Solo Leveling – Volume 1 – Capítulo 1
O Caçador de Rank E
O caçador de rank E, Jinwoo Sung. Esse era o título que o acompanhava por onde quer que fosse.
Em termos de habilidade, Jinwoo não era muito diferente de uma pessoa comum. Era apenas um pouco mais resistente e se recuperava ligeiramente mais rápido do que alguém normal. Por causa disso, vivia sempre machucado de alguma forma. Já tinha, inclusive, escapado da morte por um fio várias vezes.
Nem é preciso dizer que ele não gostava de ser um caçador. O trabalho era perigoso, as pessoas viviam menosprezando-o, e o pagamento também não era lá essas coisas. Se não fosse pelo seguro de saúde oferecido pela Associação dos Caçadores, ele já teria entregue sua licença e levado uma vida comum há muito tempo.
Infelizmente, sendo um homem na casa dos vinte anos e sem nenhuma habilidade profissional relevante, trabalhar como caçador era a única forma viável de pagar as contas do hospital de sua mãe — despesas que chegavam a centenas de milhares de won todos os meses.
Em outras palavras, ele não tinha escolha.
Foi por isso que Jinwoo se preparou mentalmente e participou da incursão organizada pela associação naquele dia fatídico.
A maioria dos caçadores que atuava na mesma região se conhecia bem, já que todos se reuniam sempre que um portal se abria. Os que chegavam primeiro trocavam cumprimentos enquanto tomavam o café oferecido por um funcionário da associação.
— Ei, Kim! Aqui!
— Oh, Park, quanto tempo. Achei que você tinha parado?
— É que… minha esposa está grávida do nosso segundo filho.
— Hahaha! Bom, nós sabemos que, como caçadores, não tem nada melhor do que uma incursão pra ganhar um bom dinheiro.
Sem graça, Park riu junto com a gargalhada alta de Kim antes de perguntar:
— Então por que a associação não tem convocado caçadores com tanta frequência? Está faltando portal?
— Nada disso. É que hoje em dia as guildas estão se esforçando mais do que a associação. Quando tem muito dinheiro envolvido, elas ficam bem mais ativas.
— Mas essa incursão deve ser segura, né? Já que foi organizada pela associação…
Park olhou ao redor discretamente, sentindo a preocupação crescer.
A ausência das guildas geralmente significava que não haveria grande recompensa e, na maioria das vezes — embora não sempre — isso indicava um portal de baixo nível.
Mas garantia mesmo, não existia.
E Park não era o único inquieto. Outros caçadores também olhavam ao redor, claramente tensos.
— Bem…
Kim tomou um gole de café, evitando responder, quando avistou alguém conhecido ao longe. Imediatamente abriu um sorriso e acenou.
— Ei, olha lá! Sung! Aqui!
Os outros também se animaram ao ver o caçador se aproximando.
— Olá, pessoal.
Era Jinwoo Sung. Ele respondeu com um aceno educado ao cumprimento animado de Kim enquanto passava por eles.
Depois de se certificar de que Jinwoo já estava longe o suficiente para não ouvir, Kim se virou para Park com um sorriso presunçoso.
— O Jinwoo Sung está aqui. Isso significa que vai ser tranquilo.
Os olhos de Park se arregalaram, e ele se inclinou, curioso.
— Espera… o Jinwoo Sung é tão forte assim?
— Ah, você não saberia. Ele começou pouco depois de você se aposentar. Todo mundo conhece o Jinwoo Sung.
— Mas se ele é tão forte, por que trabalha pra associação? Não seria melhor entrar numa guilda grande ou trabalhar por conta própria?
O sorriso de Kim desapareceu, dando lugar a uma expressão meio irônica.
— Você sabe qual é o apelido dele?
— Como eu vou saber? Para de enrolar e fala logo.
— O caçador mais fraco de toda a humanidade.
— …O mais fraco? Não seria o mais forte?
