A Record of a Mortal's Journey – Capítulo 26
Estudante de Medicina
Justo quando Han Li começou a se convencer de que a chuva nunca teria fim, o sol finalmente surgiu no céu e dissipou as nuvens.
Han Li já havia descoberto o segredo da garrafa meio mês atrás, e por isso sua impaciência era natural. Naquela noite de céu limpo, ele testemunhou novamente o mesmo milagre que havia visto quatro anos antes. Pouco a pouco, pequenas esferas de luz começaram a se reunir ao redor da garrafa, até que se fundiram em uma única esfera maior.
Ao presenciar aquele milagre outra vez, Han Li ergueu a cabeça, tomado pela excitação. Parecia que a garrafa não podia ser usada apenas uma vez — enquanto houvesse luz do luar, ela poderia regenerar repetidamente aquela misteriosa gota de líquido!
Depois de mais sete dias de espera, a misteriosa gota finalmente se formou. Quando Han Li viu o conteúdo dentro da garrafa, seu coração se encheu de alegria e empolgação. Agora que sabia que teria um fluxo constante de ervas preciosas, não precisaria mais se preocupar com a falta de recursos.
O valor de uma erva medicinal era determinado pela sua idade. Quanto mais antiga ela fosse, mais preciosa se tornava, pois seus efeitos medicinais se intensificavam com o passar do tempo. Ao mesmo tempo, ingredientes mais valiosos naturalmente eram muito mais difíceis de encontrar. Alguns só podiam ser achados nas profundezas da floresta ou pendendo de penhascos perigosos. Sem arriscar a própria vida, era praticamente impossível obter esses ingredientes raros.
Embora existissem algumas farmácias especializadas no cultivo dessas ervas raras, a demanda era tão grande que elas eram colhidas muito cedo, antes de terem tempo para crescer de verdade. Por isso, quase ninguém era tolo o suficiente para cultivá-las por longos períodos — a maioria preferia colhê-las o mais rápido possível.
Somente famílias ricas podiam se dar ao luxo de cultivar e guardar ervas raras para tempos de crise. Como essas ervas não eram apenas de espécies raras, mas também eram cultivadas por muitos anos, sua eficácia era várias vezes superior à das ervas comuns. Nem sequer era necessário um especialista para cuidar delas. Essas famílias passavam suas riquezas de geração em geração, e as ervas que cultivavam com tanto cuidado também eram herdadas. Para elas, o tempo não era um problema. Durante séculos, essas plantas eram cultivadas dessa forma. Dinheiro e ervas raras eram dois tesouros que as pessoas comuns jamais teriam acesso.
De vez em quando, ingredientes raros apareciam brevemente no mercado — apenas para serem rapidamente comprados pelas famílias mais ricas. Com o tempo, isso fez com que o preço das ervas e ingredientes subisse tanto que alguns passaram a ser considerados simplesmente inestimáveis.
Han Li nunca teve muita esperança na capacidade do Ancião Mo de conseguir as ervas preciosas necessárias para o seu cultivo. Mas agora não havia mais motivo para preocupação. Com aquela garrafa misteriosa, ele seria capaz de criar inúmeros ingredientes em pouco tempo.
Com um sentimento estranho no coração, Han Li vinha realizando experimentos com aquela misteriosa gota de líquido nos últimos dez dias.
Em uma ocasião, ele diluiu o líquido verde e o borrifou sobre algumas ervas. O resultado foi surpreendente: em apenas dois dias, a planta cresceu o equivalente a dois anos. Era muito melhor do que ele imaginava, e esse experimento ensinou a Han Li uma regra importante.
No experimento seguinte, Han Li decidiu não diluir a gota verde-esmeralda. Ele simplesmente deixou uma gota cair sobre um talo de ginseng. No segundo dia, Han Li ficou atônito ao perceber que o ginseng havia se tornado praticamente indistinguível de um ginseng selvagem com cem anos de idade. Esse experimento o deixou mais feliz do que nunca — não porque agora possuía um ingrediente raro, mas porque havia confirmado o verdadeiro uso daquele líquido misterioso.
