande Liberdade era perfeita para ataques inesperados — golpes súbitos, impossíveis de antecipar.


Enquanto refletia, a sombra na parede encolhia cada vez mais, claramente incapaz de resistir à supressão do Palácio da Supressão da Ruína. Ofegante, continuou:


“Preste atenção… esta é a terceira mudra — a Mudra da Grande Sabedoria…”


A figura tornou-se turva, desfocada. Qin Mu, sem perceber, deu mais dois passos à frente.


Quando estava prestes a cruzar a porta da câmara lateral, ele parou de repente.


Em vez disso, ativou a técnica que o Cego lhe ensinara — a Arte do Despertar dos Olhos Celestiais dos Nove Céus.


Uma nova camada surgiu em suas pupilas.


Mesmo com a escuridão, a sombra na parede tornou-se perfeitamente clara diante de seus olhos.


“Você consegue ver daí, sem entrar?” — perguntou a sombra.

<< Anterior

Índice

Próximo >>

Google Sites
Report abuse
Page details
Page updated
Google Sites
Report abuse