— Qual é! Esse é o Jongin Choi, o caçador rank S. O Sung é conhecido como o mais fraco. Provavelmente o pior caçador de toda a Coreia.
— O quê?
Park franziu a testa.
Se ele era tão fraco assim, por que todos tinham ficado tão felizes ao vê-lo? Em uma emergência, teriam que contar com ele para protegê-los. Park não conseguia entender a reação dos outros caçadores.
Kim soltou uma risadinha ao ver a expressão confusa de Park e lhe deu uma cotovelada.
— Escuta, qualquer incursão com o Jinwoo é fácil. A associação nunca manda ele pra algo perigoso. Afinal, eles não vão querer se responsabilizar pela morte dele!
Finalmente, Park pareceu relaxar.
— S-sério?
A esposa de Park estava preocupada até demais, já que fazia um bom tempo desde sua última incursão.
Se fosse ser sincero, ele também estava nervoso — mas as palavras de Kim o ajudaram a se acalmar.
Kim continuou:
— Dizem por aí que o Sung ficou uma semana internado depois de se machucar em um portal de rank E.
— Um caçador se machucou em um portal de rank E?
— Pois é! E a associação nem imaginava que alguém se feriria, então nem se deu ao trabalho de levar um curandeiro.
— Então ele ficou uma semana no hospital? Bwahahaha!
Kim lançou um olhar de advertência para Park, incomodado com a risada alta demais.
— Psiu! O Sung pode ouvir.
— Opa… nem pensei nisso.
Park deu uma risadinha, ainda de olho em Jinwoo. Pelo visto, ele estava longe demais para escutar.
Ele estava errado.
Eu consigo ouvir tudo, velho.
Jinwoo forçou um sorriso amargo, fingindo não perceber os olhares.
Havia momentos em que ele realmente amaldiçoava sua audição aguçada.
A incursão ainda não tinha começado.
Será que cheguei cedo demais?
Jinwoo olhou ao redor, procurando algo para passar o tempo, até decidir ir direto para o café.
— Posso pegar um copo?
— Ah, Caçador Sung… me desculpe muito. Acabei de ficar sem.
— …
O vento frio do inverno cortava a ponta do seu nariz. Jinwoo o esfregou com o dedo.
Era simplesmente um daqueles dias azarados… em que até o café resolvia decepcionar.
— Por que você insiste em trabalhar como caçador?
— Desculpa…
Jinwoo abaixou a cabeça.
Joohee Lee, a bela jovem que cuidava de seus ferimentos com magia de cura, deixou claro seu descontentamento ao fazer um leve bico.
— Eu não perguntei isso pra você pedir desculpa. Perguntei porque estou preocupada com você. Se continuar se jogando assim nas lutas, um dia vai acabar em perigo de verdade.
Jinwoo desviou o olhar por cima do ombro dela, observando seus colegas em combate.
Os portais eram entradas para masmorras.
Aquela, em específico, era de aproximadamente rank D. Mais de uma dúzia de caçadores lidava com as feras mágicas sem grandes dificuldades. Infelizmente, aquilo já era demais para alguém de rank E como Jinwoo.
Normalmente, os curandeiros ficavam na retaguarda, cuidando dos feridos. E Jinwoo era praticamente famoso entre eles… por se machucar em toda incursão.
Joohee perguntou com cautela:
— Tem algum motivo pra você não simplesmente parar?
Jinwoo balançou a cabeça com firmeza. Ele realmente não queria que os outros soubessem de seus problemas pessoais.
— É um hobby. Acho que morreria de tédio se não fizesse isso.
Joohee fez uma careta.
— Se você exagerar nesse “hobby”, sua próxima incursão vai ser no além.
Pego de surpresa, Jinwoo acabou rindo.
A repreensão de Joohee continuou:
— Ahh! Não ri! Vai abrir o ferimento!
Mas ele não conseguiu se segurar.
— Quem fala desse jeito hoje em dia?
— Quem você acha? Aquele tio lá longe… o senhor Kim.