Depois disso, Han Li decidiu reservar parte do líquido verde para novos experimentos, enquanto o restante tentou armazenar em outros recipientes, como frascos de porcelana, garrafas de jade e até recipientes de prata. Porém, ele logo descobriu que nenhum desses recipientes conseguia conter o líquido por mais de um minuto. Depois de retirado da garrafa, o líquido precisava ser usado rapidamente — caso contrário, desapareceria lentamente sem deixar vestígios.
Mesmo quando diluído, o resultado era o mesmo, embora demorasse um pouco mais para sumir. Mesmo misturado com outros líquidos, ele acabava desaparecendo logo depois.
Após muitas tentativas frustradas, Han Li desistiu de armazenar o líquido em qualquer outro recipiente. Parecia impossível estocar aquele líquido misterioso. Assim, ele só podia continuar testando suas propriedades de acelerar o envelhecimento das ervas.
Han Li pegou um feixe de Erva dos Três Corvos e usou o líquido sobre ela. Quase imediatamente, ela se transformou em uma Erva dos Três Corvos amarelada com cem anos de idade. Com apenas uma única gota, sua idade aumentava cem anos!
Depois de testemunhar um efeito tão extraordinário, Han Li passou os dois meses seguintes usando o líquido repetidamente. Sempre que uma nova gota surgia na garrafa, ele a aplicava na mesma erva. Aos poucos, sua cor mudou de amarelo para um amarelo escurecido. No final, tornou-se completamente negra — o sinal de que havia envelhecido com sucesso até alcançar mil anos de idade.
Após o sucesso desse experimento, parecia claro que, com paciência suficiente, a Erva dos Três Corvos poderia continuar envelhecendo e se tornando cada vez mais poderosa. No entanto, isso não tinha muita utilidade para Han Li. Ele já estava satisfeito em saber que podia controlar deliberadamente o efeito do líquido. Além disso, ele não precisava de ingredientes tão antigos — algo com cerca de cem anos já seria mais do que suficiente.
Depois dessa longa série de experimentos, Han Li finalmente decidiu fazer uma pausa. Foi então que percebeu que o Ancião Mo estava fora da montanha havia muito tempo.
Naquele momento, Han Li estava sentado na cama, segurando em suas mãos a Erva dos Três Corvos de mil anos, com uma expressão relaxada e despreocupada.
Seus olhos pareciam fixos na erva, como se estivesse analisando cada detalhe dela. Mas, na verdade, se alguém observasse melhor o olhar disperso de Han Li, perceberia que sua mente estava longe dali. Seu olhar vagava pelo vazio enquanto seus pensamentos se perdiam em outras preocupações.
Ele já não sentia a mesma alegria que experimentou quando criou pela primeira vez aquela Erva dos Três Corvos de mil anos. Em vez disso, agora refletia sobre os perigos que aquela pequena garrafa poderia trazer — e nas precauções que precisava tomar.
Nos livros da biblioteca do Ancião Mo, Han Li havia lido inúmeras histórias de pessoas que encontraram destinos terríveis após obterem tesouros preciosos. A garrafa em suas mãos era, sem dúvida, um desses tesouros. Se alguém descobrisse sua existência, ele duvidava que viveria para ver o dia seguinte.
Por exemplo, se algum líder de salão descobrisse aquilo, não haveria chance de deixarem passar. Eles fariam qualquer coisa para tomar o tesouro para si e eliminar o dono antes que qualquer outra pessoa soubesse.
“Não posso contar a ninguém sobre esta garrafa. E preciso ter muito cuidado ao usá-la. A maneira como ela reúne a luz é visível demais — qualquer um que esteja observando pode perceber”, pensou Han Li consigo mesmo. Ele precisava manter esse segredo a todo custo.
“Mas eu preciso de ervas para cultivar. Se eu não usar esta garrafa, seria um desperdício enorme. Preciso encontrar uma maneira de ter o melhor dos dois mundos.”
Ele refletiu por um momento sobre suas necessidades de cultivo, com um leve sentimento de frustração. Afinal, seu cultivo era sua maior prioridade. Até mesmo o Doutor Mo sabia que Han Li havia feito pouquíssimo progresso nos últimos anos.