— Ah, esse velho…
Enquanto conversavam, o tratamento de Jinwoo chegava ao fim.
Infelizmente, já era tarde demais para ele. A incursão parecia praticamente concluída.
Seu rosto se fechou.
Hoje eu mal consegui derrotar uma única fera…
E ainda por cima, era só de rank E.
Jinwoo girou entre os dedos a pedra de essência de rank E que segurava. Por ser o item de nível mais baixo, uma pedra dessas valia menos de 100 mil won. Era uma recompensa miserável para alguém que arriscava a própria vida.
Dizem que uma pedra de essência de uma fera de rank C pode valer mais de 10 milhões de won…
Mas, sendo apenas um caçador de rank E por pouco, Jinwoo não tinha a menor chance contra uma fera de rank C.
De repente, alguém gritou para o grupo:
— Hein? Tem outra entrada aqui?
Os caçadores próximos se reuniram ao redor.
— Uau… é verdade.
— Parece que realmente existe!
Assim como o primeiro caçador havia dito, havia de fato uma entrada escondida que levava a outra masmorra.
O caçador Song, com os cabelos grisalhos que denunciavam seus dez anos de experiência, examinava a passagem com fascínio.
— Uma masmorra dupla… então elas realmente existem.
Era difícil enxergar muito longe dentro da caverna escura. Song conjurou uma chama — sua especialidade — e a lançou para dentro. O fogo percorreu o túnel, iluminando o interior por alguns instantes.
O caminho parecia não ter fim. Eventualmente, a chama perdeu força e caiu no chão, crepitando por um momento antes de se apagar. A escuridão voltou a engolir a caverna.
— Hm… todos, por favor, venham aqui.
Song, que na prática era o líder do grupo, reuniu todos os caçadores. Com o tratamento de Jinwoo concluído, ele e Joohee também se juntaram aos demais.
Song observou o grupo antes de falar:
— Como todos sabem, um portal não se fecha até que o chefe seja derrotado. Apesar de termos limpado esta área, o portal continua ativo. Então, acredito que o chefe esteja lá dentro.
Ele apontou para a entrada da masmorra escondida. Os outros trocaram olhares e assentiram, concordando com a análise. Não parecia haver outra explicação.
Song continuou:
— O procedimento padrão seria informar a associação e aguardar a decisão deles. Mas… se fizermos isso, outros caçadores podem aparecer e ficar com a recompensa no nosso lugar.
As expressões de todos ficaram mais tensas. Park, que precisava urgentemente de dinheiro por causa da gravidez da esposa, foi um dos que mais demonstrou incômodo.
Só os gastos depois do nascimento já são absurdos…
Se recebessem menos, todo o risco daquela incursão teria sido em vão.
— Por isso, eu prefiro não sair daqui sem derrotar o chefe… O que vocês acham?
Todos ficaram em silêncio, mergulhados em seus próprios pensamentos.
— …
— …
Numa situação incomum como aquela, ninguém podia garantir a própria segurança. Por outro lado, tratava-se de uma masmorra de nível muito baixo. Era provável que a dificuldade da masmorra escondida também não fosse tão alta.
— Cof, cof…
Song limpou a garganta.
— Somos dezessete. Vamos votar. Depois que a decisão for tomada, ninguém pode contestar. Tudo bem?
Todos assentiram com a sugestão.
Não houve nenhuma objeção.
— Eu voto por entrar.
Song levantou a mão. Logo em seguida, outros começaram a erguer as mãos com certa hesitação.
— Eu também.
— Eu voto por entrar.
Park foi o primeiro a acompanhar, e outros caçadores, incluindo Kim, fizeram o mesmo. Naturalmente, também houve muitos votos contra.
— Melhor não entrar.
— Não seria mais seguro esperar a decisão da associação?
Com os votos praticamente empatados, a votação continuou… até restarem apenas Jinwoo e Joohee.
— Desculpa… — Joohee abaixou a cabeça, pedindo desculpas a Song, e decidiu não entrar.
Com o voto dela, ficaram oito a favor e oito contra. Empate.
Quando Jinwoo hesitou, Song falou diretamente com ele:
— E você, Sung?
Tudo dependia dele agora. Jinwoo apertou com força a pedra de essência de rank E em sua mão e olhou para a pessoa ao seu lado.
Joohee balançou a cabeça, como quem implora para ele não fazer aquilo. Ela parecia inquieta.
Jinwoo também se sentia assim. Normalmente, ele jamais se colocaria em uma situação tão arriscada. Não tinha nem a habilidade, nem a coragem para isso.
Mas ele tinha uma irmã que logo entraria na faculdade.
Eu não tenho nenhuma economia…
Jinwoo tinha vinte e quatro anos. Ele mesmo havia desistido de estudar, por não ter condições de pagar. Não queria que sua irmã passasse pelo mesmo.
Naquele momento, seus bolsos estavam completamente vazios. Park não era o único que precisava desesperadamente de dinheiro.
Jinwoo levantou a mão.
— Eu também vou.
Assim que fez isso, ouviu um leve suspiro ao seu lado.
O túnel parecia não ter fim.
Os caçadores mais fortes, incluindo Song, seguiam na frente. Ele iluminava o caminho com a pequena chama que mantinha na palma da mão.
Kim caminhava ao lado dele.
— Não estamos indo longe demais? Já deveríamos começar a pensar na volta.
— Quanto tempo estamos andando?
Kim olhou o relógio.
— Deve ter… uns quarenta minutos.
— Como os portais se fecham uma hora depois que o chefe é derrotado, ainda temos cerca de vinte minutos.
— Se não encontrarmos o chefe até lá, é melhor recuar.
— Concordo.
Song assentiu em silêncio e fez um gesto com o polegar por cima do ombro.
— Está escuro lá na frente. Fique atrás de mim, Kim.
Kim encarou a pequena chama por um instante, então tirou o celular de caçador e ligou a lanterna. Imediatamente, o caminho à frente foi inundado de luz.
— …
Song olhou alternadamente para a chama em sua mão e para a luz do celular, depois começou a mexer nos bolsos sem dizer nada.
Jinwoo, que havia se ferido gravemente mais cedo, e Joohee, que não tinha habilidades de combate, vinham na retaguarda.
Jinwoo coçou a nuca.
— Hum… desculpa.
— Pelo quê?
— Por ter feito você vir com a gente.
— Eu estou bem, não se preocupe comigo.
Jinwoo observou a expressão de Joohee de relance. Ela definitivamente não parecia bem.
Um pouco sem jeito, ele tentou falar novamente, com cuidado:
— Você… tem certeza que está tudo bem?
Joohee virou-se de repente para encará-lo.
— Claro que não! Você ficou maluco? Mais um pouco e aquela fera teria atravessado o seu coração! E os ferimentos no seu pulso e na sua coxa? Não foi fácil te curar, e mesmo assim você quer entrar em outra masmorra? Sem fazer ideia do que pode ter lá dentro?
Ela falou tão rápido que Jinwoo só conseguiu ouvi-la, atordoado. Mas tudo o que ela dizia era verdade.
Joohee era uma das raras curandeiras de rank B da Associação dos Caçadores. Se não fosse por suas habilidades excepcionais, Jinwoo provavelmente teria dificuldade até para levar uma vida normal por um tempo.
Pensando bem… devo muito a ela.
Curandeiros já eram raros entre os caçadores. E, além disso, Joohee era de rank B. Naturalmente, a associação sempre a convocava quando um portal surgia — e Jinwoo acabava sentado diante dela em praticamente todas as incursões das quais participava.
— “Deve estar doendo. Aguente só mais um pouquinho.”
— “Você me parece familiar… não é aquele da última vez?”
— “Se machucou de novo?”
— “A gente se encontra bastante, né?”
— “Você é o Jinwoo, certo? Hm… isso está tudo bem pra você?”
— “Talvez esse trabalho não seja pra você…”
— “…é você de novo.”
— “Me dê o braço, por favor. Não, o outro. Esse aqui só precisa de um curativo. Mostre o lado que está fraturado.”
Agora, mais do que grato, Jinwoo se sentia culpado por todo o trabalho que dava a ela.
— …
Joohee suavizou a expressão ao perceber que ele havia ficado abatido com sua bronca.
— Está mesmo arrependido?
— Estou.
Pensando em algo por um instante, ela lançou um olhar de lado para Jinwoo e sorriu, um pouco envergonhada.
— Se você está mesmo arrependido… que tal me pagar um jantar?
A proposta veio de forma totalmente inesperada. Surpreso, ele ficou olhando para Joohee, cujo sorriso travesso lembrava o de uma adolescente.
Bem… não exatamente uma adolescente…
Joohee era uma jovem mulher, mal havia passado dos vinte. Ela mesma já tinha comentado que faria vinte e um no ano seguinte. Se, em vez do cabelo longo e liso que usava agora, tivesse um corte curto na altura do queixo e estivesse vestindo um uniforme escolar, facilmente passaria por uma estudante do ensino médio.
Jinwoo corou ao imaginar a cena.
Joohee inflou as bochechas diante da falta de resposta dele.
— Então… você não quer jantar comigo?
Nesse momento, um alvoroço surgiu na frente do grupo.
— Chegamos!
— É a sala do chefe!
Jinwoo e Joohee se viraram na direção da agitação.
Duas portas gigantes bloqueavam o caminho. Os outros caçadores se aglomeravam diante delas.
— Por que tem portas no fundo de uma caverna?
— Você já viu uma sala de chefe com portas assim?
— Essa é a primeira vez…
— Será que isso vai ser… perigoso?
Os caçadores murmuravam entre si. A apreensão era evidente.
Eles estavam arriscando a própria vida — era natural que fossem cautelosos. Mas, ao mesmo tempo, cautela demais poderia impedir que cumprissem o objetivo.
Song julgou que esse segundo ponto era o mais preocupante.
— Quem aqui quer sair de mãos vazias?
Ele colocou a mão sobre uma das portas.
— Se alguém quiser, fique à vontade. Eu vou entrar, mesmo que seja sozinho.
Song era um caçador de rank C com dez anos de experiência. Se não fosse pela idade já avançando, com o nível de poder que possuía, poderia muito bem trabalhar para uma grande guilda. A confiança que emanava dele acabou tranquilizando os demais.
— Pensando bem…
Alguns caçadores se lembraram de certos rumores sobre masmorras duplas.
— Dizem que elas escondem tesouros incríveis.
— Ouvi falar de uma guilda de médio porte que cresceu absurdamente depois de encontrar uma dessas.
— E, como todas as criaturas da mesma masmorra costumam ter níveis semelhantes, não deve ser difícil derrotar o que tiver lá dentro…
E se os rumores fossem verdadeiros? E se os monstros lá dentro fossem apenas de rank D ou E, como os que já haviam enfrentado?
Não dá pra deixar aquele velho ficar com todo o tesouro.
Nem pensar.
Tem os gastos do bebê, a escola do mais velho… e ainda vão aumentar o aluguel…
No fim, todos pensavam a mesma coisa.
Jinwoo também se encheu de determinação.
Não posso voltar pra casa com apenas uma pedra de essência de rank E. Preciso conseguir pelo menos algo de rank D… ou, no mínimo, mais uma de rank E.
Nem precisava ser necessariamente uma fera mágica.
Ou quem sabe algum tipo de tesouro…
Era costume dividir igualmente entre todos os membros do grupo qualquer item raro ou tesouro encontrado em uma masmorra. Isso era diferente de enfrentar monstros, já que, nesse caso, cada um ficava apenas com as pedras de essência das criaturas que derrotasse por conta própria.
Se tudo correr bem… talvez eu consiga respirar um pouco por um tempo.
Ele engoliu em seco.
Joohee percebeu a expressão determinada no rosto de Jinwoo.
— Essa é a cara de alguém que diz que isso é só um hobby?
Jinwoo deu de ombros.
— Quem hoje em dia arrisca a vida por dinheiro? Isso aí é coisa de hobby.
— O quê…?
Joohee lançou um olhar incrédulo para ele, bem no momento em que Song começou a empurrar as portas.
KRRRRRK!
Elas se abriram com facilidade, mesmo com um simples empurrão, como se algum mecanismo tivesse sido acionado.
THUD!
Do outro lado, revelou-se um espaço amplo.
Os caçadores avançaram rapidamente.
— Vamos também.
Sem querer ficar para trás, Jinwoo segurou o pulso de Joohee e a puxou consigo.
— Ah…! — Joohee o acompanhou, o rosto levemente corado.
Assim que o grupo entrou, tochas alinhadas nas paredes se acenderam uma a uma.
Fwoosh…
A luz iluminou todo o salão.
— O quê? Quem acendeu essas tochas?
— Nunca vi uma masmorra assim…
— Tem algo… estranho aqui.
Eles observaram ao redor.
O lugar lembrava um templo antigo. Parecia um santuário úmido e esquecido, escondido nas profundezas da terra. Musgo crescia nas fendas do chão, das paredes e até do teto.
Alguns caçadores recuaram, arrepiados.
— Por que eu fiquei com um calafrio agora?
— Não parece que… tem alguém nos observando?
Alguns dos mais experientes se afastaram dos colegas mais assustados e avançaram mais fundo no salão.
— Tsk! Para com essas bobagens.
— Vamos acabar logo com isso e sair daqui.
O salão era absurdamente grande. O teto se curvava formando uma imensa cúpula. Era como se vários estádios olímpicos de Seul estivessem juntos — talvez até maior que isso.
Apesar do tamanho, o espaço também dava uma sensação estranha de confinamento.
E logo ficou claro o porquê.
— Aquilo… é…?
— N-não pode ser… Esse não é o chefe, né?
No fundo do salão, havia uma estátua gigantesca sentada em um trono ainda maior.
Mais do que uma estátua… parecia a imagem de um deus.
— Nem ferrando…
— Caramba…
Exclamações ecoaram por todo o grupo.
A Estátua da Liberdade veio à mente de Jinwoo. Se estivesse sentada em um trono como aquele, teria mais ou menos o mesmo tamanho? Embora aquela figura parecesse masculina, ao contrário da estátua americana, a escala colossal fazia a comparação inevitável.
Talvez essa seja ainda maior…
Os caçadores engoliram em seco enquanto permaneciam aos pés da figura. Todos temiam que aquilo fosse o chefe.
— …
Mas a estátua não se moveu.
Um suspiro coletivo de alívio percorreu o grupo.
— Ufa… — Song também relaxou. — Vamos nos dividir.
Agora mais tranquilos, os caçadores se espalharam e começaram a explorar o local.
— Não vejo nada que pareça um monstro.
— Pois é…
— Nem monstro… nem sequer um inseto.
Apesar da imensidão, o salão tinha uma estrutura simples. Inúmeras tochas estavam presas às paredes e, à frente delas, várias estátuas de pedra — um pouco mais altas que uma pessoa comum — formavam uma espécie de guarda ao redor.
— São bonitas.
— Parecem obras de arte.
Cada estátua segurava algo diferente. Algumas empunhavam armas, outras livros, instrumentos musicais… até tochas.
— Elas são tipo…
— Estátuas de templo — completou Song.
Então, algo chamou sua atenção no chão.
— Hm… isso aqui é… um círculo de adivinhação?
No centro do salão havia um círculo como ele nunca tinha visto antes.
Foi então que—
— Sr. Song! Tem algo escrito aqui. Pode dar uma olhada?
Um dos caçadores havia encontrado algo peculiar em um canto.
Song se levantou do círculo e foi até lá. Os outros também se reuniram ao redor da estátua.
Aquela, em especial, era a única com asas e segurava uma placa de pedra.
Todos se concentraram nos símbolos gravados nela.
Depois de observar de perto, Song murmurou:
— São runas…
Runas… um tipo de escrita que não existia na Terra, encontrada apenas em masmorras. Apenas caçadores despertos com poder mágico conseguiam compreendê-las.
Song leu a primeira frase em voz alta:
— “Os mandamentos do Templo de Cartenon.”
Jinwoo ouvia Song com atenção, nervoso, quando de repente alguém agarrou seu braço.
Ele se virou e viu Joohee ali, completamente pálida. O sangue parecia ter sumido de seu rosto. Ele se assustou ao ver o quanto ela estava abatida.
— O que foi? Está passando mal?
— A-aquilo… ali…
Ele olhou na direção que ela apontava. Era a estátua gigante.
Joohee estava indicando diretamente o rosto dela. Jinwoo inclinou levemente a cabeça, confuso. A estátua parecia exatamente igual a antes.
— …?
Joohee mal conseguia falar, gaguejando:
— O-os olhos… Eles… olharam pra cá agora.
— O quê?
Por mais que Jinwoo encarasse a estátua, não conseguia perceber nenhuma mudança.
— Acho que… você deve ter se confundido.
Mas, fosse por ouvir ou não suas palavras, Joohee continuou com a cabeça baixa, agarrando o braço dele com força, tremendo de medo.
Espera…
De repente, Jinwoo também sentiu um arrepio.
Estava silencioso demais.
Por que eu não estou ouvindo…?
Ele percebeu que, em algum momento, o som das tochas queimando havia desaparecido.
— “Primeiro.” — Song continuava lendo a placa, alheio a tudo. — “Adorarás a Deus. Segundo, louvarás a Deus. Terceiro, provarás tua fé. Aqueles que não obedecerem a esses mandamentos não serão poupados.”
E então—
BANG!
Todos se assustaram com o som repentino.
— O-o quê?
— Que barulho foi esse?
Jinwoo foi o primeiro a entender o que havia acontecido. Como já estava atento ao redor, conseguiu identificar rapidamente de onde vinha o som.
— As portas! As portas se fecharam!
Todos se viraram ao ouvir o grito dele. As portas que haviam deixado abertas agora estavam completamente fechadas.
— Droga! Eu não aguento mais isso!
O homem que havia sido o primeiro a votar contra explorar a masmorra avançou em direção à saída, praguejando.
— Eu tô fora! Fiquem com o chefe e com o tesouro pra vocês!
Ele lançou um olhar irritado para Song, como se estivesse protestando, e então agarrou a maçaneta da porta com força.
No instante seguinte—
Os olhos de Song se arregalaram.
— NÃO!
WHOMP.
O homem desapareceu do pescoço para cima. Seu corpo sem cabeça caiu no chão.
THUD.
— Aaah!
— AAAAAH!
Os caçadores gritaram em pânico.
A estátua de pedra ensanguentada, que empunhava uma maça, retornou calmamente à sua posição ao lado da porta, como se nada tivesse acontecido.
— E-ela se mexeu!
— Que diabos foi isso? Quer dizer que todas essas estátuas podem se mover também?!
— Você acha que dá pra lutar contra uma coisa dessas?!
— Eu nem consegui ver ela balançando a maça!
Mas Jinwoo sabia.
Sabia que aquilo não era o fim.
Joohee tinha acabado de dizer…
“Os olhos… eles olharam pra cá.”
Se isso for verdade…
Um frio percorreu sua espinha. Seu pescoço travou de medo, mas ele se forçou a olhar novamente.
— Ah… merda…
A enorme estátua encarava diretamente para ele.